Aerosmith: esbanjando simpatia e sintonia em Porto Alegre

Resenha - Aerosmith (FIERGS, Porto Alegre, 27/05/2010)

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Por Paulo Finatto Jr.
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Em janeiro de 2010, a informação divulgada pelo guitarrista Joe Perry era bombástica: o AEROSMITH estava em busca de um novo vocalista. Steven Tyler, que precisou passar por uma cirurgia no pé em agosto de 2009, ficaria afastado do grupo por dois anos para se dedicar a outros projetos pessoais.

Fotos: Michael Frantzeski

No mês seguinte, no entanto, Tyler contradisse as expectativas e confirmou presença na nova turnê da banda, intitulada Cocked, Locked, Ready to Rock Tour, que iniciaria em junho na Europa. Entre todas as dúvidas que deixaram os fãs do grupo apreensivos, mais uma certeza avassaladora: o AEROSMITH viria, pela terceira vez, à América do Sul. A turnê, que visitaria Venezuela, Colômbia, Peru e Chile, passaria também pelo Brasil, em Porto Alegre e em São Paulo.

Definitivamente de volta ao circuito internacional de grandes apresentações, a capital gaúcha recebeu o quinteto americano no Estacionamento da FIERGS, para um público estimado de quinze mil pessoas, no último dia 27 de maio. Embora não tivesse um repertório muito diferente dos shows realizados no país em 1994 (no Hollywood Rock) e em 2007 (em São Paulo, durante a turnê Rout of All Evil Tour) – a expectativa para o show era enorme. Muitos aguardavam a chance de ver ao vivo, pela primeira vez, os sexagenários Steven Tyler, Joe Perry, Brad Whitford, Tom Hamilton e Joey Kramer desde 1973, quando a banda iniciou a sua carreira.

O público, que já se concentrava na FIERGS desde o início da tarde, precisou aguardar mais um pouco para, finalmente, ver o show do AEROSMITH. Os catarinenses do SANTO GRAAU foram os responsáveis pela abertura da noite, precisamente às 20h44. Em pouco menos de trinta minutos, o grupo não conseguiu sacudir a plateia. Entre muitas vaias e poucos aplausos, somente com a presença do cantor convidado Alemão Ronaldo é que a banda conseguiu animar um pouco os presentes, com “Não Sei”, música dos gaúchos do TNT. Nem mesmo “Tempo Perdido”, do LEGIÃO URBANA, e a conhecida “Até o Fim” conseguiram isso.

Depois de cair um gigantesco pano com o logotipo da banda que tapava o palco, às 22h02 o AEROSMITH iniciou a sua apresentação, com “Love in an Elevator”. A plateia, que já tomava praticamente todo o espaço da FIERGS destinado ao show, pouco se importou com alguns problemas técnicos, que atrapalharam Steven Tyler na primeira música e que prejudicaram a qualidade do som (e o volume, muito mais baixo que o comum) do show. No entanto, os músicos do AEROSMITH se mostraram bastante animados com o espetáculo, apesar da chuva fraca que caiu durante quase toda a noite. Na sequência, a primeira surpresa: “Mama Kin”, presente pela primeira vez no repertório da turnê sul-americana.

Mesmo com um palco modesto (sem muitos recursos tecnológicos como o do GUNS N' ROSES, por exemplo), o AEROSMITH, mesmo assim, arrasou. Com uma saudação em português – “e aí gaúchos!” –, Steven Tyler e Joe Perry comandaram praticamente todo o espetáculo, em uma pista apêndice ao palco que entrava adentro das primeiras fileiras da área VIP. O show seguiu com os sucessos do disco “Nine Lives” (1997): “Falling in Love (Is Hard on the Knees)” e “Pink”. Em contraste com as faixas mais recentes, a banda executou ainda dois clássicos mais antigos, “Dream On” (1973) e “Livin’ on the Edge” (1993).

Disposta a fazer uma ampla retrospectiva da sua carreira – mas sem deixar de fora os maiores sucessos dos anos de ouro da MTV – o AEROSMITH teve o público na mão, que vibrou bastante com “Jaded” e com as inigualáveis “Crazy” e “Cryin’”, ambas clássicas absolutas do disco “Get a Grip”, de 1993. Não tenho dúvidas que essas três composições eram as mais aguardadas do show. Estranhei, apenas, terem sido executadas, juntas às anteriores (e famosas), logo no começo da apresentação. Depois de um interessante solo de Joey Kramer – que chegou a contar com a participação de Tyler nas baquetas também –, a banda trouxe “Lord of the Thighs”, que revelava, nitidamente, que muitos desconheciam o passado do AEROSMITH, sobretudo os anos setenta.

Se os fãs perderam o pique do início do show, Tyler sabia como agitar todos os presentes mais uma vez. O carismático vocalista anunciou: “ontem foi o meu aniversário e eu não quero perder uma coisa”. A introdução de piano indicou um dos momentos de maior emoção do show, com a conhecidíssima “I Don’t Want to Miss a Thing”. De volta aos anos oitenta com a ótima “Rag Doll”, o show teve, em seguida, um solo de Joe Perry e o cover de “Stop Messin’ Around” – blues assinado por Fleetwood Mac e que contou com a voz do guitarrista. Se nesse momento o público estava, novamente, um pouco perdido entre as canções, depois de “What it Takes” o AEROSMITH trouxe outro grande clássico: “Sweet Emotion” – que animou novamente a plateia.

Depois de mais um cover – “Baby Please Dont’ Go” (de Big Joe Williams) – a primeira parte do espetáculo foi encerrada com “Draw the Line”, do disco homônimo, de 1977. Com a imagem da bandeira do Brasil no telão, a banda voltou par encerrar o show com o bis: “Walk this Way” e outro cover, “Train Kept A-Rollin’”, de Tiny Bradshaw. Em duas horas de rock n’ roll contagiante, Steven Tyler e Joe Perry esbanjaram simpatia e sintonia. Os dois se mantiveram quase sempre na parte mais a frente do palco, mesmo em baixo da chuva que não parou um momento sequer. Se Tyler não consegue mais atingir todas as notas altas como antigamente, isso pouco importou. Ele continua sendo um frontman perfeito. Sem dúvida, o AEROSMITH continua tão bom ao vivo como sempre foi.

Embora tenha sido impecável a produção realizada pela H4/Hits Entretenimento, uma crítica precisa ser feita quanto ao trabalho da produtora. Em nome do Whiplash!, solicitei o credenciamento para a cobertura do evento, dentro do prazo exigido. No entanto, a assessoria contratada, a empresa Atelier 523, não retornou com a resposta da solicitação dentro do tempo prometido. Tão pouco respondeu uma série de e-mails e de telefonemas ao longo de dois dias. Certamente, faltou profissionalismo. Não apenas o Whiplash! ficou sem credenciamento, mas outros veículos importantes também não puderam cobrir o show. No entanto, jornalistas esportivos foram autorizados. Ao que tudo indica, faltou critérios e respeito à imprensa gaúcha, sobretudo a equipe do Whiplash!. Lamentável.

Set-list:
01. Love in an Elevator
02. Mama Kin
03. Falling in Love (Is Hard on the Knees)
04. Pink
05. Dream On
06. Livin’ on the Edge
07. Jaded
08. Crazy
09. Cryin’
10. Drum Solo
11. Lord of the Thighs
12. I Don’t Want to Miss a Thing
13. Rag Doll
14. Guitar Solo
15. Stop Messin’ Around
16. What it Takes
17. Sweet Emotion
18. Baby Please Don’t Go
19. Draw the Line
20. Walk this Way
21. Train Kept A-Rollin’

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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