Glenn Hughes: uma apresentação intensa em Porto Alegre

Resenha - Glenn Hughes (Beco, Porto Alegre, 13/12/2010)

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Por Arthur Dias
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Em uma noite chuvosa, GLENN HUGHES aportou pela primeira vez em Porto Alegre para uma apresentação intensa, com direito aos tradicionais vocais de longo alcance. Certamente, uma performance invejável para um músico de 59 anos e com um longo histórico de uso de drogas.

Fotos: Liny Rocks

Não por acaso o apelido de GLENN HUGHES é The Voice of Rock. Isso fica comprovado já quando ele começa a cantar a primeira música do show, causando espanto ao passar de notas graves para agudas com extrema naturalidade. Já se vão quarenta anos desde o primeiro álbum com o TRAPEZE, que marcou a estréia de GLENN HUGHES na indústria fonográfica. A voz permanece a mesma, sem perder potência ou tornar-se rouca.

O local escolhido para o show causou estranheza aos fãs do cantor e mesmo àqueles acostumados a frequentar o Beco. Embora apresentações de bandas de Porto Alegre aconteçam volta e meia na casa, o local é, antes de tudo, uma danceteria, e não tem, aparentemente, estrutura para um show do porte dos realizados por GLENN HUGHES. Não que o músico ainda tenha plateias gigantescas ou use pirotecnias em seus concertos, como nos tempos de DEEP PURPLE e BLACK SABBATH, mas, em se tratando de um artista com a importância que ele tem, é de se esperar que ao menos não falte luz durante o show (pois é, acreditem, aconteceu!).

A banda de abertura foi a porto-alegrense VENUS ATTACK!, novo projeto de Michael Polchowicz, ex-vocalista do HANGAR. O grupo, completado por Lucas Santorum (guitarra), Daniel Mueller (baixo) e Renato Larsen (bateria), executou um set composto por seis músicas que estarão no primeiro álbum da banda, incluindo os dois singles já lançados “Looking for the Meaning” e “S.O.S.”, além dos covers de “To Tame a Land”, do HANGAR, e “Flash of the Blade”, do IRON MAIDEN. Embora uma banda de heavy metal estivesse um pouco deslocada na abertura de um show de GLENN HUGHES, a VENUS ATTACK! mostrou garra e carisma, preparando o público para a entrada do cantor.

Com certa expectativa entre os presentes, era chegada a hora. Às 22h05 as luzes se apagaram e GLENN HUGHES entrou no palco executando “Muscle and Blood”, da época do HUGHES/THRALL. A platéia, desde a primeira música, já estava ganha – o que não significou menor intensidade na performance do cantor. A banda que acompanha Glenn reflete a própria diversidade do músico. O guitarrista Soren Andersen é visualmente um músico de heavy metal, com roupas pretas, correntes e cabelos compridos e desgrenhados. O tecladista Anders Olinder, usando boina, jaqueta branca e com uma performance calma, parece um músico de jazz. Completa o grupo de apoio o baterista Pontus Engborg, com bermudão de praia e visual de skatista. Importante ressaltar que os três são excelentes músicos, deixando Hughes à vontade para mostrar suas habilidades no baixo e nos vocais.

A apresentação seguiu com “Touch my Life”, do TRAPEZE, e a clássica “Sail Away”, do DEEP PURPLE. A música levou a platéia à loucura até... Faltar luz! Interessante que a luz se foi justo no refrão, que o público seguiu cantando, iluminado apenas pelas lâmpadas de emergência do local. A energia voltou logo em seguida e a apresentação continuou. Foi então a hora de “Medusa”, clássica do álbum homônimo do TRAPEZE, em que Glenn deu a primeira demonstração clara da invejável condição de sua voz. Alcances altíssimos são naturais para o cantor – que deixam o público em transe. Depois de “Medusa”, GLENN HUGHES falou pela primeira vez com o público. O cantor tem um jeito de falar típico dos grandes cantores negros de soul, como MARVIN GAYE e STEVIE WONDER – este último, apontado pelo próprio Glenn, como uma grande influência. Por aí, quem sabe, se explica a voz marcante do músico, única entre os cantores de rock n’ roll.

O show seguiu com “You Kill me” e “Can’t Stop the Flood”, essas dos discos solo “The Way It is” e “Building the Machine”, respectivamente. A próxima foi a seminal “Mistreated”, carro-chefe dos duetos vocais que David Coverdale e GLENN HUGHES travavam nos tempos de DEEP PURPLE. Aqui o show foi todo de Glenn, que inclusive estendeu a música, criando partes levadas apenas por teclado e voz. Quase ao final da música, um problema técnico no baixo Hughes novamente interrompeu o show, desta vez por cerca de dez minutos, enquanto que os roadies corriam de um lado para o outro tentando solucionar a bronca. Na volta, o músico olhou para o público e se benzeu, na esperança de que o show fosse até o fim sem mais problemas. Funcionou! Na sequência, “Stormbringer” – um dos maiores clássicos do DEEP PURPLE – fez a platéia pular e cantar. Para fechar, GLENN HUGHES escolheu “Soul Mover”, do álbum solo homônimo. Fim do show? Que nada, ainda havia uma faixa obrigatória para ser ouvida no bis.

Na volta ao palco, GLENN HUGHES executou “Addiction”, faixa autobiográfica em que o músico expõe vinte anos de luta contra o vício das drogas. A música preparou o terreno para o ‘grand finale’, que não poderia ser outro: “Burn” – a mais famosa música do DEEP PURPLE na era Coverdale/Hughes. Glenn, que no dia anterior se apresentou em São Paulo, fez um show apoteótico de 1h30, em que não demonstrou qualquer sinal de cansaço. Fica a torcida para que ele volte à Porto Alegre para mais shows, seja com a carreira solo ou com sua nova banda, BLACK COUNTRY COMMUNION. Na próxima vez, tomara que em um local maior, com melhor infra-estrutura e para um público verdadeiramente do tamanho da sua carreira.

Sites:
http://www.venusattack.com.br
http://www.glennhughes.com

Set-list Venus Attack!

01. Intro/Eternal Hate
02. Lost Bullet
03. Broken Conscience
04. To Tame a Land (Hangar)
05. Looking for the Meaning
06. Hear Me Pray
07. Flash of the Blade (Iron Maiden)
08. S.O.S.

Set-list Glenn Hughes:

01. Intro/Muscle and Blood
02. Touch My Life
03. Sail Away
04. Medusa
05. You Kill Me
06. Can’t Stop the Flood
07. Mistreated
08. Stormbringer
09. Soul Mover
10. Addiction
11. Burn

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