Expomusic: tantas experiências incríveis num único lugar

Resenha - Expomusic (Expo Center Norte, São Paulo, 23/09/2013)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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A Expomusic ostenta o título de maior feira latino-americana de música e não é por menos. Em sua trigésima edição e ocupando dois pavilhões e um grande auditório do centro de convenções Expo Center Norte, em São Paulo era possível encontrar tudo relacionado à música e um pouco mais, de minúsculos componentes eletrônicos a potentes amplificadores, de banquetas para bateristas a estruturas de palco inteiras, de iluminação para ambientes fechados (tipo boite) até enormes canhões para grandes shows, de chaveiros e porta canetas com motivos musicais a guitarras personalizadas de todos os tipos (com cordas de neon, com símbolos de times de futebol), além de publicações especializadas a escolas de música capazes de fazer de um Daniel Tavares um Yngwie Malmsteen, sistemas de gerenciamento de ingressos para eventos, DAWs (Digital Audio Workstation, softwares como o Pro Tools), e lindos protótipos de instrumentos que jamais poderiam entrar em um avião, devido ao seu tamanho. Artistas de todos os estilos também compareceram a feira. Estavam lá metalheads, cantores de barzinho, artistas consagrados da MPB, músicos de bandas cover, jazzistas, blueseiros, artistas gospel, e até mesmo Bel Marques, que fez um monte de gente chorar uns dias atrás ao declarar que sairá da banda Chiclete Banana (nenhum dos nossos leitores, felizmente) estava por lá. Apesar do festival Rock In Rio, que acontecia no estado vizinho, e dos shows que aconteceram na cidade durante o período da feira (SLAYER, GHOST, IRON MAIDEN, BON JOVI, BRUCE SPRINGSTEEN, JOHN MAYER e SEBASTIAN BACH), o Expo Center Norte estava bem lotado. Estivemos na exposição no domingo, quinto e último dia, para relatar um pouco do que encontramos por lá.

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Em primeiro lugar, seria humanamente impossível retratar tudo o que acontece na feira sem recorrer a um texto que se aproximasse em tamanho do Silmarillion. Em cada um dos vários estandes um ou mais músicos se apresentava em pocket shows ou workshops, demonstrando o poder de cordas e pedais a instrumentos completos. Segundo a organização, 53 mil pessoas passaram por ali, lotando os 34 mil metros quadrados de feira, com cerca de 500 atrações musicais (uma média de dez atrações simultâneas por hora).

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Logo ao adentrar o primeiro pavilhão, no stand da Fire, especialista em pedais, o guitarrista Marcos Lima, deficiente visual, encantava com sua técnica. Ao se dirigir ao público que acompanhava seu show, Marcos disse não poder ver, mas podia sentir a vibração da galera.

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Mais adiante, tocava a banda Beatles4Ever, a primeira banda cover brasileira do quarteto de Liverpool, no stand da Stay, que já tinha sido visitado antes por GUILHERME ARANTES, uma banda cover do KISS (devidamente caracterizada), entre outros.

Mais adiante, outro músico tocava mais canções do Fab Four, com o cultuado baixo Hofner, (em formato de violino, o preferido de PAUL MCCARTNEY) em suas mãos e os outros instrumentos em playback.

Na próxima esquina, um interessante show de jazz tradicional, com alguns instrumentos não tão comuns nos dias de hoje, como sousafone e washboard. Maiores informações sobre a banda RiverBoat's Jazz podem ser adquiridas em seu próprio site:

http://www.riverboatsjazz.com.br

Um pouco adiante, um ônibus no meio do centro de convenções. Era o ônibus da Tagima, recheado de guitarras e violões. Até o corrimão da escada era a reprodução de uma guitarra. Lá dentro, ou no pequeno palco montado ao lado do "busão", teriam se apresentado nomes como o da guitarrista Lari Basílio.

Caminhando um pouco mais, pudemos ver um grande número de pessoas em volta do stand da Micheal, atraídas por batidas vigorosas e técnicas precisas pareciam vir de algum sistema de alto-falantes. No entanto, ao nos aproximarmos do stand, vimos que quem estava ali era um grande baterista, escondido atrás de um kit que quase o escondia completamente. Era o pequeno João Victor Lucila, que demonstrava um talento que ultrapassava muito o esperado por alguém de sua pouca idade.

Nota: a publicação das fotos acima foi autorizada por Adriana Coquetto. Para entrar em contato com o "babydrummer", falar com Adriana através do telefone 11.9.7251.0033 ou pelo email [email protected]

Perto dali, em um mini-auditório montado pela Nig, especializada em cordas e pedais, os músicos da 4 ACTION, Felipe Andreoli (ANGRA), Roger Franco e Sydnei Carvalho, esbanjavam virtuose, que também vai poder ser conferida no DVD que o quarteto, complementado por Alexandre Aposan (que não estava no palco) deve lançar em breve. Eles seriam sucedidos pelo não menos virtuoso ALEX MARTINHO, e, no final da tarde, por Ricky Furlani.

Andando mais um pouco, reconhecemos o peso do metal do SHAMAN, com parte da banda no stand da Cassio. Lá estavam Thiago Bianchi (vocal), o baixista Fernando Quesada no violão e Juninho Carelli tocando em dois teclados, um deles suspenso num suporte pendente projetado pelo próprio. Ao fundo, um pequeno telão exibia, sem som, imagens do clipe de sua nova banda NOTURNALL, lançado no dia anterior, no Music Hall. Segundo dois roadies da banda, com quem tive a oportunidade de conversar, o SHAMAN iria mesmo acabar, mas devido a inúmeros pedidos, a banda nova, produzida por Russell Allen (SYMPHONY X/ADRENALINE MOB) e com Aquiles Priester na bateria, será apenas um projeto paralelo. Até então, apenas imagens do clipe podiam ser vistas. No momento da publicação desta matéria, o clipe já estava disponível no UOL. A capacidade de Carelli tocar em seu teclado móvel é realmente impressionante.

De um músico mostrando habilidade em transformar um instrumento comum em algo inusitado para outro, encontramos Marcinho Eiras, no Music Hall, tocando três guitarras ao mesmo tempo.

Foto: Expomusic
Foto: Expomusic

Acompanhamos mais de perto as duas últimas atrações do principal palco da feira, o Music Hall. Estas foram o KIKO LOUREIRO TRIO e a banda de PEPEU GOMES. Antes delas, haviam passado pelo palco bandas como MAKINARIA ROCK, a já citada NOTURNALL, o KORZUS (e eu me pergunto como deve ter sido a apresentação de uma banda de thrash metal em um auditório com cadeiras), p baterista AQUILES PRIESTER, a interessante SÃO PAULO SKA JAZZ e o metal progressivo da MIND FLOW.

KIKO LOUREIRO TRIO

No show que talvez tenha sido o mais lotado de toda a feira, com muitos fãs sentados no chão, o guitarrista KIKO LOUREIRO (ANGRA), Felipe Andreoli (ANGRA) no baixo de seis cordas e o baterista Bruno Valverde se apresentaram com a competência de sempre. Kiko também aproveitou a oportunidade de mostrar sua guitarra signature Ibanez e contar como se orgulha de fazer parte do time da marca, junto a outros grandes guitarristas consagrados. "Pau de Arara" foi a música que pôs fim a um show cujo único defeito foi ser curto demais, devido à maratona de atrações e os horários rígidos da feira, cumpridos pontualmente. Até pediram "Carry On", clássico do ANGRA, mas, o trio e todos os que estavam ali queriam mesmo era ver mais da mistura de virtuose e música brasileira entregue pela banda que leva o nome do guitarrista.

PEPEU GOMES

Fechando com chave de ouro a programação da Expomusic, nada menos que um dos melhores guitarristas do mundo na categoria World Music, segundo a Guitar World em 1988, e um dos melhores guitarristas brasileiros pela Rolling Stone brazuca, Pepeu Gomes. Quem foi ao Music Hall esperando ouvir as canções de apelo mais popular da carreira do guitarrista, caiu do cavalo. Mas não deve ter ficado completamente desapontado, pois recebeu bem mais que o que pediu. O guitarrista baiano daria uma aula de rock instrumental a todos os presentes, surpreendendo quem não conhece sua obra e maravilhando quem já sabia por que ele é detentor de tantas honrarias.

O guitarrista, que tinha acabado de chegar do Rio de Janeiro, onde se apresentou no festival Rock In Rio, não vem sozinho. Vem acompanhado de uma dupla de guitarristas, Daniel Imenez e o enteado de Pepeu, Filipe Pascual, do baixista Didi Gomes (seu irmão) e do baterista Rafael Dolinski, filho de José Roberto Martins Macedo, o percussionista do NOVOS BAIANOS.

Logo na primeira música, Stratus, de Billy Cobham, o quinteto arrasa e o baixista Didi Gomes mostra que não abaixa a cabeça diante do trio de guitarristas. Cada um faz um solo longo e cheio de feeling, mas, especialmente nesta faixa, é o baixista que os coloca no bolso com um riff hipnotizante, Seguem "Didilhando" e "Amazonia", dedicada a Chico Mendes. Em todas, tanto PEPEU quanto Imenez e Pascual fazem solos marcantes. E de um dos grandes ídolos de PEPEU (e de 11 entre 10 guitarristas), o eterno JIMI HENDRIX, vem "May This Be Love".

Anunciada como última música, a salsa "Chicana" teria levantado os casais para dançar se houvesse uma pista maior entre cadeiras e palco. Apresentando seus colegas de palco, PEPEU explicou que só pode ensaiar remotamente com Dolinski, mas que o desempenho do baterista era uma demonstração enorme do talento que só o músico brasileiro tem.

Uma última música, "Bilhete para Didi", do cultuado álbum "Acabou Chorare", dos NOVOS BAIANOS, marcava o fim não só do show, mas também da trigésima edição da Expomusic. Se em algumas horas no Expo Center Norte já tivemos oportunidade de passar por tantas experiências incríveis, imagine nos cinco dias da feira. Imagine quem participou de todas as 30 edições.




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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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