Motley Crue: chuva e público inflamado na Argentina

Resenha - Motley Crue (Pepsi Music, Buenos Aires, 11/10/2008)

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por De Paiva, Fonte: HardZone
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Imagine a cena: Uma noite de céu vermelho e chuva torrencial. De um lado, um bando de vinte e cinco mil loucos fazendo subir uma espessa nuvem de vapor e de outro uma das maiores bandas da história do hard rock, em plena forma: estes são os principais ingredientes de um show homérico, o do Mötley Crüe em Buenos Aires.

694 acessosConsequence of Sound: 10 discos de Hair Metal que "não são ruins"5000 acessosGhost: Nergal revelou a identidade de Papa Emeritus II?

Pela primeira vez na América do Sul em toda a sua carreira, era evidente a satisfação da banda ao tocar na Argentina e ao ver um público tão pirado - em todos os sentidos. Ao ouvir de Tommy Lee que aquele era "o melhor lugar que já tinham tocado até hoje", a primeira reação que temos é pensar: Ele deve dizer isso em todos os shows. Mas o que se viu no Club Ciudad de Buenos Aires deixa realmente no ar que pode ter sido mesmo o melhor, pois realmente não há nada como estar em um show como este em terras portenhas!

Não havia um aglomerado de pessoas mais empolgadas pulando à frente do palco: eram vinte e cinco mil pessoas ensandecidas, sem conseguir fincar os pés no chão, tamanha a "fúria" e a felicidade de ter o Mötley Crüe à sua frente, depois de esperar a vida toda! O público cantava todas as letras e todos os riffs de todas as músicas, em uníssono. "Cantar riffs" não é costume em lugar algum do mundo (exceto em umas duas músicas do Iron Maiden), mas o resultado - que lembra muito os gritos de uma torcida de futebol - é perfeito, empolgante. Além disso, o calor da "hincha" contrastava com o frio que a chuva trazia, fazendo subir do local uma grande nuvem de vapor: um autêntico caldeirão!

E esta empolgação se refletiu no palco: a banda toda não se fez de rogada e por diversas vezes foi pra chuva também, esbanjando simpatia e disposição. A execução das músicas foi excelente, apesar de algumas falhas nos equipamentos - certamente por causa do toró - e por algumas vezes onde a banda parecia não se escutar muito bem sobre o palco. Nikki Sixx estava possuído, muito animado. Vince Neil não parava um instante (mesmo não estando com o físico de outros tempos) e até Mick Mars, sempre parado por causa de sua doença, foi pra chuva ao final do espetáculo. Tommy Lee, além de dar um show à parte atrás de seu bumbo gigante, resumiu, em castelhano mesmo, todo o sentimento hard rocker que envolvia aquela noite: "Me gusta la fiesta"!

O show começou com "Kickstart My Heart" e "Wild Side", e já de cara o bicho pegou de acordo. Era complicado permanecer em pé, dada a recepção impressionante do público a esses clássicos. Existem públicos frios, públicos mornos, públicos empolgados e o público argentino. Nunca vi uma reação daquela em um show de rock, e acho que os integrantes do Mötley Crüe também não, pois dava pra ver no semblante dos caras a perplexidade em ver aquela euforia toda.

O set seguiu com outros clássicos, como "Shout At The Devil", "Primal Scream" e "Live Wire" (este após um solo meio desnecessário do Mick Mars). Como esse era um show da turnê do excelente "Saints Of Los Angeles", claro que esse disco teria que ser representado, e assim o foi, com a faixa titulo e "Motherfucker Of The Year", que não tiveram a mesma recepção empolgada das outras músicas, fato até compreensível, pois clássicos sempre irão sobrepujar músicas novas na preferência do público, independente da banda que esteja tocando.

Mas os clássicos voltaram a dar o ar da graça com "Don´t Go Away Mad (Just Go Away)", "Same Old Situation" e "Looks That Kill", e o público continuava a dar seu espetáculo particular. "Red Hot" e "Louder Than Hell" foram as surpresas da noite, músicas mais "lado B" dos seminais "Shout At The Devil" e "Theatre Of Pain", respectivamente.

Momento marcante aconteceu quando o Vince Neil pediu pra galera colocar o punho direito no ar, e fazer o movimento típico de quem está acelerando uma moto, e assim que o público respondeu a esse pedido, obviamente veio o hino máximo da banda, "Girls Girls Girls", emendada com nada mais nada menos que "Dr. Feelgood".

Depois de um breve intervalo, a banda volta (com Vince Neil usando a camisa da Argentina) para o bis com a linda "Home Sweet Home", a aí não tem jeito, aquele momento histórico, com aquele toró de proporções bíblicas que caía, e aquela música sensacional, só sendo um ser inanimado pra não se emocionar, e o público cantou em uníssono, colocando um ponto final naquele que foi certamente um dos melhores shows já assistidos por quem esteve presente.

Show perfeito, banda extremamente profissional (com a chuva que caía, o som dando pau a toda hora e mesmo assim em momento algum se viu algum traço de insatisfação por parte dos músicos), público impressionante, set list excelente, tudo colaborando para marcar essa noite eternamente na vida dos fãs. E, depois disso tudo, fica uma certeza: eles voltarão.

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Mötley CrüeMötley Crüe
Nikki Sixx anuncia aposentadoria

694 acessosConsequence of Sound: 10 discos de Hair Metal que "não são ruins"1409 acessosHair Metal: dez álbuns que valem a pena470 acessosMötley Crüe: como crianças de hoje reagem ao som da banda?0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Motley Crue"

Motley CrueMotley Crue
Nikki Sixx: "Com certeza, foi sorte ter sobrevivido!"

Motley CrueMotley Crue
Tommy Lee confessa experiência-quase-gay

Tommy LeeTommy Lee
Baterista zombou da habilidade de Ulrich no Twitter

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de Shows0 acessosTodas as matérias sobre "Motley Crue"

GhostGhost
Nergal revela a identidade de Papa Emeritus II?

SlipknotSlipknot
"Pastor" detecta mensagens subliminares nas capas

No alto do casteloNo alto do castelo
As diferenças entre os diferentes estilos de rock e metal

5000 acessosLars Ulrich: O motivo pelo qual o Big Four tocou "Am I Evil"5000 acessosO lado escuro do rock: você acredita em magia negra?5000 acessosMomentos bizarros: histórias de Ozzy, Stones, Who e outros5000 acessosJack Bruce: "Foda-se o Led Zeppelin, eles são um lixo!"5000 acessosGhost: O inacreditável bolo de aniversário de Papa Emeritus5000 acessosNightwish: "Vendemos mais na minha época que na anterior"

Sobre De Paiva

Autor sem foto e/ou descrição cadastrados. Caso seja o autor e tenha dez ou mais matérias publicadas no Whiplash.Net, entre em contato enviando sua descrição e link de uma foto.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online