Buddy Guy em São Paulo: Ele é realmente o cara

Resenha - Buddy Guy (Via Funchal, São Paulo, 12/05/2012)

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Por Otávio Augusto Juliano
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

A casa de shows Via Funchal estava lotada. No público diversas gerações. De senhores de idade a jovens que nem sequer tinham nascido quando o astro da noite já fazia sucesso há décadas. Todos com a paixão pelo blues e um mesmo propósito em comum: ver a lenda viva BUDDY GUY mais uma vez em São Paulo.

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Fotos por Stephan Solon (Via Funchal - www.stephansolon.com)

Para a abertura nada melhor do que um discípulo brasileiro do guitarrista. O escolhido foi o blueseiro cearense Artur Menezes, que embalou os fãs que iam chegando à Via Funchal por cerca de 40 minutos, com um som muito afinado e um repertório que incluiu músicas de sua autoria e um cover de “Everybody Needs Somebody To Love”, originalmente composta por Solomom Burke, mas famosa na voz dos BLUES BROTHERS. Com seu mais recente álbum lançado em 2010, de nome “Early To Marry”, Artur esquentou o público e fez questão de ressaltar o imenso prazer de abrir o show de um de seus maiores ídolos, salientando o fato de ter tocado no mesmo palco que BUDDY GUY em 2011, em Chicago. Para quem não o conhecia foi uma ótima oportunidade de ouvir blues de qualidade, tocado por um guitarrista nascido na terra do baião.

Com início programado para 22hs, BUDDY GUY deixou seus fãs ansiosos por mais alguns minutos e só apareceu no palco com sua Fender branca às 22:15h. De camisa vermelha e boina, em um de seus looks tradicionais, BUDDY recebeu os calorosos aplausos da plateia e começou o seu passeio por músicas de diversos artistas.

Como todo bom bluesman, BUDDY trouxe ao Brasil um show cheio de variações, improvisos e brincadeiras, além de canções de diversos artistas, como “She’s Nineteen Years Old”, do seu ídolo MUDDY WATERS, “Fever”, de PEGGY LEE, “Boom Boom”, de JOHN LEE HOOKER e “Down Don Bother Me”, de ALBERT COLLINS.

No palco, BUDDY substituiu a palheta ora por uma baqueta, ora por uma toalha, sem contar quando tocou com os dentes ou quando dispensou até mesmo as mãos, para arrancar som de sua guitarra apenas ao encostá-la na bunda ou na barriga. Nem preciso dizer que divertiu todo o público, que não cansava de aplaudir.

Aliás, falando em público, BUDDY não se contentou em ficar apenas em cima do palco e quis sentir o calor dos fãs. Desceu do palco e foi literalmente “pra galera”, tocando riffs em meio a uma aglomeração, afinal boa parte dos presentes não se conteve e deixou seus acentos para chegar o mais perto possível do guitarrista.

O show de BUDDY GUY não é feito só de música, mas de bastante conversa e interação com a plateia. O bluesman disse se sentir em casa ao tocar no Brasil e avisou que tocaria a noite toda, pedindo silêncio algumas vezes com gritos de “xiii” muito engraçados. Sempre que parava para falar algo e o público o ovacionava, ele mandava logo um divertido “xiii” para a galera.

Ele é realmente o cara, como o seu próprio nome já diz. Em São Paulo fez mais um show inspirador, mostrando sua virtuosidade sob medida, sua habilidade de tirar som da guitarra e sua incrível capacidade de colocar seu toque pessoal nas canções que executa. Foi assim em “Voodoo Child (Slight Return)”, cover do JIMI HENDRIX, a quem BUDDY disse que já estava quase esquecendo de homenagear naquela noite. BUDDY ainda “tirou da cartola” uma versão instrumental matadora de “Sunshine Of Your Love”, do CREAM, famosa banda de ERIC CLAPTON. Um dos pontos altos da noite, com todos acompanhando o riff da música e BUDDY tocando das mais diversas maneiras.

Mesmo com todos os holofotes voltados para o guitarrista, a banda que o acompanha não passa despercebida. Pelo contrário. Responsáveis por manter o ritmo durante a apresentação e pelo fundo musical de todos os solos e conversas do guitarrista com o público, os músicos mostraram que ficam bem à vontade ao lado do mestre, com destaque principalmente para o tecladista Marty Sammon, que fez ótimos “duelos” com BUDDY.

Ainda promovendo seu último álbum lançado, “Living Proof” (2010), BUDDY mais uma vez deixou sua marca no país, com um show inspirador de pouco mais de 1 hora e meia. Até os mais desprovidos de talento para tocar uma guitarra devem ter saído desse show com vontade de tirar algum som.

Bom, pelo menos isso vale para este redator que vos escreve. Por isso, é hora de parar de escrever e ao menos tentar “arranhar” algum som na guitarra que está na minha frente enquanto escrevo esse texto... Inspiração não me falta, afinal já posso dizer que vi um dos mestres ao vivo, não é mesmo?

Obrigado BUDDY GUY e que seu retorno seja breve.

Agradecimentos a Miriam Martinez (Assessoria de imprensa – Via Funchal) pela atenção e credenciamento. Fotos gentilmente cedidas por Stephan Solon (Via Funchal).

Banda de abertura: Artur Menezes – Mais informações:
http://www.arturmenezes.com.br/

BUDDY GUY

Banda:

Buddy Guy (guitarra, vocal)
Rick Hall (guitarra)
Marty Sammon (teclado)
Orlando Wright (baixo)
Tim Austin (bateria)

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Sobre Otávio Augusto Juliano

Otávio é paulistano, tem 29 anos e faz algo nada a ver com o Rock: é advogado. Por gostar muito de música e não possuir talento algum para tocar instrumentos musicais, tornou-se um comprador compulsivo de cds. Sempre interessado em leitura ligada ao Rock e Metal, começou a enviar algumas pequenas colaborações para a Whiplash e hoje contribui principalmente com textos relacionados ao Hard Rock, estilo musical de sua preferência. De qualquer forma, é eclético e não dispensa álbuns de todas as demais vertentes do Metal, sendo fã incondicional de W.A.S.P., Mötley Crüe e dos trabalhos do guitarrista Steve Stevens.

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