My Dying Bride: todos esses anos de espera valeram a pena

Resenha - My Dying Bride (Teatro Rival Petrobrás, Rio de Janeiro/RJ, 10/04/2013)

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Por Genilson Alves
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Quarta-feira, 10 de abril de 2013. Durante o dia, o céu estava nublado e o clima era abafado na capital fluminense. Logo mais, à noite, o público brasileiro teria a chance de, finalmente, assistir ao vivo a uma performance do My Dying Bride, um dos expoentes do death/doom inglês do início dos anos 90 (ao lado de Paradise Lost e Anathema, que já tocaram no Brasil em mais de uma ocasião). O show de estreia em terras tupiniquins também seria o único da atual turnê do grupo – que divulga o álbum “A Map Of All Our Failures” - a ser realizado no país.

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O local escolhido para a apresentação foi o Teatro Rival Petrobrás, situado no centro do Rio, numa rua (quase um beco) de construções mal conservadas onde funcionam botecos, restaurantes e uma sala de filmes eróticos. Ao adentrar o espaço (que fica no subsolo), as pessoas deparavam-se com retratos antigos de personalidades do teatro, do cinema e da música, como Eva Todor e Carmem Miranda. Ou seja, havia ao redor toda a atmosfera de decadência, boemia, luxúria e nostalgia que permeia o universo lírico/sonoro do conjunto de West Yorkshire. Porém, no interior da casa as instalações eram modernas e tinham um ar “clean”, inclusive com mesinhas na pista. Talvez por ser no meio da semana, o lugar não estava cheio, o que permitiu que todos ficassem bem perto do palco.

Os presentes já estavam acomodados quando, britanicamente às 20:30, as luzes se apagam e sinos começam a badalar. As cortinas se abrem e, sob ovação da plateia, a banda formada por Aaron Stainthorpe (vocal), Andrew Craighan e Hamish Glencross (guitarras), Lena Abé (baixo), Shaun MacGowan (teclado/violino) e Dan Mullins (bateria) inicia com “Kneel Till Doomsday”, faixa que abre o último trabalho. Na sequência, “Like Gods Of The Sun”, do álbum homônimo, é cantada em uníssono pelos fãs. “To Remain Tombless”, do subestimado “A Line Of Deathless Kings”, também consegue boa resposta do público. As clássicas “From Darkest Skies” e “Turn Loose The Swans” ressaltam a ótima forma de Stainthorpe, que não fazia nenhum grande esforço para ir do vocal limpo ao rasgado, sem contar sua forte presença de palco, cheia de teatralidade. Os demais músicos, apesar de se manterem mais estáticos (exceto o guitarrista Hamish, que ia de um lado para outro e agitava a todo instante), mostravam bom entrosamento.

O sexteto continuou com o apanhado de todas as fases da carreira, e as próximas músicas do set eram “My Body A Funeral” e “The Wreckage Of My Flesh”. Em “She Is The Dark”, do ótimo “The Light At The End Of The World”, a casa quase veio abaixo, apesar de a banda errar no final da execução, o que todos encararam com bom humor. Já “The Poorest Waltz”, outra do play mais recente, teve uma recepção morna. Problemas técnicos comprometeram o hino “The Cry Of Mankind”, transformando o tema num interminável improviso, sendo o único ponto negativo do show. “Bring Me Victory” e “Like A Perpetual Funeral” ajudaram a colocar as coisas no lugar.

A banda faz uma pequena pausa, mas não deixa o palco. A seguir, o som de chuva anuncia “The Dreadful Hours”, que abriu a sequência que mais empolgou o público. A insana “The Forever People”, do primeiro full length, “As The Flower Withers”, lançado no já longínquo ano de 1992, e a épica “The Raven And The Rose” encerram o espetáculo de uma hora e quarenta minutos.

As cortinas se fecham. Mesmo sem bis, os fãs ainda teriam a oportunidade de falar com os músicos e pedir autógrafos. Em seu debute no Brasil, o My Dying Bride merecia uma audiência maior, mas quem estava lá saiu com a certeza de que todos esses anos de espera valeram a pena.

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Sobre Genilson Alves

Genilson Alves é jornalista e autor do blog Radio Sehnsucht.

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