UFO: emocionando muitos marmanjos no show em São Paulo
Resenha - UFO (Carioca Club, São Paulo, 26/05/2010)
Por André Todessano (www.poeirazine.com.br)
Postado em 31 de maio de 2010
Os fãs paulistas estão em êxtase. Depois de assistir ao Michael Schenker no ano passado, finalmente tivemos a chance e o prazer de conferir essa verdadeira lenda do rock pesado britânico dos anos 70.
Um bom público compareceu nessa noite de quarta-feira para assistir a banda de Phil Mogg deitar e rolar. Mogg, o comandante, continua em forma, assim como seu comparsa Andy Parker (baterista original do grupo) e o tecladista/guitarrista Paul Raymond, com o UFO desde 1977. Na linha de frente mais "moderna" da banda estão Vinnie Moore e o inexpressivo baixista Rob de Luca. Eu não gostaria de ser rude com o jovem baixista, mas ele parece mais uma pobre menininha... Falta pegada e atitude, ainda mais para quem está ali ocupando um posto que já pertenceu a um sujeito chamado Pete Way, lenda insana do rock. Moore toca pra cacete, é extremamente competente, mas na minha opinião não combina nem um pouco com o estilo mais classudo e melódico do UFO. Infelizmente ele descaracterizou muitas passagens sagradas de Schenker, inserindo milhares de notas e malabarismos desnecessários, que só impressionam adolescentes que acabaram de ganhar uma guitarra de presente do pai... É show de rock ou "Circo Imperial da China"?
Por um lado é bom, pois uma garotada fã de Moore comparece em peso no show e conhece o magnífico e rico repertório do grupo, mas por outro, acaba minando um pouco a paciência dos fãs do velho UFO de Michael Schenker, que reinava nos anos 70.
A banda abriu com a energética "Let It Roll", uma ótima escolha para se abrir um set, e logo emendou com a zeppeliana "Mother Mary", outro clássico. A mais recente "When Daylights Goes to Town" não empolgou muito, já "Out in the Streets" e "This Kids" foram arrasadoras. Era um barato olhar ao redor e ver a galera simplesmente enlouquecendo com a banda. Muito marmanjão que já passou dos 50 estava enxugando as lágrimas com a próxima da noite, "Only You Can Rock Me", clássico que abria o disco "Obsession", de 1978, o derradeiro de estúdio com Schenker nos anos 70.
Mogg se esforçava para falar algo em português, e logo no início ganhou a plateia com sua simpatia e carisma. A única mancada do vocalista foi usar muito delay na voz em algumas passagens (foram poucas, é verdade, mas ficou meio cafona). "Hell Driver" do disco mais recente, "The Visitor", foi bacana, mas completamente ofuscada pelo tema épico que veio depois, "Love to Love", uma das composições mais belas, ousadas e sinfônicas da banda. A grande "I Ain’t No Baby", também do "Obsession", foi outra grata surpresa, seguida pela esperadíssima "Too Hot to Handle", que terminou com todo mundo dando uma de Hendrix e tocando seu instrumento "nas costas", o momento Spinal Tap da noite.
Na sempre obrigatória "Lights Out" o Carioca Club balançou, com Mogg deixando para a última estrofe o esperado "Lights Out in São Paulo", ao invés do "Lights Out In London", uma tradição ainda mantida pelo frontman.
Para o bis, tivemos dois clássicos do álbum "Phenomenon", de 1974: "Rock Bottom", em versão extensa, aquela imortalizada no ao vivo "Strangers in the Night"; e "Doctor Doctor", o maior hit da banda, que emocionou a todos. Foi de lavar a alma, Andy Parker estava visivelmente emocionado com a vibração da galera, e assim terminava essa pura aula de rock n’ roll.
Parabéns aos organizadores do evento, o time da Advance Work Order Production, que finalmente saciou a sede dos fãs brasileiros do UFO. Let it Roll, Let It Roll!
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