Warcursed e Encéfalo: apresentação em Fortaleza

Resenha - Warcursed e Encéfalo (G.R.A.B, Fortaleza, 04/11/2012)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

O Grêmio Recreativo do Antonio Bezerra tornou-se, em pouco tempo, um dos pontos de encontro dos bangers fortalezenses. Localizado em um bairro da periferia da cidade, mas perfeitamente acessível a partir de qualquer ponto da capital, o clube concentrava centenas de metalheads, de todas as idades e classes sociais, ávidos por um som pesado a cada domingo.Lá, grandes e promissores nomes da cena local como DARKSIDE, S.O.H., ENCÉFALO, THE KNICKERS, KRENAK, entre outras, se apresentaram ao lado de outras grandes bandas nacionais como BYWAR, KRISIUN, NERVOCHAOS e até mesmo a banda alemã ASSASSIN, levados por empresas sérias, de gente que curte e vive o metal, como a Gallery, a Underground e a Gino Productions. No entanto, reclamações da vizinhança, não acostumada à beleza do metal extremo, ameaçaram fechar o local para shows de metal.

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Ensaiando uma convivência pacífica com a comunidade, os shows, que tinham tido uma breve pausa, retornaram ao clube numa freqüência menor e com parte da renda sendo revertida em benfeitorias para o próprio, como uma nova pintura. Marcando esse retorno, o que me levou ao GRAB neste domingo foi, além do convite do Gino, um dos citados grandes produtores envolvidos na cena metal da cidade, a presença de duas bandas: a ENCÉFALO e a WARCURSED. A primeira, retornando a terra natal após longa viagem divulgando seu som e com muita história pra contar (que vocês vão poder conferir em uma entrevista a ser publicada brevemente) e a segunda, uma paraibana visitando o estado divulgando um CD do qual eu tinha ouvido falar muito bem.

A tarde já começou com um dos maiores membros escalados pela Gino Productions para fazer a alegria dos bangers da cidade. A Encéfalo, como já ventilei, estava retornando de uma longa turnê pelos estados da regiao sul e sudeste do país. Com sons matadores como "Reactions", "Despair", "Nightmare" e entre riffs poderosos e solos absurdamente velozes,a banda agitou a, infelizmente ainda em pequena quantidade, galera presente no Grab. A realização do ENEM naquele mesmo dia, fez com que o público chegasse mais tarde ao local. E entre os postulantes a vagas nas universidades em 2013 estavam, inclusive, alguns músicos de bandas que se apresentariam, fazendo com que, ao contrário do que se era de esperar, uma das bandas mais esperadas fosse a primeira a tocar.

Sem se importar com esse fato, os quatro integrantes do ENCÉFALO (Alex Maramaldo - g/v, Augusto Filho - b, Laílton Souza - g e Rodrigo Falconieri - d) deram tudo de si e mostraram por que seu álbum de estréia tem sido considerado um dos melhores lançamentos da cena underground nacional. Ao se dirigir ao público, Alex Maramaldo (guitarra/vocal) falou sobre a turnê, sobre o quanto o metal cearense, feito na raça, é respeitado em estados do sul, como Santa Catarina. E mandou ver em "Destruction", faixa de sua primeira demo, seguida de uma cover, como de costume, do SLAYER, "Black Magic".

Ainda como era de se esperar, Rodrigo Falconieri foi destruidor no ataque a bateria. "Slave of pain", faixa título do debut, terminando com um solo arrasador de Laílton Souza fechou brilhantemente aquele inicio de tarde.

Set List ENCÉFALO

All The Hate in My Soul
Reactions
Despair
Nightmare
Destruction
Black Magic (SLAYER)
Slave of Pain

A próxima banda foi a CAÇADOR DE ALMAS, com seu death metal brutal, direto e violento, cantado em português e anti-religião, lançando o seu primeiro CD "Vigário Maldito". Entre as faixas executadas, "A Farsa", a terceira faixa, foi uma das melhores, com belo trabalho de bateria de Miguel Mendes. Mas "Bastardo" também merece atenção especial. O show da banda foi de violência musical, sem tréguas, do início ao fim e a faixa título do seu CD, "Vigário Maldito", vocês sabem a quem foi dedicada.

O som dos caras tem como característica mais marcante o casamento perfeito da guitarra mais cadenciada com uma bateria atacada com velocidade insana, com raríssimas exceções, como na marcante introdução de "A Idade das Trevas", uma das melhores do set. Não há solos de guitarra, apenas violência, brutalidade, desespero. Se no inferno houver algum som, será algo bem parecido com o som do guitarrista Igor Gore e seus asseclas.

E foi com a faixa que dá nome a banda que o trio encerrou sua cerimônia de angustia. O destaque do show não poderia deixar de ficar para o baterista Miguel Mendes.

Set list CAÇADOR DE ALMAS!

01: Matar é a lei
02: Servos da escoria
03: A farsa
04: Bastardo
05: Vigario maldito
06: Cinzas do tormento
07: A idade das trevas
08: Destruição
09: Caçador de almas

Em seguida, subiu ao palco a headliner do festival, a paraibana WARCURSED, formada por Jean Sauvé, nos vocais e no baixo, Eduardo Sontag, em uma das guitarras, e Richard e Marsell Senko, na outra guitarra e nas baquetas, respectivamente. O trio das cordas mostrou boa presenca de palco e alguns gestos ensaiados, enquanto Marsell mostrava competência na cozinha. O som dos caras é thrash metal com guitarras furiosas e bateria sendo agredida sem clemencia, embora eu tenha podido notar algo de black metal no vocal de Jean Sauvé.

Enquanto Eduardo Sontag e Richard Senko se revezavam em solos espetaculares, Marsell Senko nao deixava barato na bateria. Se o debut dos caras é, digamos, econômico quando em termos de duração, no show os caras não guardam nada, jogam tudo pra fora, não economizam o thrash metal que fazem, oferecem tudo à plateia ansiosa para bater a cabeça (ou o corpo todo numa roda de mosh).

Para não ficar sem uma observação para a banda (o que vale também para a CAÇADOR DE ALMAS), que está lançando o primeiro CD, faltou só falar mais o nome das musicas (embora nem sempre isso seja possível e até possa ficar meio chato), que estavam sendo ouvidas pela primeira vez por muitos ali (o que, pelo visto, nao era motivo para empolgar menos, mas seria um plus interessante). Entre músicas como "Deadline" e "Sandstorm", a banda mostrou a faixa "Renegades from Hell", uma nova, que não está no CD. E tome mais um solo maravilhoso...

... e mais outro...

... e outro...

Em nenhum momento, para alegria de quem gosta de música boa, o baterista Marsell Senko mostrou respeito pelo que saía das 6 cordas de Sontag e Richard, jamais baixando a guarda e se limitando a acompanhá-los. O duelo entre o trio foi espetacular.

"Spectral Whisper", a última do CD, foi também a última do show.

Set List WARCURSED

Iron Bird
Deadline
Last March
Escape from Nightmare
Sandstorm
Temple of Destruction
Renegades from Hell
Deathmachine
Spectral Whisper

A grande surpresa da noite, pelo menos para mim, foi a banda INSEPSY, brutalmente gore, brutalmente grind, regado a muita insanidade e cerveja. Pelos urros do vocalista, é fácil duvidar que haja alguma letra ali. Ele parece apenas berrar "die, die, die" incessantemente, invariavelmente.

Mas se você pensa que isso é algo negativo, está redondamente enganado. Toda essa brutalidade é muito boa e a banda fez um dos shows mais empolgantes da tarde/noite. E atente para o nome das músicas. Pérolas como "Vaginal Discharge", "Infected With An Anal Swabin Ocular Globulous", "Soup... Mammary Carcinoma", "Maggots in Your Colonostomy Bag" foram "gentilmente" oferecidas aos presentes. E eu pensando na minha úlcera, parecida com a primeira falange do meu polegar esquerdo.

O vocalista dedicou o show à palhaçada que aconteceu na cidade na semana passada, "quando todos tivemos que sair das nossas casas pra escolher, entre dois filhos da puta, um que será aguentado por quatro anos". Insepsy é uma banda que, definitivamente, chuta bundas.

Finalizando a noite, a banda FACE TERROR trouxe seu brutal core pra o palco do Grab. Entre a faixa que dá nome à banda e a que dá nome à demo, espaço para "Aids, Pop, Repressão", cover do RDP.

E esta foi mais uma tarde/noite de domingo no GRAB, promovida pela Gino Productions, mais um dos que, com seriedade e trabalho duro, tem feito a diferença na cena underground Fortalezense.

Crédito das fotos: Ghandi Guimarães (Arquivo Underground). Para mais fotos, visite:
https://www.facebook.com/media/set/?set=a.520095864668097.12...

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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