Maquinária: apresentação de gala que deixará saudades

Resenha - Maquinária Festival 2009 (Chácara do Jockey, São Paulo, 07/11/2009)

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Por Eduardo Contro
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O Maquinária Festival foi mais um daqueles mega eventos de Rock que já há algum tempo não acontecia por essas bandas. O custo alto de se promover eventos desse porte pode ser uma das justificativas para isso.

Maquinaria Festival, dia 7 de novembro, sábado.
Por Eduardo Contro
Fotos: Ágata Lach Daros

Antes tarde do que nunca, o Rock n roll recebeu um presente no último fim de semana, com dois dias inteiros de muito som de qualidade. No primeiro dia do Maquinária, o público pôde conferir nada mais nada menos que Sepultura, Deftones, Janne’s Addiction e Faith no More.

Ao todo, foram 20 horas de música e 18 bandas tocando para um público estimado de 30 mil pessoas (15 mil no primeiro dia).

Sábado de muito sol e dois palcos aguardavam os paulistas, no dia 7, na Chácara do Jockey. O Palco Principal, como o nome já diz, trazia as principais atrações, e o Palco MySpace, grupos nacionais selecionadas pelo público em uma batalha de bandas, que ocorreu entre 5 e 14 de outubro. O resultado da votação feita pelo site MySpace e publicado no último dia 25, após mais de 80 mil votos, colocou as bandas Maldita, do Rio, Terceira Edição, de Pernambuco e Volantes, do Rio Grande do Sul, no mega evento.

Os rapazes fizeram sua parte, mas o que o público queria ver mesmo eram as bandas conhecidas. Nação Zumbi e Sepultura abriram as atrações principais, mesmo que para um público ainda pequeno.

Ao Deftones coube a missão de tocar com o sol forte e o calor na casa dos 30 graus, logo depois do Sepultura. A banda liderada pelo vocalista Chino Moreno agradou ao público com um vasto repertório e seus grandes hits, que teve “Feiticeira”, “Head up”, “Hole”, “Hexagram”, “Passenger", entre outras. Parece que os caras gostaram mesmo das terras brasucas, fizeram um show competente e tomara que voltem mais vezes.

Todavia, os ânimos só acirraram mesmo no então penúltimo show da noite. Janne’s Addiction, banda formada em Los Angeles nos anos 80, mandou músicas de seus dois primeiros discos de sucesso – “Nothing’s shocking”(1988) e “Ritual de lo habitual” (1990).

O grupo agitou a galera graças a performance ensandecida do vocalista Perry Farrell, que nos lembra muito um Ney Matogrosso, mais moderno e com um traje dourado. O rapaz não parou um segundo no palco, pulando, gritando, dançando. Grande presença. A abertura ficou com “Up the beach” e terminou com “Chip away”. O grand hit ficou por conta de “Been caught stealing”, mas outras canções animaram a galera, como “Stop!”, “Ocean size”, “Three days” e uma versão acústica de “Jane says”.

O guitarrista Dave Navarro, que tem grande presença de palco, parece ser a segunda metade da banda. Bem mais recatado, o cara manda muito bem na guitarra e cumpriu com propriedade a missão de esquentar o público em sua primeira apresentação no Brasil. Os demais integrantes , o baixista original, Eric Avery, e o baterista Stephen Perkins, que toca com o grupo desde 1986, tiveram uma presença tímida, mas competente.

Destaque também para as duas dançarinas seminuas que ficavam em uma plataforma atrás dos músicos fazendo acrobacias, em uma performance bastante sensual. Mas o show do Jane’s Addiction vai muito além da encenação. O líder continua bom no que faz, com uma ótima voz, e a pegada dos outros integrantes também não deixa nada a desejar.

Logo após “Chip Away” numa versão batucada esquisita, entrou no palco a banda Brothers of Brazil, do Supla e seu irmão. Nesse momento ninguém se importava muito com as atrações paralelas, o foco era arrumar uma boa posição, bem perto da grade, para conferir o grande destaque da noite, o Faith No More, após 11 anos longe dos palcos.

As apresentações estavam seguindo britanicamente o horário definido na programação e já estava tudo praticamente pronto para receber uma das principais bandas da década passada quando caiu uma verdadeira tempestade no Jockey. Foi ate engraçado ver o desespero do pessoal da produção tentando cobrir os instrumentos com toalhas e sacos plásticos.

Mas a galera nem ligou, pois o calor era tanto que a chuva veio para dar uma refrescada. Depois de uns 30 minutos a chuva diminuiu e o Faith No More subiu ao palco para provar que ainda tem muita lenha pra queimar.

Patton deu um show à parte com seu vocal vigoroso e falsetes afinados, de terno vermelho e cabelo com gel pra trás, num estilo policial gigolô.

Presença garantida no repertório do grupo, “Reunited”e a balada “Easy” animaram a galera. Eles também mandaram “This guy’s in love with you” e encerram a apresentação com “Digging the grave”, em grande estilo, logo na seqüência de outras pauladas, como “We care a lot”, “Be agressive”e “Out of nowhere”.

Os músicos Mike Bordin (bateria), Roddy Bottum (teclados), Billy Gould (baixo) e Jon Hudson (guitarra), mandaram muito bem e Patton soltou a voz e o verbo em bom português diversas vezes. Conversando com a platéia freqüentemente, ele brincou sobre a chuva fazendo alusão a banda Secos e Molhados e comentou que essa podia ser sua última passagem pelo País.

O toque irônico ficou por conta do encerramento da primeira parte do show. Após uma versão de “Carruagens de fogo”, a banda emendou a climática “Stripsearch”. A canção terminou com um xingamento geral, enquanto o vocalista passava o microfone para os fãs mais próximos da grade, na pista vip, para que gritassem palavrões.

Na passagem do Faith No More pela capital paulista não faltaram homenagens ao Brasil. O grupo exibiu a bandeira verde e amarela, Patton, bastante simpático, cantou “Caralho voador”, em ritmo de bossa, e apresentou uma versão de “Evidence” em português – dedicada ao Zé do Caixão.

Uma apresentação de gala, empolgante e que deixará saudades pela simpatia do grupo.

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