Ozzy Osbourne: A apresentação do mito em Belo Horizonte

Resenha - Ozzy Osbourne (Mineirinho, Belo Horizonte, 09/04/2011)

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Por Maximiliano P. - Blog rockrevista.blogspot.com
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Esses dias me deparei com uma matéria interessante... Uma renomada professora de canto de Nova Iorque foi desafiada por um site para expressar sua opinião profissional sobre a voz de OZZY. Segundo ela, “... este é um cantor com dicção decente e bons instintos musicais, mas nenhuma noção de técnicas de vocal. Ele força demais as cordas vocais e sua pontuação rítmica das letras é muito perturbadora. Fiquei tentada a perguntar quanto tempo a carreira dele durou antes de sumir ou de ter necessitado uma cirurgia”.

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Agora... Você acha que as 22 mil pessoas que estiveram no Mineirinho para ver o OZZY no sábado passado dariam a mínima pra o que a professora falou, principalmente depois do show?

Técnica vocal não é tudo em um cantor, na minha modesta opinião. Para elencarmos as qualidades de um grande frontman jamais podemos esquecer o carisma, o feeling, a presença de palco, a atitude roqueira, a relação de alegria e amor com a platéia e com a música. Se avaliarmos todos esses quesitos, certamente OZZY entra no rol dos grandes vocalistas. Pode lhe faltar técnica, mas em todos os outros pontos ele beira a excelência.

Esteve na nossa frente um dos pais do Heavy Metal, uma das maiores personalidades musicais em atividade, o maior frontman que tive a oportunidade de assistir ao vivo.

Se você ouve Iron, Metallica, Slayer, Slipknot, Judas, Motörhead ou qualquer outra banda do gênero, saiba que elas só estão aí por que foram influenciadas pelos oito primeiros discos do Black Sabbath, todos com OZZY à frente. É do Sabbath o marco inicial do heavy metal: 13/02/1970 (uma sexta-feira), data de lançamento do esplêndido disco “Black Sabbath”, primeiro registro fonográfico do som pesado.

Eu já havia perdido as esperanças de vê-lo ao vivo, mas felizmente o destino manteve o cara em condições por mais tempo e eu pude assistir ao melhor show de metal da minha vida.

OZZY é um homem simples, que sabe como poucos arrastar as multidões com sua energia e empatia. Apesar do que dizem alguns, OZZY não está completamente acabado pelos excessos. O Madman tem algumas limitações físicas, é verdade, mas o que mais podemos querer e esperar de um homem de 62 anos que passou mais de 40 deles sob o efeito constante de drogas e álcool?

A abertura de um show para um ídolo como OZZY é extremamente difícil, mas a tarefa foi muito bem cumprida pelos metaleiros gaúchos do Hibria. Nenhuma garrafa voou ao palco, nenhuma vaia foi ouvida e alguns malucos da pista vip chegaram a pedir “mais um”.

A influência de Iron, Megadeth e Judas sobre os caras ficou bastante clara já na abertura da performance de quase 50 minutos, abrangendo músicas de seus três trabalhos. Apesar da apresentação deles ter acontecido em meio a ajustes do som para o OZZY, a banda até conseguiu empolgar a platéia. Velocidade, intensidade e bons momentos dos guitarristas Abel Camargo e Diego Kasper marcaram o show.

Em seguida, meia hora de intervalo até que OZZY subisse ao palco. Nesse período o responsável pelo som conseguiu deixar a galera “pronta” para o show tocando uma sequência de cinco ou seis músicas do AC/DC, todas do período de Bon Scott.

O início do show estava previsto para às 22h, mas às 21h56min a platéia já delirava com a entrada de Osbourne (maquiado no contorno dos olhos e todo de preto), acompanhado de seus fiéis escudeiros: Rob Blasko no baixo, Adam Wakeman nos teclados, Tommy Clufetos na batera e o fantástico Gus G. na guitarra.

Aos gritos de “OZZY, OZZY, OZZY...”, os ensandecidos fãs responderam à primeira pergunta do Madman: “Are you ready to go fuckin’ crazy?”. Imediatamente Gus dedilhou os acordes iniciais da atiçada “Bark at the Moon” e o show começou...

Após emendar com a boazinha “Let me Hear You Scream”, do último disco, veio o primeiro momento musical importante. Como se estivesse iniciando uma cerimônia fúnebre, o teclado de Wakeman (filho do monstro Rick Wakeman, do Yes) e a voz aguda de OZZY anunciaram “Mr. Crowley”, fazendo tremer o ginásio.

Nem a péssima acústica do local conseguiu diminuir a satisfação dos fãs quando a banda tocou “Fairies Wear Boots” (Fadas usam botas). A música foi composta pelo Black Sabbath para relatar uma surra que levaram de um bando de skinheads, no início da década de 70.

Na sequência o clima voltou a ficar um pouco mórbido com “Suicide Solution”, canção que OZZY compôs para Bon Scott, falecido vocalista do AC/DC. Totalmente oposta, seguiu-se a linda balada “Road to Nowhere”, com um impecável solo de Gus. OZZY, aliás, segue com grandes guitarristas à tira colo...

OZZY não deixou a peteca cair em nenhum momento. Quando sentia a audiência mais morna o Madman corria, pulava, batia palmas e se divertia pilhando o pessoal. Entre as músicas se refrescava mergulhando a cabeça em baldes de água que ficavam à frente da bateria. Os privilegiados da pista vip, em frente ao palco, passaram a noite toda recebendo a bênção de Oz com banhos de espuma ou rajadas de água dos baldes.

Aos gritos de “I can’t hear you” e “Louder, come on!!”, OZZY retomou o repertório do Sabbath. Foi um barulho ensurdecedor quando “War Pigs” começou... No meio da música, a polêmica (tem que ter polêmica no show do OZZY, certo?). Uma bandeira do Atlético/MG voou aos pés do Madman, que não teve dúvidas: colocou-a nas costas e finalizou a canção ovacionado pelos atleticanos e vaiado pelos cruzeirenses... Minutos antes uma bandeira azul voou ao palco, mas alguém do backstage foi veloz e a recolheu antes que OZZY percebesse.

“Shot in the Dark”, um dos seus maiores clássicos, finalizou a primeira parte do show. OZZY deixou o palco para descansar e a banda executou sozinha a instrumental “Rat Salad”, do indispensável ”Paranoid”, segundo álbum do Sabbath. A canção passou dos 2min30seg da versão original para mais de 12 minutos e foi marcada pelos solos de Gus G, que tocou até “Brasileirinho”, e de Clufetos, que praticamente fez uma batucada com a galera.

OZZY, então, voltou com tudo... Em “Iron Man” ele estava tão animado que a frase “I am Iron Man”, tradicional na abertura da música, foi esquecida e só dita no final. Nessa canção OZZY sorria como uma criança a cada “ô,ô,ô,ô,ô” gritado à plenos pulmões pelo público.

“I Don’t Wanna Change the World” passou lotada e quase transparente após a pedrada de “Iron Man”, mas acabou sendo uma boa ponte para o maior som da carreira solo de OZZY: “Crazy Train”, que fechou o set list. Muitos esperavam essa canção para avaliar se Gus está realmente à altura do mestre Zakk Wylde, penúltimo guitarrista de OZZY. A resposta do garoto foi extremamente positiva.

O bis foi impecável, como manda o figurino. Dois clássicos: primeiro a balada, depois a quebradeira. Os celulares foram a iluminação do Mineirinho na maravilhosa “Mama I’m Coming Home”, que fez muita gente chorar. Depois, arrepio completo na execução de “Paranoid”, o hino do Heavy Metal. As arquibancadas do Mineirinho balançando e o eco dos gritos da galera me impressionaram...

No final, em meio a gritos e aplausos do público, OZZY descarregou mais seis ou sete baldes de água na galera e proferiu a sua frase costumeira de encerramento: “Thank you and God bless you all”.

Faltaram alguns clássicos? Obviamente... Sabbath Bloody Sabbath, N.I.B., Never Say Die, Changes (Black Sabbath), No More Tears, Dreamer, Goodbye to Romance (OZZY solo).
Entretanto, creio que o repertório foi bem escolhido... Mesclou músicas antigas e recentes de OZZY, clássicos e lados “B” do Sabbath, agradando gregos e troianos. Não podemos esquecer que Oz não é McCartney, e seu prazo de validade no palco não passa dos 100 minutos. Prefiro relacionar o show dele à frase “melhor 10 anos a 100 do que 100 anos a 10”.

Nos bastidores comenta-se que OZZY finalizará esta tour e depois juntará o Black Sabbath para um último disco e vários shows. Osbourne, Iommi, Buttler e Ward estão separados desde 1978, tendo se reunido apenas em algumas ocasiões mágicas, como nos shows do bárbaro CD “Reunion”, em 1997.

Adoraria postar um dos vídeos do próprio show, mas a qualidade deixaria muito a desejar. Aproveito, então, o gancho da provável reunião do Sabbath e deixo a vocês uma palhinha do encontro deles há 14 anos, mencionado acima. Os shows aconteceram nos dias 04 e 05/12/97, em Birmingham/Inglaterra, terra natal dos caras, e o sensacional registro é de “N.I.B”, um dos maiores clássicos do Sabbath.

Ah, antes que alguém pergunte... Não, OZZY não comeu nenhum morcego, pombo ou qualquer outro animal durante o show.

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