Epica: cobertura completa dos quatro shows no Brasil

Resenha - Epica (Tour Brasileira, 07/04/10 a 11/04/2010)

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Por Lucas Steinmetz Moita
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.














Os holandeses do Epica atualmente são um dos maiores nomes entre as bandas do gênero segundo o gosto dos metaleiros do Brasil. Desta vez, quatro cidades foram privilegiadas com a visita da estonteante Simone Simmons, acompanhada de Mark Jansen (guitarra), Isaac Delahaye (guitarra), Coen Jansen (teclado), Yves Huts (baixo) e Arien Van Weesenbeek (bateria).

07/04/2010 – Bar Opinião – Porto Alegre/RS

A primeira apresentação em solo tupiniquim foi em Porto Alegre, terra natal da Tierramystica, banda de abertura de todos os shows no país.

No meio da tarde, próximo às 16 horas, a fila já possuía tamanho considerável na frente do Bar Opinião. Aqueles que chegaram com antecedência tiveram o privilégio de ouvir claramente a passagem de som de ambas as bandas.

As portas da casa abriram e a grade foi rapidamente preenchida por fãs gaúchos que esperaram horas sob o forte sol porto-alegrense.

O Tierramystica – composto por Gui Antonioli (vocal e percussão), Ricardo Chileno (vocal, craviola, charango, violão e ocarina), Fabiano Muller e Alexandre Tellini (guitarras), Rafael Martinelli (baixo), Luciano Thumé (Teclado) e Duca Gomes (bateria) - subiu ao palco executando “New Eldorado”, música disponível no MySpace da banda (MySpace.com/Tierramystica). Na seqüencia, executaram “Celebration To The Sun”. Aí então, a banda, que apresenta um heavy metal com originalidade e influências de música latino-americana, executou “Sign Of The Cross”, do projeto Avantasia. Encerrando (precocemente), a belíssima “Spiritual Song”. Esta acabou por ser como a última música do show. Segundo o cronograma da produtora Abstratti, responsável pelo evento, o show deveria ser encerrado ali, para evitar atrasos. Desta forma, “Fear of the Dark”, do Iron Maiden, não pode ser executada, deixando a banda sem aquele que, com certeza, seria o ponto alto do show.

Com uma rápida troca de palco, aproximadamente mil pessoas puderam finalmente assistir àquilo que tanto esperavam. A intro “Samandhi” começou a soar acompanhada de iluminação azul e a sensação de suspense que completava o palco. Os primeiros a se revelarem foram Coen e Arien, seguidos de Yves. Na seqüência veio “Resign to Surrender”, trazendo consigo Isaac e, para o delírio das garotas, Mark Jansen. Os PA’s deram espaços para os instrumentos ao vivo e o peso tomou conta do palco com os guturais da dupla de guitarristas. A brutalidade foi interrompida por uma doce voz, juntamente com os gritos ensurdecedores de um público em chamas, quando Simone Simmons surgiu no refrão.

Sem muitas palavras (nenhuma na verdade), emendaram diretamente um grande hit da banda: “Sensorium”. Ao fim desta, Simone demonstrou carisma ao cumprimentar a capital gaúcha e anunciou “Unleashed”, seguida da excelente “Martyr Of The Free Word”.

Simone deixa o palco, Mark desafia os fãs a reconhecerem a próxima música, e então é executada a marcha imperial de Star Wars, gravada pela banda em arranjo próprio. Mark novamente fala com o público perguntando quem está pronto para algo pesado, e apresenta, em vocais rasgados, “Sel Al Din”.

Simone ressurge com “Cry For the Moon”, um dos maiores sucessos do Epica. Então, anuncia uma música muito triste, emocionando a todos com “Tides Of Time”. A partir daí, vieram “Sancta Terra” e “The Obsessive Devotion”.

A banda deixa o palco para testar a insistência daqueles que não demonstravam cansaço. Coen retorna ao palco, elogiando a performance dos fãs. A banda retorna com “Kingdom Of Heaven”. Para a alegria de muitos, e revolta de outros, Mark retorna ao palco com uma camiseta comemorativa do Grêmio. Entre aplausos e vaias, o show continua com “Last Crusade”, a hipnotizante “Quietus”, e “Consign To Oblivion” encerrando.

Em um grande gesto de humildade e consideração com os fãs, Mark, Arien e Isaac desceram para a barricada e ficaram ao alcance de todos os fãs em busca de fotos e autógrafos.

09/04/2010 – Curitiba Master Hall – Curitiba/PR

O Master Hall de Curitiba também contava com um grande volume da fãs aguardando os holandeses, aproximadamente 2 mil pessoas.

O Tierramystica subiu ao palco com o mesmo set lista de Porto Alegre, mas, desta vez, tiveram a precaução de trocar a ordem dos fatores (o que definitivamente alterou o resultado). Desde o início, mesmo com as composições próprias, a banda gaúcha conquistou surpreendentemente o público paranaense. Na terceira canção, anunciaram “Fear Of The Dark”, que foi cantada em uníssonos, como se o próprio Iron Maiden estivesse ali. Destaque especial para o tecladista Luciano Thumé, que demonstrou literalmente o que é dar o sangue pelo Metal: O tecladista sofreu um corte no dedo e suas teclas brancas tornaram-se vermelho-sangue.

O resto do set foi mantido conforme o planejamento original na terra natal da banda. Surpreendentemente, o tempo (ou falta dele) não foi um problema em Curitiba, assim como também não foi nos demais shows que seguiram a partir daí, e a banda pode executar, desta vez finalizando, a “Sign Of The Cross”, do projeto Avantasia.

A banda de abertura obteve um saldo extremamente positivo e ganhou centenas de novos fãs em Curitiba. Mas o ato principal ainda estava por vir. A intro “Samandhi” soou e o show foi seguindo exatamente igual ao que foi executado em Porto Alegre. A euforia com a entrada dos membros era crescente e todos foram se revelando na mesma ordem.

O Epica teve em Curitiba o melhor desempenho da passagem pelo país. Tecnicamente não foi possível notar falhas, todos estavam muito enérgicos e com fôlego para uma grande jornada. Provavelmente isso foi decorrência do dia anterior, do qual não tiveram show, e puderam ter um momento de folga na rotina de apresentações.

A primeira alteração veio na metade da performance: após a “Imperial March”, a banda adicionou uma música extra ao set, que foi “Desconstruct”. O show foi seguindo os mesmos moldes da apresentação anterior. Ao retornar para o bis, Mark estampava no peito a camiseta da seleção brasileira de futebol (a camiseta de um time local foi exclusividade do show em Porto Alegre).

Simone recebeu uma porção de presentes no palco e deu atenção especial a alguns fãs na grade com um banner de boas vindas à banda.

Após o show, novamente Mark, Arien e Isaac interagiram com o público descendo do palco.

O Tierramystica também deu atenção ao público, circulando pela pista durante toda a apresentação da banda principal, tirando fotos, vendendo CD’s e distribuindo autógrafos.

10/04/2010 – Via Funchal – São Paulo/SP

A capital paulista foi receptora da maior quantidade de fãs, assim como a casa com maior capacidade de público. A fila do Via Funchal já era existente desde às 8 horas da manhã.

O Epica divulga atualmente seu mais recente álbum Design Your Universe, e o show em São Paulo contaria com registros em vídeo para um (possível) futuro DVD, o que deixou os fãs ainda mais fervorosos. Qualquer câmera ou lente em exposição era motivo para agitação e muitos gritos.

No total foram aproximadamente 4 mil pessoas. Ao abrir das portas, fãs saiam correndo em disparada pelos corredores do Via Funchal disputando pelo melhor lugar possível.

O Tierramystica subiu ao gigantesco palco sem se intimidar com a grande quantidade de pessoas. Não precisou de mais do que dois minutos para conquistarem a simpatia de todos. Suas canções próprias foram alvo de elogios durante toda a noite. Neste show, contaram ainda com a participação especial de Ademar Farinha, membro do Taracón, maior grupo de música latina do mundo.

O ponto alto do show novamente foi “Fear Of The Dark”, cover do Iron Maiden. Gui Antoniolli e Ricardo Chileno (assim como fizeram em Curitiba) dividiram o público em dois grupos e coordenaram uma divertida brincadeira, ameaçando ainda um cover de Metallica, só para deixar o gostinho de “quero mais”.

Após a troca de palco, luzes se apagaram e a intro Samandhi soou novamente, assim como nos shows anteriores. O público estava muito mais fervoroso, graças às câmeras registrando tudo para uso futuro em material da própria banda.

Os membros foram surgindo na mesma ordem dos shows anteriores. Porém, a entrada de Simone, com figurino diferenciado das apresentações de Porto Alegre e Curitiba, causou reação assustadora em seus fãs. De cinco em cinco minutos, algum presente era arremessado ao palco e a vocalista carinhosamente agradecia. “Resign To Surrender”, “Sensorium”, “Unleashed”, “Martyr Of The Free Word”. Aí então, uma nova alteração no set list: “Fools Of Damnation”.

A interação com os fãs foi um pouco mais extensa e expressiva. Assim precisaria para a reprodução do vídeo de forma comercial futuramente. Segundo o baixista Yves Huts, a intenção em gravar em São Paulo era captar a energia e a loucura dos fãs brasileiros, considerados um dos mais devotos do mundo.

11/04/2010 – Fundição Progresso – Rio de Janeiro/RJ

A ultima visita do país contou com aproximadamente 2 mil fãs na Fundição Progresso. Um leve atraso pode ser notado na abertura da casa e, ainda assim, o público esteve presente durante parte da passagem de som da banda de abertura. Com muito carisma, Gui Antoniolli, vocalista do Tierramystica, deixou todos à vontade e brincou com os presentes dando uma prévia do que veriam a seguir.

Subindo oficialmente ao palco, o Tierramystica executou a melhor performance da turnê, ganhando muitos fãs e muitos amigos. Este show também contou com a presença de Ademar Farinha. O set foi executado por completo, iniciando com “New Eldorado”, depois, “Celebration to The Sun”, o cover de Iron Maiden (com a dinâmica do público dividido e a ameaça de Enter Sandman), “Spiritual Song” e fechando com “Sign Of The Cross”.

Após o show, a banda não teve um minuto de descanso, atendendo a todos os que queriam parabenizar o grupo pela forma madura de se portar em palco e pelo ótimo desempenho.

Então, o ultimo público do Brasil finalmente estava prestes a receber o Epica. O set list foi exatamente igual ao de São Paulo. A quantidade de presentes arremessados ao palco, por sua vez, foi ainda maior. Mark ainda arriscou o português com “Puta que pariu Brasil... Vocês são foda!”.

Os cabelos flamejantes de Simone Simmons encantaram a todos os presentes, considerando até mesmo os membros da equipe técnica. Ao final do show, o Tierramystica subiu ao palco e ambas as bandas se uniram para uma fotografia com o público carioca ao fundo, que ficará registrada eternamente no coração dos fãs do Rio de Janeiro.

Após uma excelente turnê, o Tierramystica segue de volta para Porto Alegre e os holandeses do Epica rumam à Buenos Aires para continuar sua passagem pela América do Sul. É evidente que seu retorno não deve ser em um futuro muito distante, considerando que a paixão e devoção dos fãs brasileiros deixam claro que as portas estão abertas (e as pistas estão lotadas!) esperando por eles.

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Sobre Lucas Steinmetz Moita

Formado em Jornalismo pela Unisinos, atua em duas áreas bastante bipolares: música pesada e teologia. Proprietário do site CristianismoHardcore.com.br, atuou durante 5 anos com o Programa MoitaRock, entrevistando diversos artistas nacionais e internacionais (como Andre Matos, Angra, Sebastian Bach e Blind Guardian). O Programa MoitaRock foi extinto, mas o trabalho com vídeo e entrevistas continua em HeavyTalk.com.br, ao qual também administra.

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