Slash em Curitiba: Noite histórica de um grande guitarrista

Resenha - Slash (Curitiba Master Hall - 08/04/2011)

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Por Andrey Venotti, Fonte: Curitiba Underground
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Desde o anúncio da passagem da "We're All Gonna Die Tour" pelo Brasil, no começo de dezembro de 2010, e da confirmação de que Curitiba estaria na rota da banda de Mr. Slash, o lendário ex-guitarrista do Guns N' Roses, a cidade que luta para manter o título de "cidade do Rock" começou a contar os dias, horas e até os minutos para a tão aguardada apresentação desse que, sem sombra alguma de dúvida, é um dos magos das seis cordas, uma lenda viva da guitarra que parece que não envelhece, se mantém na ativa em muito boa forma e não deve nada pra ninguém quando o assunto é Rock n' Roll.

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A equipe do Curitiba Underground mais uma vez esteve presente no lugar escolhido para o show, que foi o Curitiba Master Hall, onde desde cedo a fila começou a se formar e menos de uma hora antes da apresentação, ela ainda dava a volta na quadra. Sendo assim, muita gente perdeu o show da banda escolhida para abrir os três shows que Slash fez no Brasil, o Tempestt de São Paulo. As bandas tocaram dia 06/04 no Rio de Janeiro, dia 07/04 em São Paulo e no dia 08/04 em Curitiba.

Preciso comentar aqui também que fui um dos que perderam a abertura do Tempestt, praticamente. Adentrei a casa já quase no final do show, faltando duas músicas para terminar, mas não posso deixar de comentar aqui o que vi e ouvi na ocasião. O Tempestt é uma ótima banda de hard rock, pesada, que tem eu seu time o excelente vocalista BJ e o não menos competente guitarrista Léo Mancini que, havia saído da banda para entrar no Shaman mas retornou em 2009. Léo tem ótima presença de palco além de solar muito, é seguro no que se propõem a fazer e BJ é dono de uma potente voz, que alcança agudos sem muito esforço.

A última música que o Tempestt tocou foi uma matadora versão de "Back In Black" do AC/DC e fez com que todos os ali presentes cantassem a maioria das frases de vocal, e de guitarra, contidas na sonzeira. A qualidade do som estava muito boa e a regulagem dos instrumentos idem, o peso que saía dos PA's contagiava a galera e preparava para o que estava por vir, estava chegando a hora de ver a lenda Slash em pessoa.

Às 21h30, quando as luzes se apagam, começa uma introdução bem no estilão suspense; quando uma voz rouca anuncia o início do show e a galera percebe a presença do guitarrista em cima do palco ainda com as luzes apagadas, podendo ser visto apenas pelos flashes das câmeras, começa a gritaria ensurdecedora e frenética e logo em seguida as luzes se acendem e "Ghost" (música que abre o último álbum de inéditas da carreira solo do guitarista) é iniciada para o delírio de todos. Ali está ele, sim, com sua cartola, sua Gibson "Slash Appetite Les Paul", seus Marshall " AFD100 Signature Amplifier" juntos com sua imponente e marcante presença de palco.

Além de Slash, a banda é formada por Bobby Schneck na guitarra, Todd Kerns no baixo (que agitou muito o show inteiro, indo de um lado ao outro do palco interagindo bem com o público), Brent Fitz na bateria, e no vocal um dos melhores na atualidade, Myles Kennedy. Myles é vocalista da banda estadunidense Alter Bridge (uma reformulação do Creed, apenas com novo vocal) e participou do último álbum de Slash, junto com outros vocalistas de peso como Lemmy do Motorhead, Ozzy Osbourne, Iggy Pop, Chris Cornell, entre outros. Dono de uma marcante voz, se mostrou um carismático frontman e foi recebido muito bem pela galera, mostrou o por que de ser escolhido para acompanhar o ex-Gunner em sua atual turnê. O camarada canta demais, arregaça nos agudos e não perde o fôlego em momento algum, mantendo a mesma voz do começo ao fim do show, não é de ficar 'macaqueando' muito em palco, o que ajuda bastante a suportar duas horas tranquilamente, sem suar muito.

O show seguiu com "Mean Bone", ainda da época do Slash's Snake Pit, emendou em "Sucker Train Blues" do Velvet Revolver e "Been There Lately" também da época do 'SSP'; mas foi em "Nightrain", do clássico álbum Appetite For Destruction do Guns n' Roses com sua formação original e não menos clássica, que a galera explodiu de vez, ovacionando a banda e cantando (leia-se berrando) o refrão em alto e bom som. A banda percebeu o quanto a galera estava em êxtase e mandou ver "Rocket Queen" e logo em seguida "Civil War", com todos cantarolando o início quando se dá o assovio.

Slash estava solto em palco, agitava muito, no seu estilo de sempre. Empinava a guitarra nas horas dos solos, pisando em seu "Cry Baby" quando esses exigiam; a cartola nem se mexia, sempre fixa à cabeça; Slash é figura, suas poses lendárias com a guitarra no meio das pernas estiveram lá, e seus pulinhos estilo Angus Young também; algumas vezes ele se ajoelhou em frente às Marshall e ao público, detonando uma 'soleira' violenta e animal; Slash até conversou com a galera, coisa que pouco se via na época da banda que o consagrou.

Em "Starlight", pudemos conferir bem a potência da voz de Myles. O refrão dessa música tem um linha vocal muito melódica e uma esticada numa nota aguda sensacional, na verdade a linha voz dela inteira é bem melódica e bem encaixada. Essa canção é, na minha opinião, uma das melhores desse último disco solo de Slash e foi reproduzida fielmente ao vivo. Ela tem uma introdução marcante, começa calmamente e se transforma em uma poderosa balada que gruda na sua cabeça na primeira ouvida. Estupenda canção digna dos melhores elogios.

Era grande a expectativa para ouvir a versão de "Godfather" que o guitarrista executa desde anos atrás, ainda nos gloriosos tempos de Guns N' Roses. A primeira vez que o vi executando essa versão (pela televisão é claro) foi no ano de 1991, primeira vez que se apresentou no Brasil com sua antiga banda. Na época, lembro-me muito bem, foi muito comentado o solo, aprovado de imediato. Vendo-o ser executado ao vivo, depois de 20 anos e com a mesma força, foi realmente um momento muito marcante, emocionante que nos leva de volta ao passado e também a um grande gole de cerveja para aquilo descer redondo, afinal o nó na garganta era difícil de deglutir.

Após o término do solo vem a tão aguardada "Sweet Child O' Mine"; não tem muito o que se falar dessa música, ela fala por si só, só digo aqui que todos cantaram a canção do começo ao fim, e imagine então como foi o refrão, consegue imaginar?, sim, foi gigante, fenomenal e único. Presenciei o show do Guns no começo de 2010, em São Paulo, onde lógicamente tocaram essa música, e posso dizer aqui que nem se compara, Slash e banda destruiram e deixaram Axl Rose e trupe no chinelo.

Para o bis reservaram três petardos; "By The Sword", do último disco que funciona muito bem ao vivo e a original foi gravada por Andrew Stockdale, guitarrista e vocalista da banda australiana Wolfmother. Em seguida "Mr. Browstone", levando todos à insanidade e pra fechar com chave de ouro nada menos que "Paradise City"; clássica, indispensável e de uma magnitude ao vivo sem tamanho, dificil achar palavras que representem bem esse momento.

No final, num palco decorado com várias bandeiras do Brasil sobre os amplificadores, a banda saúda os presentes e distribui palhetas, baquetas e se despede; Slash diz ao microfone que foi uma grande noite e que nos veremos em breve. Tomara mesmo e que não demore, Curitiba merece mais uma noite histórica igual a essa, mais um show de um dos maiores guitarristas de todos os tempos, SLASH.

Set List:

Ghost
Mean Bone (Slash´s Snake Pit)
Sucker Train Blues (Velvet Revolver)
Been There Lately (Slash´s Snake Pit)
Nightrain (Guns N´Roses)
Rocket Queen (Guns N´Roses)
Civil War (Guns N´Roses)
Back From Cali
Beggars & Hangers On
Nothing To Say
Starlight
Doctor Alibi
Watch This
Rise Today (After Bridge)
My Michelle (Guns N´Roses)
Patience (Guns N´Roses)
Solo de Guitarra/Godfather
Sweet Child O’ Mine (Guns N´Roses)
Slither (Velvet Revolver)

Bis
By The Sword
Mr.Brownstone (Guns N´Roses)
Paradise City (Guns N´Roses)

Veja fotos do show no link abaixo.

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