Iced Earth: Show épico, pesado e grandioso em São Paulo

Resenha - Iced Earth (Via Funchal, São Paulo, 06/02/2010)

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Por Thiago Fuganti
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Que esperamos de um show de Heavy Metal? Que seja pesado? Empolgante? Que tenha verdadeiros hinos do estilo e que faça todos cantarem juntos, com os punhos erguidos, como se estivessem todos entoando um brado de guerra? Acredito que é isso que buscamos em um show, e pra quem perdeu, foi exatamente o que o ICED EARTH proporcionou ao público Headbanger que compareceu em peso ao Via Funchal no último sábado, dia 06/02.

Fotos: Alexandre Cardoso

Era grande a expectativa, afinal, desde que foi criada, em meados dos anos 80, a banda nunca havia feito uma turnê sul-americana, e apesar dos cancelamentos nos países vizinhos, tivemos a honra de ter 3 datas no Brasil, e pra alegria geral de todos, veríamos a banda com o vocalista Matthew Barlow, que ficou afastado por 5 anos, mas é considerado a "voz" do Iced Earth, assim como Bruce Dickinson e Rob Halford são a voz de suas respectivas bandas.

Após um pequeno atraso, por volta de 22h15 a introdução "In Sacred Flames" soa nos PA's, e é emendada pela primeira música da noite, "Behold The Wicked Child". O primeiro contato da banda com o público foi o melhor possível, mas foi na música seguinte, "Burning Times", que o "bicho pegou" no Via Funchal, com o público ensandecido cantando junto com Barlow, chegando até a cobrir a voz do vocalista no refrão, e olha que o rapaz canta alto!

Sem pausa já emendaram "Declaration Day", música do disco "The Glorious Burden" e que originalmente foi gravada por Tim "Ripper" Owens. Confesso que estava curioso pra ouvir como iam ficar as músicas de Tim na voz de Barlow, uma vez que o "Ripper" canta muito, mas Matthew Barlow é Matthew Barlow. O cara cantou na mesma altura, senão mais alto, dando sua própria interpretação a música.

Após essa primeira trinca de músicas (que foram tocadas sem pausa), Barlow saudou o público paulista pela primeira vez, e anunciou a quase Thrash Metal "Violate", que rendeu até uma roda de mosh. A banda toda estava muito a vontade no palco, principalmente o chefão Jon Schaffer, que volta e meia soltava um sorriso para o público. "Pure Evil" e "Drácula" deram continuidade, com forte participação da platéia, seja cantando os refrões, seja cantando as melodias de guitarra, nos moldes de shows do IRON.

"Melancholy (Holy Martyr)" foi sem dúvida um dos pontos altos, pois é quase uma balada, com refrão pesado, e fez com que todos pulassem e cantassem junto, num momento único, de arrepiar. Emendaram com "Ten Thousand Strong", uma música que apesar de ser recente ( é do penúltimo disco, "Framing Armageddon", ainda com Ripper nos vocais) já pode ser considerada mais um clássico da banda. E novamente Barlow fez uma interpretação impecável de uma música do seu antecessor.

A próxima música, "Stormrider", é tradicionalmente cantada pelo guitarrista Jon Schaffer, e aqui não foi diferente. Antes de começar, ele agradeceu ao público e pediu desculpas pela demora de anos em tocar aqui, prometendo não demorarem pra voltar. Ao final da música, teve seu nome bradado por todos. Matthew Barlow então retorna e anuncia, para deleite de todos; do álbum "The Dark Saga", a bela "The Hunter".

E chega o momento mais épico do show, a trinca de músicas que inicia a trilogia de "Something Wicked", iniciada no álbum Something Wicked This Way Comes, de 1998, que são: "Prophecy", "Birth Of The Wicked" e "The Coming Curse" e foram tocadas exatamente nesta ordem. O que dizer? Simplesmente uma aula de Heavy Metal, com direito a muitos dedilhados, solos, riffs fenomenais e uma soberba interpretação de Matthew Barlow.

Após essa trinca, a banda sai do palco e se segue um momento inusitado... alguém começou a cantar "Oh, I know, oh, I know He's watching over me", que é o refrão da música "Watching over me" e a platéia toda acompanhou cantando por uns instantes, pra logo começarem o famoso coro de "Ole, Ole, Iced,. Iced". A banda não demora, e quando voltam, o público recomeça a cantar o refrão da "Watching over me", arrancando sorrisos dos músicos.

"Dark Saga", "A Question of Heaven", "My Own Savior" e "Iced Earth" foram as responsáveis pela parte chata, que é o final do show, e foram tocadas com a mesma garra que Matt Barlow , Jon Schaffer, Troy Seele , Freddie Vidales e Brent Smedley apresentaram no decorrer do show. Missão cumprida, e os 5 músicos de juntam no meio do palco para a tradicional foto com o público de fundo, agradeçem a todos e saem, um a um do palco, sob um coro de "Iced, Iced".

E pra terminar a resenha do modo que iniciei; quando um show de Heavy Metal foi exatamente do modo que esperamos, saímos dele com aquela sensação de satisfação que não tem nem explicação.... coisas que só quem esteve ali, dividindo com o público e banda aqueles momentos únicos sabe... e foi com este sentimento que deixamos o Via Funchal naquele sábado de Fevereiro.

Oh, I know, oh, I know He's watching over me, Oh, I know, oh, I know He's watching over me....

Setlist:

"In Sacred Flames"
"Behold The Wicked Child"
"Burning Times"
"Declaration Day"
"Violate"
"Pure Evil"
"Dracula"
"Melancholy (Holy Martyr)"
"Ten Thousand Strong"
"Stormrider"
"The Hunter"
"Prophecy"
"Birth Of The Wicked"
"The Coming Curse"

Bis:

"Dark Saga"
"A Question of Heaven"
"My Own Savior"
"Iced Earth"


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Sobre Thiago Fuganti

Catarinense, mas vive atualmente em São Paulo 'Chaos City'. Começou no metal com Iron Maiden, que até hoje acha a melhor banda do mundo, porém descobriu o lado extremo (black, death, doom) e não parou mais. Hoje em dia ouve muitos estilos, desde música clássica a death metal - passando pelas clássicas bandas de metal -, mas a ênfase mesmo fica com o Black Metal.

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