Resenha - Marilyn Manson (Via Funchal, São Paulo, 26/09/2007)

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Por Fernão Silveira
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São Paulo assistiu nesta quarta-feira à noite a um dos shows mais esperados e valorizados (literalmente, em termos financeiros também) de 2007: MARILYN MANSON. Pois o "Anticristo Superstar", que hoje vive uma fase muito mais reflexiva (e menos porrada) em sua carreira, cumpriu estritamente o papel que se esperava e apresentou aos fãs que tomaram a Via Funchal um show profissional, energético e correto – embora bastante carente de recursos visuais e muito curto (só 1h20 de música).

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Quem - como eu - leu algumas críticas "especializadas" (leia-se: da chamada "grande imprensa") do show que Manson e trupe fizeram na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, na véspera (terça-feira, 25/9), talvez tenha chegado à Via Funchal com expectativas muito mais modestas - como eu, confesso. Mas MARILYN MANSON fez um bom show em São Paulo, provavelmente melhor que o do Rio – embora eu não tenha assistido ao show carioca (seria legal, ler no fórum do Whiplash!, as opiniões dos nossos amigos da Cidade Maravilhosa...)

No show de São Paulo - ao contrário do que ocorreu no Rio, com a queda de energia que interrompeu o espetáculo por quase 10 minutos -, tudo correu bem. Manson até que interagiu com a platéia, que era formada majoritariamente por jovens (muitos pré-adolescentes) fantasiados como ele. E a banda caprichou no som, mostrando uma boa pegada no palco.

A apresentação foi aberta com "If I Was Your Vampire", do mais recente álbum, "Eat Me, Drink Me". O aperitivo foi okay, mas o show só pegou fogo quando Manson disparou "Disposable Teens" e "Mobscene", os primeiros hits a fazerem o chão da Via Funchal tremer.

Para apresentar ao público paulistano as músicas de seu novo trabalho, que é menos impactante que os demais (e bem pior, segundo a opinião da maioria dos fãs mais antigos), Manson apelou à estratégia de intercalar hits marcantes com faixas mais lentas de "Eat Me, Drink Me". Foi assim que a Via Funchal recebeu músicas como a boa "Putting Holes in Happiness", "Just a Car Crash Away" e "Heart-Shaped Glasses (When the Heart Guides)".

Mas o que pagou o ingresso foi a exibição dos grandes hits de Manson. "Sweet Dreams (Are Made of This)", por exemplo, foi cantada em coro, assim como "Fight Song", "Rock is Dead", "Reflecting God" e "Dope Show". Pena que o bis tenha sido tão magrinho – apenas "The Beautiful People" foi executada, pulando a nova "Are You the Rabbit?" (de "Eat Me, Drink Me").

O pouco tempo de show e a total ausência de recursos cênicos – o fato de Manson ter trocado 'n' vezes de chapéus e casacos não conta – certamente foram notados, ainda mais por fãs que se acostumaram a ver (por DVD ou pelo YouTube) clipes e shows performáticos, incendiários e iconoclastas do roqueiro americano.

Talvez essa economia de extravagâncias seja proposital, querendo Manson mostrar que sua nova fase é muito mais "séria" e focada no som. Mas, convenhamos, o velho "Anticristo Superstar" era muito mais divertido do que esse vampiro blasé que o Brasil viu nesta turnê de 2007.

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Sobre Fernão Silveira

Paulistano, são-paulino, nascido nos "loucos anos 70" (1979 ainda é década de 70, certo?) e jornalista. Sua profissão já o levou a cobrir momentos antológicos da história da humanidade, como o título paulista do São Caetano, a conquista da Copa do Brasil pelo Santo André, a visita de Paris Hilton a São Paulo e shows de bandas como Judas Priest, Whitesnake, W.A.S.P., Megadeth, Slayer, Scorpions, Slipknot, Sepultura e por aí vai. Ainda tem muito gás para o nobre ofício jornalístico, mas acha que não vai muito mais longe depois de ter entrevistado Blackie Lawless, Glenn Tipton, Rogério Ceni e, claro, Paris Hilton.

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