Kiss: Apoteose recebeu um espetáculo digno do seu nome

Resenha - Kiss (Apoteose, Rio de Janeiro, 08/04/2009)

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Por Eduardo Martins, Fonte: Bola da Foca
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O Kiss é uma banda onde todos os adjetivos, comentários e números são superlativos. E para comemorar os 35 anos da carreira de um dos maiores nomes da história da música, os quatro mascarados caíram na estrada e voltaram mais uma vez á América Latina. Das outras três vezes, visitaram São Paulo (94 e 99) e Porto Alegre (99). Nesse tempo, visitaram também o México e a Argentina. Mesmo assim, o Rio de Janeiro teve que esperar por 26 anos, desde o dia 18 de junho de 1983, quando o Kiss fez a histórica apresentação onde tocaram pra aproximadamente 200 mil pessoas, para ver o evento que ganhou o título de “o melhor show de Rock ’n’ Roll da Terra”.

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Hordas de fãs – muitos de máscaras no rosto -, chegavam de vários cantos e faziam dos arredores da Praça da Apoteose um verdadeiro carnaval rock and roll. Muitas famílias vieram prestigiar – filhos, pais, tios e porque não, avós e netos -, numa demonstração clara das várias gerações de membros da “Kiss Army”. Muitos estavam ali pra ver o Kiss pela primeira vez. O show prometia bastante, já que o set list da turnê é basicamente o mesmo do histórico “Alive”, que completa 35 anos em 2010, dando uma aura ainda mais especial ao evento.

Pontualmente às 21h30, as luzes se apagam. Uma gritaria ensurdecedora explode na Apoteose. No P.A., rolava “Won’t Get Fooled Again”, do The Who e tema do seriado CSI Miami. Antes da bandeira cair, Eric Singer esquenta ainda mais o clima ao acompanhar o P.A., tocando a batida característica da música do The Who. Ao final da música que serviu de introdução do show, Paul Stanley (guitarra/vocal) saúda o público e, acompanhado de 20 mil vozes, profere a clássica frase: “You wanted the best, you got the best. The hottest rock n’ roll band in the world, Kiss!” Uma explosão e o enorme bandeirão preto com o logo do Kiss em prata que escondia todo o palco cai e debaixo de toneladas de luzes e efeitos pirotécnicos, Gene Simmons (baixo e vocal), Paul Stanley (guitarra e vocal), Tommy Thayer (guitarra) e Eric Singer (bateria) aparecem. Êxtase total. A coisa mais comum naquele momento era você ver pessoas chorando ou gritando, todas com expressões atônitas ao presenciarem in loco, um show do Kiss.

Como era de se esperar, entraram com a seqüência do Alive: “Deuce” – com direito ao balançar característico do Kiss, onde a linha de frente fica enfileirada batendo cabeça pros lados, tão imitados ao longo dos anos -, “Strutter", "Got To Choose" e "Hotter Than Hell". Todos os ingredientes tradicionais de um espetáculo do Kiss estavam ali: efeitos pirotécnicos, explosões e toneladas de luzes, as sirenes para “Hotter Than Hell” – embora achasse que entraria “Firehouse” que, apesar de estar no “Alive”, não foi tocada nos shows no Brasil -, as cusparadas de fogo e língua de Gene, as caretas e provocações safadas de Stanley, os instrumentos prateados, toda aquela performance e obviamente, os clássicos. A sensação era de estar num túnel do tempo, nos shows antológicos dos anos 70.

"Fazia tempo que não víamos vocês”, disse Stanley, que depois de saudar mais uma vez o público, veio com mais quatro pedradas: “Nothin’ to Lose”, “C’mon and Love Me”, “Parasite” e “She”. Neste momento, a chuva que caiu durante a semana no Rio de Janeiro e havia dado uma trégua no dia do show, resolve dar o ar da graça. Tommy então faz seu solo, lançando fogos através da guitarra e a chuva aperta ainda mais, transformando-se num dilúvio bíblico típico de fevereiro na Apoteose. A banda volta ao palco com “Watchin’ You” e “100.000 Years”, com solo de Eric Singer e a plataforma onde estava a bateria subindo até o teto do palco.

A chuva vai embora e pra animar ainda mais, “Cold Gin”. Depois de destilarem clássicos e mais clássicos, o Kiss finaliza a primeira parte do show com o verdadeiro hino do rock, “Rock and Roll All Nite” e uma outra chuva - de papéis picados - cai sobre a platéia, completamente extasiada. Desta vez, o foguetório veio também da parte de trás do palco.

O público então pede bis cantando a melodia clássica de “I Love it Loud” e depois de alguns minutos, o Kiss volta para o palco, com Paul Stanley empunhando uma bandeira do Brasil. A primeira da seqüência do bis, foi "Shout It Out Loud". A surpresa ficou com "Lick It Up", da fase “sem máscaras” que atravessou os anos 80 e durou até a metade dos 90. Atendendo a pedidos, “I Love it Loud” também fez parte do bis.

O gran finale obviamente veio no melhor estilo do Kiss. Paul Stanley, diz: “Rio é uma cidade do Rock. Mas nós vamos levar vocês a uma outra cidade do Rock. Essa aqui se chama, Detroit Rock City!". Êxtase completo. Assim como em "Rock and Roll All Nite", a platéia recebeu um bombardeio de luzes, fogos e muita pirotecnia. Depois de duas horas de show, as luzes do palco desligam. Nos telões, um “Obrigado, Rio de Janeiro, Nós amamos vocês”. A lindíssima “God Gave Rock and Roll to You” serviu de trilha sonora da despedida e da queima de fogos de fazer inveja as escolas de samba.

Não resta dúvidas de que o Kiss tem o melhor show de rock da Terra. É gratificante ver bandas veteranas mostrando principalmente as novas gerações uma verdadeira aula de rock. Nada daquela arrogância típica de bandinhas metidas a depressivas, nada de discursos panfletários baratos, virtuoses sonolentas e sim, um verdadeiro culto ao rock. Muitos criticam o Kiss pelo marketing, mas de nada adianta se a banda não tiver talento, carisma e dedicação, coisa que os mascarados cinquentões tem de sobra. Não é por acaso que estão há mais de 30 anos na estrada. Sinceramente, um dos melhores shows já vistos no Rio de Janeiro. Finalmente, a Praça da Apoteose recebeu um espetáculo digno do seu nome.

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