Megadeth: resenha do show em SP no Minuto HM
Resenha - Megadeth (Via Funchal, São Paulo, 05/09/2012)
Por Eduardo dutecnic
Postado em 14 de setembro de 2012
O que melhor fazer em uma quarta-feira a noite do que ver um show do Megadeth?
E foi realmente este espírito, de muita vontade da galera em ver a banda, que pude conferir em 05/setembro/2012, no Via Funchal. A responsabilidade em escrever um pouco do show é grande, visto que temos grandes especialistas da banda aqui no blog, então espero aqui pelo menos trazer um pouco da satisfação que é ver um show da banda de Dave Mustaine.
Deixa eu então adiantar uma coisa aqui, já que falei do Mustaine. Foi (ainda mais) impressionante ver a adoração mútua que rolou entre Mustaine e o público nesta noite. Um Mustaine que, apesar de ter mantido o padrão de entrar no palco e praticamente não ter qualquer interação com o público no início do show, vem a cada apresentação se mostrando mais maduro, adotando um estilo mais "paizão", no melhor sentido. Por diversas vezes, agradeceu o público, que o reverenciou de volta gritando, por muitas vezes, "Mustaine" ao invés do próprio nome da banda.
O Megadeth despejou clássicos logo de cara, abrindo os trabalhos com Trust, com Mustaine, Ellefson, Shawn e Chris ganhando o palco as 22h09, para delírio de uma casa praticamente lotada. Na sequência, hora de seguirmos para o álbum Rust In Peace, que também foi celebrado quando de seu aniversário de 20 anos, com Hangar 18, a qual trago o vídeo abaixo:
Na sequência, mais um "medalhão", com a "arranca-toco" She-Wolf. São momentos como estes que a frase que uso para definir o Megadeth é justificada: "ali não tem brincadeira, não". Um grande momento do show.
Sem tempo para respirarmos e em uma posição não comum em setlists das tours anteriores, a banda se dá ao luxo de executar, com a maestria de sempre, A Tout Le Monde, em outro momento ímpar da noite. "You’re beautiful", exclama o animado Mustaine.
Com a expectativa de conferirmos o álbum Countdown To Extinction na íntegra, em comemoração aos 20 anos deste que é o álbum mais vendido do grupo, o Megadeth executa duas músicas do último disco de estúdio da banda, TH1RT3EN: Whose Life (Is It Anyways?) e Public Enemy No. 1.
Além das músicas terem funcionando muito bem ao-vivo, cabe aqui mais um comentário geral do show, sobre a revitalização tecnológica da banda que, desta vez, ao invés de ter apenas uma cortina estática, se preocupou em trazer um bonito telão principal, além de outros 2 menores, que ficavam nas laterais de dentro do palco, todos de alta resolução (além dos 2 telões do Via Funchal). A banda usou e abusou destes telões e da tecnologia para mostrar vídeos e passagens de letras das músicas, precisamente sincronizadas, ao longo da noite – e o resultado foi espetacular: sem excessos e sem "roubar" a atenção do público nos músicos (e nas músicas).
Sobre as músicas novas, Mustaine comentou que acha o vídeo de Whose Life (Is It Anyways?) um de seus favoritos – e, novamente, a música encaixou bem demais no set. Mustaine, no final da música, deu mais uma demonstração do carinho que tem por nós, passando de ponta a ponta no palco cumprimentando a galera que se espremia na grade da VIP e aproveitando para anunciar a segunda década de vida do Countdown To Extinction, além de comentar que tem seu coração dividido também com a Colômbia, onde o Megadeth foi recebido muito bem. Já Public Enemy No. 1 teve uma recepção ainda mais calorosa, dado que foi uma das músicas de trabalho do disco.
A banda, então, executou o disco na íntegra mesmo, como prometido, proporcionando o início dos moshs nas pistas. Como ponto negativo, a guitarra de Chris ainda continuava baixa (e assim foi durante todo o show), por vezes tão baixa que parecia que ia sumir de vez, com o baixo de Ellefson também "baixo" (este com leve melhora em seu volume para o final do show).
Skin O’ My Teeth foi cantada a plenos pulmões pela galera, mas o momento quase insuperável do show em termos de reação do público é sempre com o hit absoluto Symphony Of Destruction (e haja esforço para não lembrar disso aqui, hehehe). A execução da banda é impecável, ainda que neste momento se observa a segunda voz da linha de frente da banda mais alta que a primeira de Mustaine…
A ordem do Countdown do Extinction continuou sendo seguida à risca, sempre com as altas reações do público, com os telões sincronizados com as mensagens de caráter político / militar, e com Mustaine dando outros exemplos do carinho que desenvolveu pelo Brasil, perguntando, ao final do clássico Sweating Bullets: "Did I tell you that I love you?". Também comentou, em dado momento, que a primeira vez de Ellefson na América do Sul havia sido justamente no Brasil, mais precisamento no Rock in Rio 2. E complementou: "eu não sou um cara que falo muito, mas as vezes acho que tenho que falar algumas coisas", em outra hora de elogios. Mustaine também pegou uma bandeira do Brasil atirada no palco e a deixou em seu pedestal.
Com o fim do celebrado álbum, o Megadeth ainda daria mais 2 porradas bem dadas em nossas caras: a must-have Peace Sells, contando com a ilustre presença de Vic Rattlehead no palco.
A banda deixa o palco com a galera gritando por Mustaine e fazendo coro por "Holy Wars". A banda retorna para o BIS com Mustaine separando a galera para gritar (em um momento que lembrou o Bruce Dickinson em Sanctuary) para atender aos pedidos com Holy Wars… The Punishment Due.
"Thank you, God bless you, Brazil, good night". Mustaine beija palhetas antes de jogá-las e, com a esperada "You’ve been great, we’ve been Megadeth", a banda fecha esta noite de metal as 23h48.
Gostaria, entretanto, de deixar registrado algumas críticas, especialmente ao Via Funchal, casa esta que já fui fã mas que anda dando algumas mancadas:
- na hora da nossa entrada, não fui revistado! O cara apenas olhou para minha cara e liberou minha entrada. E isso aconteceu com todos por perto, já que o horário do show se aproximava e a fila ainda era grande. Uma vergonha;
- a falta de atenção da segurança com as tentativas de invasão da pista comum para a VIP (algumas concretizadas que, independente de concordar ou não com os critérios de pista normal x VIP e tudo mais, é uma grande falta de respeito com quem pagou mais caro e é atrapalhado por pessoas que, por exemplo, pulam e acabam machucando outras pessoas que estão de costas. Por exemplo, havia uma criança por perto que poderia ter se machucado em uma dessas invasões. Felizmente ou não, apenas caiu muita cerveja no Marcus e em mim do copo de uma pessoa que estava na VIP e acabou tomando um solavanco de um dos invasores);
- o som, que sempre foi uma das referências da casa, além de não estar tão alto como esperado, pecou (e muito) na guitarra-solo por todo o show e também com o volume do baixo;
- o processo de entrada na pista VIP, onde pessoa é obrigada a deixar seu ingresso e depois voltar para casa com o ingresso de outra pessoa (eles devolvem o ingresso, mas obviamente que essa devolução é feita com o ingresso de outra pessoa). Isso é inexplicável, uma vez que o ingresso já foi destacada e a "fitinha" colocada. Para quem é colecionador ou fã, é pior ainda, pois você volta para casa com o ingresso de outra pessoa, as vezes amassado, sujo, além de tumultuar e tardar a saída. Isso é algo que a casa precisa rever com urgência!
Acesse a matéria original no Minuto HM para ver o setlist completo e uma galeria de fotos da noite, inclusive com o baixista do Korzus, que estava na pista VIP, além do QR Code e do ingresso desta fantástica noite.
http://minutohm.com/2012/09/10/cobertura-minuto-hm-megadeth-em-sp-parte-2-resenha/
Outras resenhas de Megadeth (Via Funchal, São Paulo, 05/09/2012)
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