Metalmorphose, Salário Mínimo e Fates Prophecy: bom e velho Metal

Resenha - Metalmorphose, Salário Mínimo (Blackmore, São Paulo, 27/04/2013)

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Por Marcelo Stefanoni
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Afora os shows internacionais de Firehouse e Demon Hunter em São Paulo, alguns outros eventos importantes movimentaram a capital paulista no dia 27 de abril, mantendo a sequência absurda que vimos ocorrer no mês inteiro. Enquanto no Carioca Club o festival "Let's Mosh" trouxe sete bandas da nova escola, um pouco mais tarde o Blackmore Rock Bar recebeu nomes que fizeram (e fazem) história no cenário nacional. No pacote estavam duas lendas dos anos 80 - SALÁRIO MÍNIMO e METALMORPHOSE - e o FATES PROPHECY, formação revelada no início da década de 90.

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Fotos: Ricardo Ferreira e Debora Brizzi

Promovendo o seu mais recente lançamento, "The Cradle Of Life", o FATES PROPHECY entrou em cena com um som cristalino, demonstrando muita garra. Não é segredo que o Metal Tradicional do grupo paulistano é fortemente influenciado pelo Iron Maiden - os temas de guitarra, os vocais e até a montagem da bateria à la Nicko McBrain não deixam dúvida -, mas além do peso agora constam passagens mais densas.

A atual formação, que traz Ricardo Perez (vocal, ex-Seventh Seal), Paulo Almeida e Ivan Santos (guitarras), Rodrigo Brizzi (baixo) e Sandro Muniz (bateria), parecia querer mostrar seu valor em um set que mesclou músicas novas, como "24/7 To Death", "New Degeneration", "Welcome To The Dark Future" e "Primitive Man" com algumas do passado. Entre estas, o antigo clássico "Pay For Your Sins", dos tempos do saudoso vocalista André Boragina; "Hollow Man" e "Beyond Good And Evil", da fase com Sérgio Faga (Children Of The Beast). "Foi mais do que gratificante participar dessa noite memorável ao lado de ícones do Heavy Metal nacional. A camaradagem, o profissionalismo e o bom e velho Metal comandaram esse grande evento", comentou o baterista Sandro Muniz. "Que as casas tenham o exemplo do Blackmore e abram as suas portas em um sábado para bandas autorais, pois o público cantou e agitou a noite toda", acrescentou.

Na sequência veio o METALMORPHOSE, apresentando aos paulistanos uma novidade que vem sendo bastante comentada pelos fãs: a presença do guitarrista Marcos Dantas (Azul Limão, X-Rated). Isto não é apenas um "reforço de peso", mas uma chance de ver lado a lado músicos que construíram o alicerce do Metal brasileiro e que se mostram em plena forma. No palco, o que se viu em cena foi um grupo bem entrosado, vibrante e executando as músicas com perfeição, tendo uma boa qualidade de som que saía dos PA's - algo que se viu durante a noite toda. Após a 'intro', o início foi com a rápida "Jamais Desista", que abre o mais recente CD, emendada com o hino "Cavaleiro Negro" do Split "Ultimatum" (1985), fazendo com que os presentes cantassem junto com a banda.

Além de explorar com destreza as escaladas do baixo, André Bighinzoli interagiu com o público, apresentando as músicas e fazendo comentários, deixando Tavinho Godoy livre para cantar - e como canta! Os guitarristas PP Cavalcante e Marcos Dantas dividiram bases e solos sem nenhum problema de interação, enquanto André Delacroix fez o que mais sabe, agitando muito e detonando na batera como se aquele fosse o último show de sua vida.

Conforme prometido, além de músicas novas como a conhecida "Máscara", a Hard/Heavy "Máquina dos Sentidos", a tradicional "Pelas Sombras", a veloz "Metrópole" e a pesada "No Topo Do Mundo", o grupo carioca incorporou ao set dois clássicos do AZUL LIMAO, mas a resposta para a acelerada "Satã Clama Metal" foi bem superior à longa "O Grito". Porém, outra grata surpresa foi a inclusão da acelerada "Mate O Réu", um dos hinos do grupo paraense STRESS - a faixa "Jamais Desista", de "Máquina dos Sentidos", é dedicada ao vocalista e baixista Roosevelt Bala. Na hora que começou a música, a vibração dos fãs se assemelhou com a de um gol em final de Copa do Mundo. O repertório bem balanceado do show ainda contou com "Desejo Imortal", de "Ultimatum", "Maldição" e o encerramento com "Minha Droga É o Metal".

Instantes depois a banda SALÁRIO MÍNIMO entrou em cena e manteve a escrita, realizando um show digno de sua tradição. Não importa se mais de vinte e cinco anos se passaram, quando os músicos tocam clássicos de "Beijo Fatal" a energia se renova - e ver gente se empolgando tanto depois de dois shows energéticos, quase às 3h da manhã, é coisa que só o Rock explica.

Assim como o Metalmorphose tinha prometido clássicos do Azul Limão, o Salário Mínimo cumpriu o que falou e acrescentou "Vale O Que Tem", música que fará parte de um tributo ao STRESS, ao repertório - ela foi a segunda do set, tocada logo após "Anjos da Escuridão". "Nunca antes os pioneiros do Metal brasileiro estiveram tão unidos. Que honra para nós do Stress termos amigos desse quilate - músicos fantásticos e pessoas maravilhosas... O velho 'Coração de Metal' derreteu um tanto agora com essa notícia de que os irmãos do 'Metalmorphoda' e 'Salário Milionário' tocaram músicas do Stress nesse show", surpreende-se Roosevelt Bala, que não fazia ideia da reverência feita nesse evento.

Tocando com o sorriso no rosto e com uma presença de palco intensa, China Lee (vocal), Daniel Beretta e Junior Muzilli (guitarras), Diego Lessa (baixo) e Marcelo Campos (bateria, Trayce) seguiram empolgando o público com "Beijo Fatal" e "Noite De Rock". Depois, China Lee ofereceu a música seguinte, "Jogos de Guerra", ao aniversariante da noite, Ricardo Batalha (Roadie Crew). Além disso, no meio do público também estavam presentes músicos de outras bandas nacionais, como Centúrias, Minotauro, Panzer, Sakrah e Carro Bomba. "Afora o público, que vem prestigiando cada vez mais, a noite deste sábado lembrou bem os anos 80, com a presença de muitas pessoas que fazem parte de outras bandas. É assim que o movimento vai se fortalecendo", analisou China Lee.

O set ainda contou com "Dama da Noite" e as duas clássicas de "SP Metal 1" - "Delírio Estelar" e "Cabeça Metal". No bis, muita gente se tocou do adiantado da hora mas seguiu agitando até o final, com "Doce vingança", "2000 Anos" e "Eu Não Quero Querer Mais". O evento, que começou no dia 27 e terminou quase na manhã de 28 de abril, provou mais uma vez a força e união dos pioneiros, sejam eles dos anos 80 ou dos 90. "Foi uma noite espetacular! Saí de lá com a sensação de dever cumprido", resumiu o baixista Diego Lessa.

O mês de abril, recordista de eventos na capital paulista, ainda seguiria no domingo, pois havia gente se preparando para o Texas Hippie Coalition. Pelo visto a maratona seguirá assim pelo restante do ano...




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