Vince Neil: alimentando a esperança de ver o Crüe no Brasil
Resenha - Vince Neil (Carioca Club, São Paulo, 27/02/2010)
Por Otávio Augusto Juliano
Postado em 03 de março de 2010
Já perdi as contas de quantas vezes citei a banda MÖTLEY CRÜE para amigos e vi a seguinte reação: "Que? Não conheço essa banda". Falar-se em MÖTLEY CRÜE no Brasil é, infelizmente, falar-se em uma banda pouco conhecida por aqui, apesar de gigante em outros países, principalmente na sua terra natal, os EUA.
Fotos: Makila Crowley
Talvez por isso os produtores de shows ainda não tenham se animado para trazer o MÖTLEY CRÜE para se apresentar no Brasil, com receio da pouca procura por ingressos, o que não compensaria o alto custo da produção envolvida (como disse, a banda é grande lá fora e tem uma produção de alto nível em seus shows).
Mas nem tudo esteve perdido nesse último final de semana de fevereiro e os fãs da banda puderam alimentar ainda mais a esperança de ver o grupo completo um dia no Brasil, pois VINCE NEIL, vocalista e frontman do MÖTLEY CRÜE, se apresentou em São Paulo, como parte de sua turnê solo.
Com um Carioca Club com 70% da sua capacidade ocupada, VINCE NEIL subiu ao palco por volta de 19:30h, com meia hora de atraso e, acompanhado de Jeff Blando (guitarra – ex-SLAUGHTER), Dana Strum (baixo – SLAUGHTER) e Zoltan Chaney (bateria), começou cumprir o que havia sido prometido no anúncio do show: tocar hits do MÖTLEY CRÜE.
Em boa forma (física nem tanto, mas com a voz ainda em dia), VINCE e banda de cara executaram "Live Wire" e "Dr. Feelgood", clássicos que podem ser incluídos em qualquer coletânea do MÖTLEY CRÜE. O público respondeu com muita empolgação e, assim como para esse que vos escreve, ver pela primeira vez ao menos o vocalista de uma banda que jamais tocou no Brasil, certamente foi algo emocionante.
VINCE aproveitou e cumprimentou o público, salientando justamente o fato de que era sua primeira vez em solo brasileiro, emendando logo em seguida "Piece Of Your Action", do primeiro álbum de sua banda, "Too Fast For Love", lançado em 1981. Sem pausa para conversa, "Looks That Kill" foi também tocada, essa tirada do segundo álbum, "Shout At The Devil".
Era esperado um set list idêntico ao do show ocorrido no Chile, mas VINCE inovou e, de guitarra acústica em punho, apresentou "Don’t Go Away Mad (Just Go Away)", seguindo-se com "Same Ol’ Situation", ambas do multiplatinado álbum "Dr. Feelgood", de 1989.
Terminada essa música, VINCE se retirou do palco e o show continuou apenas com Dana, Zoltan e Jeff, que assumiu o vocal para a execução de alguns covers: "Whola Lotta Love" (LED ZEPPELIN), "Heaven and Hell" (BLACK SABBATH) e "Rock n’ Roll" (LED ZEPPELIN). Todas tocadas com muita empolgação e muito improviso (riffs de "Starway To Heaven" também puderam ser ouvidos), principalmente por parte do baterista. Zoltan é divertidíssimo e consegue, de fato, chamar a atenção. Toca com um braço, com a perna levantada, com o cotovelo, equilibrando a baqueta na cabeça, na mão e na boca, enfim, o cara toca de forma alucinada, chegando até a bater com o seu banquinho no prato da bateria. Uma figura, o que faz valer a pena procurar e conferir alguns vídeos postados na Internet.
Foi uma brincadeira interessante com esses verdadeiros hinos do Rock e do Metal, mas acredito que boa parte dos presentes dispensaria esses covers e preferiria ouvir mais três músicas do MÖTLEY CRÜE – essa foi uma reclamação muito ouvida ao final do show.
Mas não teve jeito, VINCE optou mesmo por incluir esses covers no set list, o que acabou contrariando o próprio anúncio do site criado somente para divulgação do show (www.vinceneil.com.br), que dizia: "Set List do Show somente Hits do MÖTLEY CRÜE". Vê-se que não foi bem isso que ocorreu, justamente por causa dessas versões de clássicos do LED ZEPPELIN e do BLACK SABBATH.
Aliás, para ser justo, VINCE voltou um pouco antes do fim da trinca de covers, para reassumir o vocal em "Rock n’ Roll" e então partiu para a reta final do show (isso mesmo, reta final).
A derradeira seqüência foi formada com músicas que empolgaram os fãs completamente e foram cantadas pela maioria do público. O hit "Kickstart My Heart" foi muito bem executado e fez descarregar uma adrenalina enorme no público, como se já não bastasse toda a empolgação geral. VINCE então pediu para que os presentes levantassem o braço direito e fizessem o movimento de acelerar uma moto, o que deixou claro qual seria a próxima música da noite. "Girls, Girls, Girls", talvez a canção que tenha gerado a melhor recepção por parte da platéia.
O fechamento ficou por conta de "Wild Side", tendo sido encerrado o show com pouco mais de uma hora de duração, sem bis. E esse foi justamente o ponto baixo da apresentação: das 12 canções tocadas, apenas 9 foram do MÖTLEY CRÜE e show durou pouco, o que fez com que alguns presentes inclusive atirassem latas de cerveja no palco e protestassem por alguns minutos logo após o acender das luzes – um deles subiu no palco e foi tirar satisfação com os roadies e o pessoal da produção.
Isso de nada adiantou e os seguranças da casa, cerca de 15 minutos após o término do show, começaram a literalmente fazer um cordão para retirar os presentes, afinal, algumas horas depois, o Carioca Club precisaria estar limpo, para receber um público bastante diverso – fãs de pagode e samba. Isso foi outro ponto negativo, pois o show teve de ser curto e ficou impossível de se programar qualquer "After Party" com VINCE, pois o Carioca Club, embora com ótimas instalações e boa qualidade de som, é uma casa de samba e pagode e funcionaria normalmente naquela noite.
No "frigir dos ovos", um show interessante por ser do vocalista de uma grande banda de Hard Rock que nunca veio ao país e pelas músicas tocadas, mas ao mesmo tempo bastante curto.
Sinceramente não sei se essa apresentação fará com que os produtores de show no Brasil trabalhem para trazer o MÖTLEY CRÜE ao país no futuro, mas os fãs, ainda que não tenham lotado o Carioca Club, certamente continuarão esperando por essa visita e ficarão na torcida. Tomara que VINCE leve boas notícias do Brasil a Nikki Sixx, Mick Mars e Tommy Lee.
Diz um ditado popular que "tudo que é bom dura pouco". Acho que essa é a mensagem que fica da passagem de VINCE por São Paulo: uma noite histórica para os fãs brasileiros de Hard Rock, porém curta.
Banda:
Vince Neil (vocal)]
Jeff Blando (guitarra)
Dana Strum (baixo)
Zoltan Chaney (bateria)
Set List:
- "Live Wire"
- "Dr. Feelgood"
- "Piece Of Your Action"
- "Looks That Kill"
- "Don’t Go Away Mad (Just Go Away)"
- "Same Ol' Situation (S.O.S.)"
- "Whole Lotta Love"
- "Heaven and Hell"
- "Rock n' Roll"
- "Kickstart My Heart"
- "Girls, Girls, Girls"
- "Wild Side"
Luis Alberto Braga Rodrigues | Rogerio Antonio dos Anjos | Everton Gracindo | Thiago Feltes Marques | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Outras resenhas de Vince Neil (Carioca Club, São Paulo, 27/02/2010)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A banda clássica que poderia ter sido maior: "Influenciamos Led Zeppelin e Deep Purple"
A música de amor - carregada de ódio - que se tornou um clássico dos anos 2000
A maior música do rock progressivo de todos os tempos, segundo Steve Lukather
13 shows internacionais de rock e metal no Brasil em dezembro de 2025
Steve Morse escolhe o maior guitarrista do mundo na atualidade
Guns N' Roses anuncia valores e início da venda de ingressos para turnê brasileira 2026
Nem Jimi Hendrix, nem Eric Clapton existiriam sem esse guitarrista, afirma John Mayer
Com nova turnê, Guns N' Roses quebrará marca de 50 apresentações no Brasil
John Bush não se arrepende de ter recusado proposta do Metallica
A banda que foi "os Beatles" da geração de Seattle, segundo Eddie Vedder
A maior balada de heavy metal do século 21, segundo a Loudersound
A diferença entre "Divine Intervention" e "Diabolus in Musica", segundo Jeff Hanneman
Bruce Dickinson relembra, com franqueza, quando foi abandonado pelos fãs
Iron Savior anuncia "Awesome Anthems of the Galaxy", álbum de covers de hits dos anos 1980
Greg Mackintosh relutou, mas cover que ele não queria gravar virou "hit" do Paradise Lost
O hit da Legião Urbana que técnicos de som da Abbey Road acharam igual aos Beatles
O disco de Hard Rock dos 80s que para Corey Taylor é um dos piores álbuns de todos os tempos
A música que melhor representou o Nirvana, segundo Dave Grohl: "Simplesmente aconteceu"

Nikki Sixx (Mötley Crüe) não gosta de ver artistas de 65 anos agindo como se tivessem 25
Loudwire: melhores músicas Grunge compostas por 5 bandas de Hair Metal
Com Tesla e Extreme, Mötley Crüe anuncia turnê celebrando 45 anos de carreira
Em 2000, Megadeth e Anthrax abriram turnê do Mötley Crüe
Metallica: Quem viu pela TV viu um show completamente diferente
Maximus Festival: Marilyn Manson, a idade é implacável!

