Ozzy Osbourne: "Scream for me Rio de Janeiro"
Resenha - Ozzy Osbourne (Citybank Hall, Rio de Janeiro, 07/04/2011)
Por Marcelo Prudente
Fonte: OnStage
Postado em 17 de abril de 2011
Que o Brasil – e no especifico caso, Rio de Janeiro - já se tornou rota das grandes turnês e bandas é fato consumado, mas receber em menos de quinze dias os shows de Iron Maiden e Ozzy Osbourne chega ser covardia. Duas das bandas que ainda merecem alguma atenção e não se coloca no hall dos navios afundados. Com isso, o público teve que se virar nos trinta para conseguir dindin e prestigiar as lendas ao vivo e cores.
E pelo visto o público se virou nos quinze. Com um Citibank Hall lotado o velho Prince of Darkness cumpriu a promessa feita na última turnê, em 2008, que não demoraria nadinha para uma volta à Cidade Maravilhosa. Sabiamente a energética "Bark at the Moon" é a canção que abre a noite e dá o tom de como seria o resto da apresentação do madman. Na mesma entoada "Let me Hear you Scream" não deixa a peteca cair, mesmo sendo uma canção nova e estar longe de representar todo o poderio do set list do cantor.
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Depois uma breve conversa com público, o que serviu para atiçar e desafiar mais um tanto, o vocalista anuncia "Mr. Crowley" que vem rememorar a importância do álbum Blizzard of Ozz para história do rock, e, inevitavelmente, acaba vindo à cabeça que foi bendita hora que Ozzy tomou o pé na bunda dos antigos ‘compadres’ do Sabbath."I don’t Know" é mais uma representante do clássico disco, e registra em cartório o que foi dito anteriormente.
Não é nada legal fazer comparações entre músicos – ou arte, de forma geral -, afinal cada um tem sua personalidade e imprime na arte aquilo que sente. Mas desconsiderando cegamente essa afirmação e, sim, cometendo a audácia de fazer comparações. Essa nova turnê, assim como a banda, está a passos largos a frente do que foi apresentado em 2008. A banda soa melhor e mais pesada; há mais garra e vontade de fazer um bom espetáculo, ainda que sejam requisitos para lá de simplórios, e que alguns insistem em subestimar, determinam, sem sombra de dúvida, o sucesso de uma banda no palco. E para Ozzy e sua trupe foram itens decisivos e de sobra na atual turnê, ainda bem.
"Fairies Wear Boots" com sua letra pra lá de lisérgica é bem recepcionada, sendo a primeira canção resgatada do álbum "Paranoid". Em mais uma rápida viagem ao tempo, "Suicide Solutions" com seu deboche e crítica aos beberrões de plantão prova que rock e simplicidade são um casamento mais que perfeito. Nessa altura do show já era mais que tempo suficiente para se ter o diagnóstico: Gus G foi escolha mais que bem acertada. Boa técnica, musicalidade e ótima performance fazem do jovem guitarrista um nome diferenciado. E mais. Conseguiu imprimir na música de Ozzy seu estilo sem desfigurar as canções.
Ozzy não economizou nos clássicos. Do fundo do baú veio "Shot in the Dark" com seu ar glamoroso dos anos 1980; "Road to Nowhere" já é de casa e é garantia de boa recepção pelos fãs. Foi um dos melhores momentos da noite, com Citibank Hall cantando cada verso da canção. "War Pigs" faz parte do beaba do rock pesado, poucas coisas soam e ou têm pretensão de soar tão pesado e melódico ao mesmo tempo. O momento esfria do show ficou por conta de "Rat Salad", tema instrumental que contou com solos individuais do guitarrista Gus G e o baterista Tommy Clufetos. Mesmo com Gus dando uma boa aula de guitarra e a lambuja de um brasileirinho e Tommy com sua enérgica apresentação, foi um momento dispensável do show. Seria interessante voltar com Killers of Giants, canção que era tocada na primeira perna da turnê.
Depois de recuperado fôlego Ozzy retoma as rédeas do show com "Iron Man". Desnecessário enfatizar o poder que a canção tem ao vivo, bem como recepção calorosa dos fãs a ela. A ganhadora de Grammy, "I Don’t Want to Change the World", consegue fazer uma dobradinha esperta com "Crazy Train", fechando com chave de ouro a primeira parte da apresentação.
Sem muito tempo a perder, o velho madman volta ao palco com o carisma e emoção de "Mama I’m Coming Home". "Vocês querem mais uma música?", diz o cantor. Pergunta com resposta mais que obvia. Ozzy deu cheque mate com "Paranoid" e, lógico, levando todos à loucura. E foi assim: em uma hora e trinta de show que o Prince of Darkness aprontou mais uma de suas bagunças no Rio de Janeiro. É cedo para cantar a pedra, mas que há grande chance de um disco bacana com essa formação isso não há dúvida. Que se profetizem essas palavras. Vida longa ao pai do heavy metal!!!
Set list:
Bark at the Moon
Let Me Hear You Scream
Mr. Crowley
I Don’t Know
Fairies Wear Boots
Shot in the Dark
Road to Nowhere
War Pigs
Rat Salad
Iron Man
I Don’t Want to Change the World
Crazy Train
Bis
Mama I’m Coming Home
Paranoid
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