UFO: show sensato fez valer a espera de mais de 20 anos
Resenha - UFO (Carioca Club, São Paulo, 26/05/2010)
Por Paulo Haroldo
Postado em 03 de junho de 2010
Quem diria que uma das melhores bandas de hard rock dos 70 fosse pousar no templo do samba paulista, o Carioca Club. E desfiando todos os clássicos! Com casa cheia, às 21:30 o insosso Vinnie Moore dá a partida com "Let It Roll", ícone da guitar-melody que serviu pra lembrar o showzaço de Michael Schenker nesta Capital, ano passado.
Desculpem-me os adeptos da super-velocidade, essa raça predadora do rock, mas melodia é fundamental, e Mr. Moore ainda não aprendeu a lidar com isso. Mesmo assim, com o som do lugar meio embolado, a platéia delira com a música, que abre alas para "Mother Mary", sob turbilhão de notas do guitarrista.
Enquanto o público cheio de quarentões grita "Ufo! Ufo", Phil Mogg manda "When Daylights Goes to Town", de "The Visitor", último álbum da banda, para em seguida surpreender com "Out in the Streets", baladaça com solo fiel de Moore, enfim. Aumentam o volume do microfone de Mogg mas, vamos combinar, o cara não é propriamente um frontman – sua voz média e pouco modulada cai bem no tipo de música do UFO, sem comprometer, e sem deixar de mostrar que não chega aos pés do que um Dio ou Coverdale já fizeram no palco.
Isso não é problema para ninguém, já que "This Kids" começa com os teclados de Paul Raymond e a gaita de Mogg. De novo, o público sai pulando, mas Vinnie Moore não percebeu que o solo deveria ser puro blues. O que já está bom melhora com a entrada de um dos maiores clássicos do UFO: "Only You Can Rock Me". Depois outra das novas, "Hell Driver", sem grandes emoções.
Daí em diante foi clássico atrás de clássico: "Love to Love", "I Ain’t No Baby", "Too Hot Too Handle" (esta com Vinnie tocando longo solo de costas, a la Hendrix) e "Lights Out", todas muito ovacionadas com o público, que só aguardou a pausa para a chegada do bis. Quando a banda voltou, Vinnie soltou um pouco de belo e surpreendente blues, que serviu como aperitivo para "Rock Bottom" e, finalmente, "Doctor, Doctor", a mais conhecida música do UFO, também tocada por Michael Schenker em sua apresentação aqui. Haveria tempo para mais músicas boas, como "On with the Action", mas parece que a duração do sonho ficou cronometrada em 90 minutos.
Valeu a espera de mais de 20 anos, em show sensato, que privilegiou os maravilhosos álbuns de 1975 a 1978. Pena a troca de membros da banda, pois justamente os mais novos foram os que deixaram a desejar. O baixista de ocasião Rob de Luca exibiu trejeitos e gracinhas pouco compatíveis com a sobriedade de Mogg e Andy Parker, o baterista original, discreto e eficiente, mas nada que não fizesse parte de um verdadeiro show de rock. Quem foi, não se arrependeu. Quem não foi...









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