Blind Guardian: mostrando todo seu carisma em Porto Alegre

Resenha - Blind Guardian (Opinião, Porto Alegre, 06/09/2011)

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Por Paulo Finatto Jr.
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Embora não excursione com muita frequência para além do território europeu, os alemães do BLIND GUARDIAN podem ser apontados como uma das bandas mais queridas do público brasileiro. O grupo, que passou pela capital gaúcha em outras duas oportunidades, retornou em 2011 para dar continuidade à turnê do aclamado álbum “At the Edge of Time” (2010). Porém, o repertório de Hansi Kursch & Cia. não privilegiou apenas o novo disco e a retrospectiva feita em cima do palco agradou ao bom número de fãs que compareceu ao Opinião para assistir os germânicos.

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Fotos: Liny Rocks (http://www.flickr.com/linyrocks)

Em razão de o show cair exatamente na véspera do feriado da independência, os trabalhos iniciaram cedo, para que o Opinião mantivesse a sua agenda de festas e eventos próprios inalterada. Por isso, pontualmente às 18h45 os gaúchos da MAGICIAN subiram ao palco para o espetáculo de abertura. A banda, que ainda repercute o sucesso do seu primeiro álbum, intitulado “Tales of Magician” (2008), tinha uma grande novidade para mostrar aos seus conterrâneos: o vocalista Thiago Masseti. O novo cantor, que era acompanhado por Renato Osorio (guitarra), Cristiano Schmitt (guitarra), Elizandro Max (baixo) e Zé Bocchi (bateria) não sentiu o peso da estreia e proporcionou, junto com os outros quatro integrantes, um bom show de abertura.

No repertório dos caras, destaque para as músicas “Prime Evil” e “Underworld Terror”, duas das faixas mais conhecidas – e pesadas – do primeiro registro da banda. De qualquer modo, o quinteto aproveitou muitíssimo bem a oportunidade para mostrar alguma coisa do seu próximo álbum, já em fase de produção. Depois da conhecidíssima “Minstrel’s Domain”, o grupo encerrou o espetáculo de quarenta minutos com a interessante “The Scorching Curse” – justamente a faixa que representa a nova fase da banda. Embora não tenha empolgado o público do início ao fim (que nitidamente mostrava não conhecer o trabalho do grupo), os caras deixaram o palco do Opinião muitíssimo aplaudidos após esse competente espetáculo.

Depois de um pequeno intervalo, antes mesmo das 20h – o horário programado para o início do show principal da noite – os seis germânicos que respondem ao vivo pelo nome BLIND GUARDIAN entraram em cena. Para ser mostrado, o excelente “At the Edge of Time” (2010), disco que recolocou o conjunto entre os principais expoentes do power metal depois de quatro anos de hiato criativo. O álbum conduziu a abertura do espetáculo com a oportuna “Sacred Worlds”, simplesmente perfeita para isso. O início do show não foi diferente do esperado e Hansi Kursch (vocal), André Olbrich (guitarra), Marcus Siepen (guitarra) e Frederik Ehmke (bateria) – mais os convidados Oliver Holzwarth (baixo) e Michael Schuren (teclado) – foram muito ovacionados pela plateia que se concentrava na pista e nos outros dois setores acima do Opinião.

Com a plateia na mão desde o primeiro minuto (e que mostrava conhecer todas as músicas do repertório montado para a noite), a banda não deixou o pique cair com a pesadíssima “Welcome to Dying”, provavelmente um dos grandes destaques do show. Os fãs cantaram em uníssono com Hansi Kursch na hora do refrão e compensaram o volume curiosamente bem abaixo do recomendado do seu microfone. O início espetacular do show do BLIND GUARDIAN ainda contou com “Nightfall”, que foi acompanhada por palmas e isqueiros até o seu fim. Na sequência, “Fly”, apesar de não ser um dos clássicos recentes do grupo, manteve a mesma intensidade da apresentação e conquistou uma boa resposta da plateia. Porém, o retorno foi incomparável ao estrago que “Time Stands Still” fez logo após. O público agitou muito e cantou bem alto o refrão dessa faixa retirada do clássico “Nightfall in the Middle-Earth” (1998). Não há dúvidas de que esse foi outro grande destaque da noite.

Embora mostre muita técnica sobre o palco, é inegável que o carisma dos integrantes do BLIND GUARDIAN, sobretudo do vocalista Hansi Kursch, é que faz toda a diferença. A banda, que reproduz toda a grandiosidade sonora do seu power metal de modo impecável ao vivo, deixou o seu frontman interagir livremente com os gaúchos, para o delírio dos mais fanáticos. Em um desses momentos, Kursch atendeu aos pedidos da plateia e comandou o grupo na performance de “Majesty”, a única faixa retirada do primeiro disco do conjunto, intitulado “Battalions of Fear” (1988). Em seguida, a clássica “Bright Eyes” proporcionou outro momento ímpar no espetáculo dos germânicos. A música, que é um dos principais destaques de “Imaginations from the Other Side” (1995), contou com o apoio de todas as vozes do Opinião durante o refrão. A espetacular resposta dos fãs contornou mais esse grandioso momento da noite.

Na sequência, Hansi Kursch & Cia. apresentaram a próxima (e última) música retirada do novo “At the Edge of Time” (2010). Para o vocalista, a rápida “Ride into Obsession” pode até representar um desafio ao ser executada ao vivo, mas a banda não cometeu nenhum deslize e evidenciou uma ótima pegada instrumental. Embora o público tenha reduzido um pouco o calor da sua resposta, o sucesso do nono registro de estúdio do BLIND GUARDIAN era evidente no modo em que a plateia acompanhou essas duas músicas, cantando junto com Kursch. Por outro lado, “Lord of the Rings”, faixa retirada de “Tales from the Twilight World” (1990), retomou toda a alegria dos gaúchos, que cantaram muito mais uma vez e pularam na hora do refrão.

De certa forma, a plateia gaúcha ainda impressionaria (e muito) os germânicos do BLIND GUARDIAN. O grupo, que deixou para a última parte do espetáculo a faixa “Valhalla” – certamente um dos seus principais hinos – pode comprovar empiricamente o porquê dos brasileiros serem considerados o público mais insano do mundo. Os fãs cantaram em uníssono com Hansi Kursch a música toda e transformaram o refrão no momento mais vibrante da noite inteira, mais ou menos como o ocorrido no DVD “Imaginations Through the Looking Glass” (2004). Embora o público gaúcho não possa ser comparado ao tamanho da plateia do vídeo, a banda precisou atrasar por instantes o início de “And then There Was Silence” até que todos cessassem o canto do trecho mais marcante. Com palmas, todos ainda acompanharam os quase quatorze minutos da única faixa retirada de “A Night at the Opera” (2002) antes do encerramento excepcional da primeira parte do show.

Os dois minutos de silêncio que antecederam o bis contaram com o pedido incessante da plateia por “Mirror Mirror”. Porém, o BLIND GUARDIAN não se preocupou em atender o desejo do público imediatamente, como em “Majesty”. Na sequência, os fãs ajudaram Hansi Kursch a cantar em “Imaginations from the Other Side” e na épica “The Bard’s Song – In the Forest” – que trouxe duas guitarras acústicas para o palco do Opinião. No entanto, o derradeiro final do espetáculo não poderia ser mais óbvio. O grupo executou finalmente “Mirror Mirror” para a explosão das centenas de pessoas que aguardaram por esse momento. Em cerca de 1h40 de power metal o BLIND GUARDIAN fez uma interessante retrospectiva da sua carreira. Para os fãs que não compareceram, resta apenas torcer que o grupo retorne à capital gaúcha na sua próxima turnê, daqui três ou quatro anos.

Set-list:
01. Sacred Worlds
02. Welcome to Dying
03. Nightfall
04. Fly
05. Time Stands Still
06. Majesty
07. Bright Eyes
08. Ride into Obsession
09. Lord of the Rings
10. Valhalla
11. And then There Was Silence
12. Imaginations From the Other Side
13. The Bard’s Song – In the Forest
14. Mirror Mirror

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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