Obskure: O representante cearense no Metal Open Air
Resenha - Obskure (Centro Cultural Dragão do Mar, Fortaleza, 19/01/2012)
Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
Postado em 05 de fevereiro de 2012
Contando os dias para o final de semana em que acontecerá em São Luiz o M.O.A., o maior festival de Heavy Metal em terras brasileiras, a ansiedade dos bangers cearenses que irão se deslocar até aquela localidade foi (pelo menos um pouco) mitigada com o VI Festival Rock Cordel, um festival gratuito, já tradicional, fomentado por um banco com atuação em toda a região nordeste (perdoem-me se aqui ocorre algum tipo de publicidade ou omissão desta). O festival ocorreu de 19 a 22 de janeiro no Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza, e no final de semana seguinte, no Centro Cultural da própria instituição financeira.
O primeiro dia no anfiteatro do Dragão do Mar foi o grande dia do metal, embora tenhamos tido muito metal e rock and roll tradicional e bandas competentíssimas da cena local nos outros dias, foi na quinta-feira que o metal pode explodir livre e sem correntes. Foi também neste dia que pudemos ter a participação de uma das bandas que irão levar bangers do Brasil inteiro à loucura na ilha de Upaon-Açu, a Obskure. É dela que meu post fala a partir de agora.
Única cearense no line-up nacional do festival (que acabou de fechar com o anúncio das presenças de Almah, Shadowside e da veterana Stress), a Obskure tem mais de 20 anos de estrada mas seu death metal soa com o vigor e a fúria de quem acabou de chegar e se revoltar. Com a combinação perfeita de um som extremamente pesado, solos elaborados e técnicos muito bem executados por Daniel Boyadjian (guitarra-solo, que já foi vocalista da banda) com o clima sombrio de passagens no teclado, o som dos caras é algo que pode ser ao mesmo tempo mastigado, digerido, entendido devagar ou liberar adrenalina a ser gasta em explosões de mosh na platéia. E foi isso que se viu na frente do palco, enquanto Germano Monteiro despejava as letras em raivosos vocais guturais e Jolson Ximenes fazia questão de tocar seu baixo na beira do palco, bem próximo à turba ensandecida. Seu irmão, o guitarrista Amaudson Ximenes (um dos fundadores da banda e também idealizador e presidente da Associação Cultural Cearense do Rock, ACR), e o tecladista Fábio Barros (que recebeu os parabéns de Germano em palco pelo recente nascimento de sua filha) mantinham posturas mais reservadas, viajando felizes talvez no som que produziam. Wilker D'angelo, lá atrás, fazia o possível para acompanhar a taquicardia da galera com a ira de suas baquetas.
Após a introdução, eles tocaram Christian Sovereign (que dividia o EP lançado em 2005 com From One Who Stopped Dreaming), que já era bastante conhecida da galera, principalmente devido ao clipe (que pode ser visto no youtube). Cabe lembrar aqui que este clipe foi produzido pelos alunos do Rock.Doc, mais uma iniciativa da ACR, entidade presidida por Amaudson, assunto para outro post.
Em seguida, uma das duas únicas músicas do primeiro CD full-length (Overcasting), a bem conhecida (e talvez a melhor do sexteto) Aton's Servant, foi, pelo menos para quem lhes escreve, o ponto alto da apresentação (alguns dirão que não houve ponto alto, ela inteira foi alta). Mas, foi uma pena não ouvir Fury and Motion, a faixa título (mesmo que só a parte II) ou outras excelentes do primeiro álbum. Mas, oportunidades não vão faltar, afinal, agora eles estão promovendo o mais novo disco da banda, Dense Shades of Mankind, que acabou de sair do forno e que já deveria ter chegado às minhas mãos.
Vermins' Banquet e Tension Eve Massacre (também do disco novo) mantiveram o clima. Unraveling, a outra música de Overcasting foi a próxima e, em seguida, o palco ficou (digamos, para que minha mulher não me mate ao ler isto aqui) menos feio com a presença de Claudine Albuquerque que, com muita competência, dividiu os vocais em Hidden Essence Rescue (mais uma das novas). A faixa título do EP de 2005, From One Who Stopped Dreaming, também foi executada.
A banda dedicou o show a Julio Alcindo, baixista da banda Steel Fox, que poucos dias antes foi fazer barulho lá em cima. Recomendo fortemente que além de passar no myspace do Obskure, você também passe no myspace da Steel Fox e conheça mais um excelente trabalho de uma banda cearense.
Então, o que ninguém queria aconteceu. Barren Evolution pôs um fim ao caos e eu vi muitos malucos cabeludos com cara de quem estava louco por um bis. Mas, festival é festival. Fica a certeza de que nós, cearenses, seremos muito bem representados no palco do Metal Open Air.
Para fechar a noite, um pouco de Black Sabbath, nas mãos da Sabbathage, banda cover do BS até no vocalista (que é a cara do Ozzy nos anos 70).
Imagens desse showzasso podem ser encontradas neste link.
O setlist completo do show foi:
Intro
Christian sovereign
Aton's servant
Vermins' banquet
Tension Eve Massacre
Unraveling
Hidden essence rescue
From one who stopped dreaming
Barren evolution
PS. Este post foi escrito antes da divulgação do cancelamento da participação do Krisiun.
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