Resenha - Joe Lynn Turner & Tony Martin (Bar do Tom, Rio de Janeiro, 29/06/2008)

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Por Rodrigo Werneck
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Uma espécie de sopro renovado de ar vem sendo jogado sobre o público brasileiro de hard rock e heavy metal nos últimos tempos, com a criação de um cenário underground de shows internacionais de rock pesado. Nomes como Jeff Scott Soto (ex-Journey, Yngwie Malmsteen, Talisman) e Jimi Jamison (ex-Survivor) se apresentaram há pouco tempo por aqui, e agora foi a vez de Joe Lynn Turner (ex-Rainbow e Deep Purple) e Tony Martin (ex-Black Sabbath).

Fotos: Henri Matthes

Mesmo sem serem os maiores expoentes vocais das bandas das quais fizeram parte, é inegável que tenham sido responsáveis por bons registros, normalmente em anos mais obscuros dos citados lendários grupos. Para acompanhar ambos os vocalistas nos shows por essas terras, uma banda fixa foi montada, incluindo os músicos brasileiros Davis Ramay (guitarra solo), Diego Padilha (baixo) e Riq Ferris (backing vocals), todos membros da banda carioca Snow. Junto de Tony Martin, tocaram ainda o tecladista Geoff Nicholls (ex-Black Sabbath), o baterista Danny Needham e o guitarrista (também brasileiro) Lucas Souza. Já com Joe Lynn Turner, o trio fixo foi complementado pelo baterista André Andrade (da banda Stalker) e pelo tecladista Bruno Sá (do Allegro).

Após atraso decorrente de alguns problemas técnicos com o notebook de Tony Martin, que continha algumas bases pré-gravadas, efeitos e afins, o show pôde enfim começar. O público era reduzido, entre 100 e 200 pessoas, em parte explicado por ser um domingo à noite, e em parte pelos vocalistas não terem de fato atraído tanto público quanto os organizadores gostariam. Independentemente disso, de resto tudo correu conforme o esperado. A banda de apoio era bastante competente, e ensaiou bem o repertório. O guitarrista Davis Ramay tirou um timbre muito próximo ao de Tony Iommi com sua Les Paul dourada, tanto nas bases quanto nos solos, e o resto da banda segurou bem a peteca. O baterista Danny Needham manteve uma pegada pesada, levando bem as partes originais de Cozy Powell e Bob Rondinelli. Geoff Nicholls nunca foi um tecladista de muitos malabarismos, limitando-se a preencher os espaços com climas e bases. Entretanto, mostrou muita simpatia, cantou junto em vários trechos, e estava nitidamente satisfeito em estar fazendo parte da “festa”.

O repertório foi baseado nos (ótimos) discos do Black Sabbath lançados entre 1987 e 1990 (“The Eternal Idol”, “Headless Cross” e “Tyr”), e no bom “Cross Purposes”, de 1994. O britânico Martin surpreendeu com vocais muito bons, atingindo quase os mesmos tons originais, em excelente performance durante toda a sua apresentação. O público acompanhou a maioria das músicas e vibrou bastante com pérolas esquecidas como “Devil And Daughter”, “Eternal Idol” e “The Shining”, cujo videoclipe passou bastante na MTV daqui, na época de lançamento do disco “The Eternal Idol”.

Tony também fez parte por um tempo do projeto Empire, capitaneado pelo guitarrista Rolf Munkes e contando também com o baixista Neil Murray (ex-companheiro de Martin e Nicholls no Sabbath). “The Raven Ride” (de 2006) foi o segundo álbum de Martin no Empire, e o terceiro da banda, e dele apresentaram “Breathe” e a faixa-título, que lembra bastante seus tempos de Sabbath. De seu disco solo “Scream” (de 2005), Martin apresentou “Raising Hell” e a contagiante faixa-título, na qual incendiou o local com um bom e inusitado solo de violino elétrico.

O bis foi muito bem escolhido, abrindo com a introdução instrumental “The Gates of Hell” e seguindo com a dobradinha “Headless Cross” e a instigante e soturna “When Death Calls”, que fechou sua apresentação de cerca de 1:15h com chave de ouro. Alguns vídeos amadores gravados no show podem ser vistos no YouTube. (1, 2).

Após os 30 minutos habituais de preparação para o show seguinte, o norte-americano Joe Lynn Turner subiu ao palco. Davis Ramay trocou de guitarra, passando a empunhar uma Strato, assim como o baixista Diego, que passou de 5 para 4 cordas, tocando um baixo mais básico (um Precision). A banda, entretanto, parecia estar mais ensaiada para o repertório de Martin, ou talvez por conta do estilo diferente (menos heavy, mais hard) tenha se saído melhor no primeiro show. O vocalista de apoio Riq Ferris teve boa participação em ambos os concertos, embora nesse segundo ela tenha sido mais notada, com mais espaço dado pelo próprio Turner. O repertório mesclou temas mais antigos da época em que Joe fez parte do Rainbow, na primeira metade dos anos 80, com material solo e ainda uma música (“King of Dreams”) de seu único disco com o Deep Purple, o apenas mediano “Slaves And Masters”, de 1990.

Os trabalhos foram abertos com um petardo da época do Rainbow, “Death Alley Driver”, que conquistou o público logo de cara. Deu para notar que a voz de Turner estava em boa forma, algo nem sempre verdadeiro no decorrer de sua carreira (talvez por não estar tão “inchado” quanto no passado, embora ostentasse ainda uma senhora barriga). Seguiram com boas versões para outras do Rainbow em sua faceta mais comercial, mas mesmo assim de qualidade: “I Surrender”, “Stone Cold”, “Can't Let You Go”, “Power” e “Street of Dreams”. Pena que não incluíram “Tearin’ Out My Heart”, uma das melhores dessa época. Dos discos solo de Joe, foram tocadas “Power of Love” (do álbum “The Usual Suspects”, de 2005), “Losing You”, “Prelude / Endlessly” e “The Race Is On” (as 3 do disco “Rescue You”, de 1985), e “Blood Red Sky” (de “Second Hand Life”, de 2007). Do projeto Sunstorm foi tocada a faixa “Keep Tonight”. Os fãs mais aguerridos se deliciaram com a escolha do repertório.

Solos de alguns integrantes criaram pequenos intervalos para Turner descansar. Curiosamente, o solo de teclado do talentoso Bruno Sá lembrou bastante (por coincidência ou não) os que alguns tecladistas do Rainbow costumavam fazer em shows, em especial David Stone e Paul Morris.

Uma das melhores do Rainbow nos anos 80, “Spotlight Kid” acelerou novamente as coisas, mantendo o público no pique, apesar da adiantada hora. Já da curta passagem de Turner pela banda de Yngwie Malmsteen (época do disco “Odyssey”), rolou “Déjà Vu”, bastante festejada pelos fãs, que cantaram junto. Para fechar a noite, já invadindo a madrugada da segunda-feira, rolou “Burn”, do Deep Purple, com vocais divididos entre Turner e Riq. Apesar de não ser originalmente de sua fase no Purple, era tocada com ele, e fez parte também do repertório da primeira visita da banda ao Brasil (com Turner), em 1991. Mais um fecho em grande estilo, num show que ultrapassou 1:30h de duração, deixando todos os presentes mais do que satisfeitos com o retorno pelo dinheiro empregado. Alguns vídeos desse show também podem ser conferidos no YouTube (1, 2).

Setlist – Tony Martin:

- Lawmaker
- Devil And Daughter
- Eternal Idol
- The Hand That Rocks The Cradle
- I Witness
- The Raven Ride
- Breathe
- Scream
- Raising Hell
- The Shining
- The Gates of Hell / Headless Cross
- When Death Calls

Setlist – Joe Lynn Turner:

- Death Alley Surrender
- I Surrender
- Power of Love
- Stone Cold
- Losing You
- Keyboards Solo / Can't Let You Go
- Keep Tonight
- King of Dreams
- Power
- Prelude / Endlessly
- Guitar Solo / Blood Red Sky
- Street of Dreams
- The Race Is On
- Spotlight Kid
- Déjà Vu
- Burn

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Sobre Rodrigo Werneck

Carioca nascido em 1969, engenheiro por formação e empresário do ramo musical por opção, sendo sócio da D’Alegria Custom Made (www.dalegria.com). Foi co-editor da extinta revista Musical Box e atualmente é co-editor do site Just About Music (JAM), além de colaborar eventualmente com as revistas Rock Brigade e Poeira Zine (Brasil), Times! (Alemanha) e InRock (Rússia), além dos sites Whiplash! e Rock Progressivo Brasil (RPB). Webmaster dos sites oficiais do Uriah Heep e Ken Hensley, o que lhe garante um bocado de trabalho sem remuneração, mais a possibilidade de receber alguns CDs por mês e a certeza de receber toneladas de e-mails por dia.

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