Nightwish: nem pareceu a primeira tour da atual formação

Resenha - Nightwish (Fortaleza, 15/11/2008)

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Por Débora Medeiros
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O ano de 2008 foi histórico para os cearenses apreciadores de heavy metal: começou em grande estilo, com a vinda dos alemães do HELLOWEEN, em abril, seguidos de apresentações do SHAAMAN, NAZARETH, ANDRÉ MATOS, da ex-vocalista do Nightwish TARJA TURUNEN e, agora, do próprio NIGHTWISH, encerrando a temporada e deixando os metaleiros com a impressão de que 2009 será talvez ainda mais promissor, já que, para o bem ou para o mal, os produtores musicais da terra finalmente perceberam que o metal é um bom negócio também por aqui.

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A popularidade do Nightwish entre os metaleiros do Ceará vem de longa data. Na Galeria Pedro Jorge, versão local da Galeria do Rock paulistana, há tempos é possível encontrar camisas com a estampa da banda, assim como todos os CDs. É até redundante dizer que a expectativa em torno da vinda dos finlandeses, que se apresentaram no dia 15 de novembro na casa de shows Arena, era enorme: para muitos, seria a primeira e única oportunidade de vê-los ao vivo; para tantos outros, o tira-teima definitivo sobre quem era a melhor, Anette Olzon ou Tarja Turunen.

Às 22h, a banda entrou no palco, eletrizando a multidão com “Bye Bye Beautiful”, música de trabalho do álbum Dark Passion Play. Desde esse momento inicial, Marco Hietala (TAROT, SINERGY, NORTHERN KINGS, NIGHTWISH) demonstrou facilidade para dialogar com o público tanto através dos acordes marcantes do seu baixo quanto pela performance vocal, que mistura elementos do thrash metal com o heavy metal clássico dos anos 1970 e 1980. Vendo-o ao vivo, não restam dúvidas de por que Marco vem conquistando cada vez mais espaço desde o álbum Century Child, quando substituiu Sami Vänskä (por acaso, alguém ainda sente falta dele?): o veterano do metal finlandês sabe quando atiçar o público e quando apascentá-lo, o que lhe rendeu momentos só seus no show, como as músicas “The Islander” e “While Your Lips are Still Red” (parceria com Tuomas Holopainen que integra a trilha sonora do filme finlandês “Lieksa!”).

Longe de ser eclipsada pelo carisma de Marco, a sueca Anette Olzon (ex-ALYSON AVENUE) conseguiu envolver a platéia ao seu modo, provando ser uma entertainer formidável. Com uma atitude que lembra a dos lead singers de bandas de hard rock, ela expressava carinho pelos fãs sem soar artificial e igualava-se a eles, ao deixar transparecer sua empolgação a cada música e puxar coros e vivas. Não foram incomuns os momentos em que Anette engatou um papo com o público que serviu de deixa para as músicas, como antes de “The Siren”, quando falou de suas impressões sobre a cidade de Fortaleza, principalmente sobre as praias e o mar, o que justificaria uma canção sobre uma sereia. Além disso, a vocalista imprimiu personalidade própria a sucessos consagrados na voz de Tarja, como “Wishmaster”, “Como Cover Me” e “Dead to the World”. No entanto, depois da polêmica que a carta-aberta de demissão de Tarja suscitou – revelando uma pessoa de difícil convivência na vocalista idolatrada pelos fãs –, é inevitável indagar se a abordagem calorosa faz parte do estilo de Anette ou se decorre da euforia de dividir o palco pela primeira vez com uma banda do porte do Nightwish. Só vamos saber com certeza daqui a uns 3 CDs, quando a lua-de-mel acabar.

Porém, é um bom sinal o fato de esta nem parecer a primeira turnê do Nightwish em sua atual formação. Exceto por alguns intervalos desnecessários entre uma música e outra, durante os quais, principalmente na meia-hora inicial, tanto Marco quanto Anette se ausentaram do palco por alguns minutos sem motivo aparente, todos pareciam muito entrosados. O guitarrista Emppu Vuorinen e o baterista Jukka Nevalainen foram impecáveis, embora não tenha havido nenhum solo dos dois, mesmo nas pausas dos vocalistas.

Com um boneco de Edward Mãos-de-Tesoura acoplado ao teclado, Tuomas Holopainen, o principal compositor da banda, parecia satisfeito com a performance dos seus colegas e com o retorno do público: headbangueava e empolgava-se ao executar os teclados de cada música, harmonizando o som ao vivo e os samples de coros e arranjos orquestrais de músicas como “Dark Chest of Wonders” e “Wishmaster”, que ganhou um coro introdutório bastante peculiar.

À saída da casa de espetáculos, a queixa que mais freqüentemente se ouvia era que o show tinha sido muito curto, tendo durado cerca de 1 hora e 10 minutos. Entretanto, essa parece ser uma variável comum entre as apresentações do Nightwish no Brasil: todo mundo sai com a sensação de que faltou alguma música da sua lista pessoal, mas, quando confere a setlist, vê que o show foi bastante abrangente, principalmente nos lugares em que a banda esteve pela primeira vez, como Fortaleza. Houve um equilíbrio saudável entre as músicas do álbum novo e os clássicos que os fãs sonhavam em ouvir ao vivo, embora, mesmo entre as músicas antigas, a banda tenha dado preferência a composições mais recentes, dos álbuns Once e Century Child.

Entretanto, dado o burburinho que, mais de seis meses antes, o anúncio do show causou entre os próprios metaleiros da cidade, talvez fosse de esperar um público maior. Estimativas informais dão conta de cerca de apenas 2.300 pagantes, o que pode inviabilizar a vinda de outras bandas internacionais a Fortaleza. Muitos atribuem a bilheteria enxuta a fatores como o vestibular da Universidade Estadual do Ceará, que ocorreu na manhã seguinte, e, principalmente, o show da banda de punk rock Offspring, promovido na mesma data por uma produtora concorrente, dividindo o público das duas atrações. Agora, é torcer para que as previsões mais pessimistas não se concretizem e Fortaleza volte a receber bandas de renome internacional em breve.

Line-up:
Anette Olzon (vocais)
Tuomas Holopainen (teclado)
Marco Hietala (vocais e baixo)
Emppu Vuorinen (guitarra)
Jukka Nevalainen (bateria)

Setlist:

1. Intro
2. Bye Bye Beautiful
3. Whoever Brings the Night
4. The Siren
5. Dead to the World
6. Amaranth
7. The Islander
8. The Poet and the Pendulum
9. Come Cover Me
10. Dark Chest of Wonders
11. While your lips are still red
12. Sahara
13. Wishmaster
----------
14. Wish I had an Angel

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Sobre Débora Medeiros

Débora Medeiros faz Comunicação Social – Jornalismo na Universidade Federal do Ceará. Academicamente, desenvolve pesquisas sobre o rádio educativo e sobre a relação entre jornalismo cultural e heavy metal. Profissionalmente, tem procurado se especializar em crítica musical. Foi daí que nasceu o impulso para colaborar com o Whiplash e criar um blog dedicado a esse assunto, o Música Expressa.

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