Siege of Hate: sexta-feira de Metal Pesado em Fortaleza
Resenha - Siege of Hate (Superdrive-Órbita Bar, Fortaleza, 30/08/2013)
Por Leonardo M. Brauna
Postado em 02 de setembro de 2013
O ‘Órbita Bar’ que fica em Fortaleza, localizado nas proximidades do ‘Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura’, perímetro turístico da Praia de Iracema, abriga o projeto ‘Superdrive’ onde desde dezembro de 2005 vem abrindo espaço todas as sextas-feiras para grupos autorais da cidade, outros estados e até do exterior. Neste dia 30 de agosto o palco recebeu a estréia de SIEGE OF HATE. Há exatos seis dias da última apresentação na Praia do Futuro (também em Fortaleza), a noite foi mais uma chance para quem não conferiu a "artilharia pesada" do S.O.H.
FOTOS: Richarley Menescal
O lugar é rota turística para quem procura entretenimento na cidade e as noites naquela região são muito frequentadas, pois as quadras oferecem muitas opções de boates e barzinhos de música ao vivo. O Órbita que na verdade é uma dessas boates já mantém a tradição de oferecer música alternativa para seus clientes, porém chamar uma banda de som extremo como é o caso do S.O.H. foi uma manobra "ousada" dos produtores. O ótimo espaço que oferece conforto, melhores bebidas e ‘muitos extintores de incêndio’ estava para ser aprovado também pelo barulho ensurdecedor de um dos maiores expoentes do Death/Grind nacional.
O repertório foi bem diversificado abrangendo canções de seus três lançamentos e bem similar ao executado nas areias da Praia do Futuro, no último dia 24. O show teve exatamente a duração de uma hora, que pra mim passaram-se rapidamente. 22:30h e a banda já em palco anunciava a primeira "cacetada", ‘Grinding Ages’! Uma ótima opção que vem abrindo o set do grupo desde o lançamento de ‘Animalism’, CD atual da banda, aliás, é esta também a faixa de abertura desse álbum que vem acumulando fãs desde as primeiras resenhas e audições. Foi muito interessante e até satisfatório ver aquele público de gosto musical misto (percebia-se muitas pessoas não roqueiras no local), se render aos riffs ferozes do quarteto. A sonoridade estava perfeita mesmo não havendo um esquema acústico no interior, talvez não haja mesmo a necessidade, pois a vizinhança toda é formada por casas de eventos e, ainda assim, eu teria dó dos ouvidos mais leigos caso o S.O.H. tivesse que tocar em uma "caixa de esponja".
O "terrorismo" seguiu com ‘Steamroll Democracy’, primeiro tema extraído de ‘Deathmocracy’ (2009), disco que revelou a banda para o mundo e que lhe valeu a primeira turnê européia. Durante a execução viu-se mais Bangers se aproximar à frente do palco e compartilhar com a banda muita troca de energia. As pessoas que contemplavam tomando os seus ‘drinks’ já começavam a balançar suas cabeças sem muito esforço para curtir o som. Em dado momento pude perceber, no intervalo de uma música para outra, que dois amigos comentavam sobre os artistas fazendo-os comparações com os nossos compatriotas do ‘Sepultura’. Parece que a comparação "inocente" dos dois cidadãos só mostra que na boca da pessoa comum a banda mineira serve para definir qualquer som que seja mais extremo que o Heavy Metal.
Sem estar ciente de quaisquer ligações ou adjetivos, Bruno Gabai (Guitarra, Vocal) chama a próxima execução, ‘Catharsis’, até agora a mais popular de ‘Animalism’ e que tem uma levada mais Death Metal e uma "pitada" Black Metal nas bases. Os guturais de Gabai harmonizam-se perfeitamente com os rasgados, da maneira que se ouve no CD o frontman traz para o palco com maestria, mas é importante salientar que, Lucas Gurgel (guitarra, vocal do Clamus) responde a altura com seus ‘backings’ totalmente ‘screamings’. Em baixo a galera já totalmente empolgada fazia o ritual sagrado de causar torcicolo. As luzes quando refletiam mais ao fundo do ambiente dava uma melhor noção do espaço – casa lotada! Podemos contar agora com mais um apoio para bandas de Metal? Vamos torcer.
‘The World I Never Knew’ eu recebí como um presente, pois esse pra mim é o melhor título do novo álbum. Os seus riffs, notas de baixo e vocal me lembram muito o Napalm Death na época de ‘Harmony Corruption’. Ao vivo o S.O.H. consegue fazer uma passagem ainda mais destruidora. Esta canção também é uma das mais bem aceitas entre os fãs e, ao lado de ‘Cartharsis’ deve merecer uma versão em videoclipe para expandir mais o seu poder. Fica a dica. A primeira do debut ‘Subversive by Nature’ (2003) veio com ‘Martyr of Fools’, uma pancada Grindcore nos ouvidos seguida de ‘The Walls Built Inside Us’ do mesmo disco. A participação de Lucas desde a saída de Fábio Morcego é mais do que merecida à banda. O cara que presta apoio técnico ao grupo como ‘roadie’, mas que acima de tudo é um excelente guitarrista, movimenta-se no palco, chama a galera e executa os riffs com muita precisão. Talento esse que vem desde sua banda principal, ‘Clamus’, outro expoente local.
‘Breeding Chaos’ e ‘Red Alert is on’ fazem sequência ao espetáculo e intensifica a agitação. Alguns mais contagiados pelo peso tentam formar algumas rodas na pista, algo que pra minha felicidade não aconteceu devido às mesas que ficavam a poucos metros do palco, mas na entrada de ‘Hypochrist’ eu mesmo tive vontade de sair "chutando o ar" participando da "selvageria". A cozinha do S.O.H. é uma das mais afinadas do Metal Extremo, Saulo Oliveira, monstruoso como nunca, alimenta uma sede de não deixar pedra sobre pedra com seus blast beats e pancadaria mortal nos dois pedais, sem falar que hora o moço só falta se arrebatar de seu kit para puxar a galera. George Frizzo, parceiro antigo de Bruno desde os tempos da ‘Insanity’, movimenta-se de um canto a outro como um colosso liberando de seu instrumento os graves que elevam mais a progressão do som. Há momentos em que o "simpático" senhor parece reger toda a fúria dos companheiros, pois é o mais "frio" em palco.
Mais uma trinca do primeiro CD com a canção título, mais ‘From the Top to the Fall’ e ‘Downfall’ a festa então seguia com o Grind "desmoronando" as estruturas. Durante o set Bruno comentava que aquele seria a última apresentação na cidade de Fortaleza, no dia sete de setembro, feriado, a banda fará o seu último show no Brasil, na cidade de Natal (RN) para então se preparar para a fase internacional da Turnê ‘Animalism Tour 2013’ – esta cumprirá datas a partir do dia três de outubro na Europa compreendendo os países: Alemanha, Holanda, Belgica, França, Espanha, Itália e Suíça. Até lá a banda ainda aguarda uma atualização de agenda para novos eventos no exterior que já estão marcados. Os cearenses terão a companhia dos cariocas do ‘Statik Majik’ ao longo da excursão. Enquanto os nossos brasileiros não alçam vôo para "pôr a baixo" o velho continente, a casa resistia bravamente o "Cerco do Ódio" que ainda fez mais cinco execuções que valeram a cada presente uma noite triunfal, ‘Beware What You Wish’ foi a última de ‘Animalism’, seguiram com ‘Say Your Prayers’, a clássica ‘God Killing God’e ‘Burn Them Down’ (ambas de ‘Deathmocracy’) para então finalizar a destruição com o petardo ‘Siege of Hate’!
Considerações finais do frontman, a banda se despede deixando registrado mais um marco na história do underground cearense e, da casa de shows que ofereceu para um público cansado da mesmice cotidiana uma grande noite do mais puro Metal. Parabéns à equipe do ‘Órbita Bar’ pela atenção e apoio à cena Headbanger, ao produtor do projeto ‘Superdrive’, André Fernandes pela iniciativa e à banda ‘Prowler’ que seguiu com a festa fazendo o gosto dos fãs de Iron Maiden. Obrigado ao SIEGE OF HATE pelo convite da festa e que venham mais sextas-feiras de Metal Pesado no ‘Superdrive’!
Repertório:
01 - Grinding Ages;
02 - Steamroll Democracy;
03 - Catharsis;
04 - The World I Never Knew;
05 - Martyr of Fools;
06 - The Walls Built Inside Us;
07 - Breeding Chaos;
08 - Red Alert is On;
09 - Hypochrist;
10 - Subversive by Nature;
11 - From the Top to the Fall;
12 - Downfall;
13 - Beware What You Wish;
14 - Say Your Prayers;
15 - God Killing God;
16 - Burn Them Down;
17 - Siege of Hate.
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