Dream Theater: um show impecável em Belo Horizonte

Resenha - Dream Theater (Chevrolet Hall, Belo Horizonte, 29/09/2012)

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Por Luiz Figueiredo
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Ícone do metal progressivo, o Dream Theater passou recentemente pela América do Sul para a turnê de divulgação do disco ‘A Dramatic Turn of Events’, lançado em 2011. Os dois shows em Buenos Aires foram gravados por várias câmeras para o próximo DVD ao vivo da banda. A escolha da capital argentina, de acordo com John Petrucci em entrevista ao G1, foi por questões de logística. Ele também brincou com a rivalidade que há entre os dois países. Estive presente na apresentação de Belo Horizonte e acompanhei o show de mais de 2 horas e meia dos americanos. Apesar da estrutura ser a mesma para todos os shows da turnê e o setlist variar pouco, cada noite é especial e o show inesquecível de Belo Horizonte ficará apenas na memória dos que estavam lá. Nada de câmeras por aqui.

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Marcado para começar às 21hs, um leve atraso de 15 minutos não incomodou nenhum dos fãs que compareceram em peso ao Chevrolet Hall, na última quarta-feira, dia 29. Vindos já de dois shows da turnê nacional (Porto Alegre, dia 24, e São Paulo, dia 26), havia a dúvida de qual seria o repertório para o show daquela noite. O Dream Theater sempre modifica a sequencia de músicas de uma data para a outra. Porém o critério da banda era tocar um setlist numa noite, trocava na próxima e depois repetia o primeiro e assim por diante. Então, mesmo variando de noite para noite, já era esperado que iriam repetir o de Porto Alegre.

Foram as luzes se apagarem e a introdução começar para que os fanáticos pela banda transformassem toda a ansiedade que sentiam em barulho. O palco possuía, como pano de fundo, três telões em formato de cubo. Enquanto ecoava dos PAs ‘Dream is Collapsing’, música de Hans Zimmer, era exibido nos telões uma animação com os integrantes da banda. Aparentemente, se tratava de um pequeno filme mostrando a banda saindo em turnê, pegando voos etc. Ao final do vídeo, entraram aos poucos todos os integrantes do grupo para o início do que seria uma grande viagem musical... uma viagem pesada.

O calor era incrível à frente da grade, onde os fãs eram os mais selvagens. O Dream Theater abriu o show com dois sons de sua história recente: ‘Bridges in the Sky’ do disco novo e ‘These Walls’, do ‘Octavarium’, de 2005. Uma pequena pausa para James LaBrie dar boa noite e dizer que estava muito feliz em estar de volta ao Brasil e depois anunciar outra do disco novo. ‘Biuld Me Up, Break Me Down’ foi ovacionada pelo público quando seus primeiros acordes foram executados. Assim como em muitas partes do show, nesta música os fãs participaram intensamente cantando e pulando bastante.

O disco ‘A Dramatic Turn of Events’ possui nove faixas, das quais oito estavam no repertório. A leve ‘This is the Life’ impressiona pelo instrumental impecável. Na verdade, todas impressionam neste aspecto, mas em ‘This is the Life’ as viradas e mudanças de ritmo da bateria de Mike Mangini casando com a guitarra de John Petrucci, o baixo de John Myung e o teclado de Jordan Rudess deixam o público com os ouvidos e olhos vidrados em direção ao palco, imóveis, prestando atenção em cada acorde e movimento dos músicos. ‘Caught in a Web’, do disco Awake, clássico de 1994, aumentou a adrenalina novamente no Chevrolet Hall e o público cantou junto.

Neste momento, cinco músicas executadas e quase 50 minutos de show. Apesar de pensar que a noite ainda seria longa, não existia sensação de tédio, pois a apresentação é incrível, no quesito instrumental, e muito empolgante. Outro aspecto que chamava atenção era a iluminação do palco e ela seria ainda mais interessante durante o solo de bateria, mas ainda não tinha chegado a hora. Depois do clássico da década de 1990, o teclado de Rudess anunciava o início da ‘Lost Not Forgotten’, embalada pelo pedal duplo de Mangini. Mais uma aula instrumental em todos os sentidos, tanto de baixo, guitarra e, principalmente, de bateria.

O show continuava impressionante quando LaBrie chamou as atenções ao que ele classificou como um dos melhores bateristas do mundo. Era a deixa para o início do solo de bateria. Mas não se trava de uma bateria simples, para ter uma ideia, Mangini teve dificuldades para jogar as baquetas para o público devido ao tamanho de seu kit. Mas dificuldade ele não teve em momento algum para usar cada item da sua imensa maquina. Em certos momentos, luzes diferentes incidiam em cada pedaço da bateria. O público foi à loucura. Mesmo com a saída do ícone Mike Portnoy, o Dream Theater conseguiu um substituto capaz de fazer um show dentro do show da banda e tudo com muito carisma e presença de palco. Aproveitando o ritmo do solo que tinha acabado de fazer, Mangini bateu forte para, já com toda a banda sobre o palco, iniciar a jurássica ‘A Fortune In Lies’ do disco da estreia em 1989.

Depois de uma conclusão emocionante da última música, duas lentas ‘Wait For Sleep’ e ‘Far From Heaven’ a primeira só com LaBrie e Rudess sobre o palco e na segunda Myung se junta a eles. Outcry fez o público mais uma vez ficar vidrado no instrumental da música. Petrucci e Myung deram um show à parte neste momento, enquanto imagens de manifestações no Egito, no que ficou conhecido como Primavera Árabe (quando revoltas eclodiram em vários países árabes e, no Egito, derrubaram o ditador Hosni Mubarak), eram exibidas nos telões.

A vez agora era de Rudess e seu teclado. Um solo espetacular que contrastou passagens refinadas com um botão que acionou um grito “Eita trem bão” adicionando humor em sua performance perfeita. Todos os integrantes voltam para iniciar ‘Surrounded‘ que foi ovacionada ao seu término. Outra música do disco novo muito bem recebida pelo público foi ‘On The Backs of Angels’. Na sequencia ‘War Inside My Head’ do disco ‘Six Degrees of Inner Turbulence’ e ‘The Test That Stumped Them All’ antecederam o solo John Petrucci na guitarra. Outro que recebeu merecidos elogios de LaBrie pela sua performance.

Chegávamos próximos ao fim do show e já eram passadas 2hs desde seu início, mas ainda restavam três do setlist que seguia a mesma sequencia feita em Porto Alegre. Petrucci levantou seu celular com a luz acessa para que o púlbico fizesse o mesmo enquanto curtia ‘The Spirit Carries On’. Refrão cantado por todos e Petrucci muito aplaudido ao fazer um solo maravilhoso durante a música. A penúltima da noite e, talvez, a mais longa do repertório, ‘Breaking All Illusions’, foi outra aula instrumental. Uma maravilha que prendeu a atenção do público antes da última ‘Pull Me Under’. O público simplesmente foi à loucura, gritou muito junto com LaBrie e fizeram daquele um momento de tanta empolgação como quando o show começou.

Resumindo bastante o que foi a apresentação do Dream Theater em Belo Horizonte, pode se dizer que começou com uma empolgação imensa, apresentou pontos altos que deixaram os fãs impressionados e terminou com a mesma empolgação do início, ou seja, um show impecável para deixar qualquer fã maluco e sedento por mais. As imagens deste supershow não serão vistas no próximo DVD ao vivo e tampouco foram captadas de forma profissional, portanto, elas são exclusivas nas cabeças dos cerca de quatro mil que presenciaram pessoalmente. Que voltem logo.

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