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Dimmu Borgir: apesar de problemas, um show brilhante em SP

Resenha - Dimmu Borgir (Carioca Club, São Paulo, 06/03/2012)

Por Thiago Fuganti
Em 13/03/12

Eis que apos 8 anos de sua última passagem pelo Brasil os mestres noruegueses do Symphonic Black Metal, DIMMU BORGIR voltaram a dar as caras por aqui.

Fotos: Heverton Souza

Porém desta vez dois detalhes poderiam tirar o brilho da apresentação. 1º: A escolha do Carioca Club, que é uma ótima casa para shows de metal, porém muito pequena para uma banda do porte do DIMMU BORGIR (da primeira vez, em 2004, se apresentaram no Credicard Hall). 2º: Péssima qualidade do som na primeira parte do show, problema esse que foi sendo resolvido no decorrer da apresentação. Pra ter uma idéia, logo no início, a cada vez que entrava o pedal duplo em alguma música o que se ouvia era um forte grave dos pedais e a voz de Shagrath, sendo que o resto da instrumental ficava muito embolado. Dito isso, o resto foi um show brilhante do sexteto Norueguês, e segundo pessoas que viram os dois shows, esse foi bem superior ao de 2004 . Mas, uma coisa chamou a atenção logo que entrei no Carioca: A casa estava cheia, porém não lotada, então se fosse em uma casa maior certamente o que veríamos era um público esparso.

Passava um pouco das 21h00 quando a intro "Xibir", do último disco "Abradahabra" soou nos PA's, e Daray (baterista Polonês que já tocou entre outras bandas, no Vesania e no Vader) assumiu seu posto. Um a um, o restante dos músicos foi entrando e o pandemônio iniciou com a clássica "Mourning Palace". Segundo o que o guitarrista Silenoz havia dito antes, havia muito tempo que a banda não vinha à América do Sul e por conta disso o set list seria especial. Pois bem, foi muito especial, pois tocaram o famigerado "Enthrone Darkness Triunfant" quase na integra! Pena que os já comentados problemas de som deixaram tudo muito embolado até quase metade do set list. "Spellbound (by the Devil)" veio a seguir, confirmando para os fãs da fase antiga que o show seria realmente espetacular. No abraço da morte? "In Death’s Embrace" continuou o set. Falar que a banda ao vivo é precisa é chover no molhado, pois são todos músicos muito competentes, e também tem boa presença de palco - com destaque pra performance quase teatral do vocalista Shagrath -, porém o público nessa primeira parte estava meio morno, sei lá se porque a maioria tinha mais familiaridade com o DIMMU BORGIR pós "Puritanical Euphoric Misanthropia" ou porque não acreditavam que um dia pudessem ver a banda tocando um set list baseado em sua maioria no maior clássico não só do DIMMU, mas do Black Metal em geral. Porém, pelo no que vi na segunda parte do show, acho que a primeira opção é válida. O show prosseguiu de acordo com a ordem do CD, e tocaram "Relinquishment of Spirit and Flesh", "The Night Masquerade" e a poderosa "Tormentor of Christian Souls", pra então a banda "pular" 3 músicas do CD e ir direto pra excelente "A Succubus in Rapture" , com seu andamento moderado e macabras melodias de teclado. "Raabjørn Speiler Draugheimens Skodde" encerrou a primeira parte do show.

A banda se retirou ovacionada e nos PA's são tocadas dois temas instrumentais, "Born Treacherous" (Orchestral Version) e "The Demiurge Molecule" (Orchestral Version). Hora de ir pegar cerveja e aguardar o retorno, que após uns 10 minutos se fez na presença do baterista Deray. O músico fez um curto e sei lá, ao meu ver desnecessário solo de bateria, onde tocou até o início de Refuse/Resist do SEPULTURA. Os demais músicos retornam, desta vez com um visual baseado no ultimo CD (casacos brancos), e de cara mandam a ótima "Vredesbyrd", do CD "Death Cult Armageddon". Pois bem, como comentei antes, foi nessa segunda parte que o público agitou mais. A próxima foi mais um dos clássicos do DIMMU BORGIR, a fenomenal "Kings of the Carnival Creation". Que música! E durante a execução dela, precisamente na hora dos vocais limpos, me veio na cabeça a seguinte pergunta: "Where's Vortex?" Além do carismático baixista fazer falta tocando, na hora da suas partes cantadas a falta fica ainda mais evidente, pois por mais que a banda tente preencher com coros e até com Shagrath "cantando" limpo, parece que fica um buraco na música. O mesmo pode ser dito do tecladista Mustis, que foi um dos grandes responsáveis por obras primas dessa segunda fase do DIMMU BORGIR. As três musicas seguintes foram do disco "Abradahabra", a épica "Dimmu Borgir", "Ritualist" e a moderna "Gateways". Shagrath aparece com um bizarro quepe de marinheiro e a banda manda "Puritania".

Mais uma pausa, e a banda volta pro bis com mais uma grande música, "The Serpentine Offering", do bom disco "In Sorte Diaboli", e termina com uma obra que ao meu ver, serve de trilha sonora pro fim do mundo: "Progenies of the Great Apocalypse"! Final mais que apoteótico para um show que ficará na memória dos que lá estiveram! E aos "trues" de plantão: se aquilo não foi um show de Black Metal, então não sei mais o que é Black Metal.

Parte 1
Mourning Palace
Spellbound (by the Devil)
In Death’s Embrace
Relinquishment of Spirit and Flesh
The Night Masquerade
Tormentor of Christian Souls
A Succubus in Rapture
Raabjørn Speiler Draugheimens Skodde

Parte 2
Born Treacherous (Orchestral Version)
The Demiurge Molecule (Orchestral Version)
Drum solo
Vredesbyrd
Kings of the Carnival Creation
Dimmu Borgir
Ritualist
Gateways
Puritania

Bis
The Serpentine Offering
Progenies of the Great Apocalypse

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Sobre Thiago Fuganti

Catarinense, mas vive atualmente em São Paulo 'Chaos City'. Começou no metal com Iron Maiden, que até hoje acha a melhor banda do mundo, porém descobriu o lado extremo (black, death, doom) e não parou mais. Hoje em dia ouve muitos estilos, desde música clássica a death metal - passando pelas clássicas bandas de metal -, mas a ênfase mesmo fica com o Black Metal.

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