Marilyn Manson: Em São Paulo, show tecnicamente bom e sem bizarrices

Resenha - Marilyn Manson (Via Funchal, São Paulo, 26/09/2007)

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Por Otávio Augusto Juliano
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Quem se acostumou a assistir clipes e apresentações ao vivo de Marilyn Manson no passado, certamente se decepcionou com a apresentação do artista na sua segunda aparição em território brasileiro (havia tocado no Rio de Janeiro, na noite anterior).

Mas para quem tem acompanhado as últimas notícias ligadas à carreira do cantor e ouviu o seu novo álbum, o recém-lançado no mercado nacional, "Eat Me, Drink Me", um show sem grandes bizarrices em cima do palco já era esperado.

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Manson parece viver uma fase de amadurecimento e tem deixado de lado todo aquele aparato que já o acompanhou em outras oportunidades nas apresentações ao vivo, buscando "chocar" a platéia e a crítica apenas com sua música e nem tanto com o visual.

Marcado inicialmente para às 22h, Marilyn Manson somente "deu as caras" na Via Funchal com pouco mais de meia hora de atraso, portando um microfone em forma de faca. Num clima sombrio de escuridão, apenas com luzes vermelhas iluminando o palco, ouviu-se uma introdução de piano, seguindo-se com "If I Was Your Vampire", música melosa e arrastada do seu disco novo – uma escolha, digamos, não muito acertada para a abertura do show. De qualquer forma, a sua entrada no palco foi suficiente para arrancar gritos da Via Funchal praticamente lotada, em sua maioria por fãs trajados ao "estilo Manson" de se vestir.

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A compensação para esse início mais calmo não demorou a vir, logo com a segunda e terceira músicas executadas, a enérgica "Disposable Teens" e a não menos potente "mOBSCENE", com Manson incorporando visual de um "gângster" nessa última.

Na seqüência, como sempre faz em seus shows, Manson berrou as frases "We Hate Love, We Love Hate", dando início à execução de "Irresponsible Hate Anthem". O som da Via Funchal estava suficientemente alto e ouvia-se muito bem o vocal de Manson. Ele mostrou que mesmo aos quase 40 anos ainda mantém uma voz potente e consegue dar muito bem conta de cantar suas canções ao vivo.

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Pretendendo divulgar seu último trabalho lançado, mais uma música do disco "Eat Me, Drink Me" foi tocada, a também arrastada "Just a Car Crash Away", a exemplo da música de abertura do show. Depois foi a vez de uma espécie de "medley", contendo a canção cover "Sweet Dreams" (originalmente gravada pelo Eurythmics) e a ótima "Lunchbox", que outrora já ganhou versão alongada ao vivo, como se ouve no CD "The Last Day on Earth" e dessa vez ficou relegada a apenas um trecho. Uma pena, porque a introdução da música, com riffs marcantes de guitarra, acabou não sendo executada.

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No intervalo entre essas músicas, Manson, que até então não havia interagido muito com a platéia, "dividiu" a Via Funchal em dois grandes blocos, para puxar um coro de "Yeah Yeah Yeah", pedindo a participação do público (que correspondeu, obviamente).

A empolgante e de letras fortes "The Fight Song" e mais duas músicas do álbum novo – "Putting Holes In Happiness" e "Heart-Shaped Glasses" – vieram em seguida. Essas duas últimas, ao contrário das demais do disco "Eat Me, Drink Me", foram muito bem vindas e melhor aceitas pelo público, talvez pelo fato de destoarem um pouco do clima sombrio e triste que impera no mais recente álbum de Manson. "The Dope Show", um dos grandes sucessos de Marilyn Manson, a rápida "Rock Is Dead" (para mim, uma das melhores dessa apresentação) e "The Reflecting God" fizeram o fechamento do show.

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Isso mesmo, fechamento! Claro que teve o esperado "bis" (após intervalo de quase 10 minutos), com o grande hit "The Beautiful People", mas a apresentação foi curta e "econômica" mesmo, com pouco mais de uma hora de duração.

Ao todo, foram 14 músicas e tenho certeza de que muitos pedidos ficaram engasgados na garganta dos fãs, como as ausentes "I Don`t Like The Drugs (But The Drugs Like Me)", o cover de "Tainted Love" e "Antichrist Superstar", dentre muitas e muitas outras.

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Enfim, a apresentação de Manson em território paulistano passou longe daquelas que compuseram as imagens mostradas no DVD "Guns, Gods and Government World Tour", por exemplo, no qual sobraram efeitos visuais e cênicos.

De qualquer forma, o show foi tecnicamente muito bom, a qualidade do som agradou e, se não serviu para saciar toda a vontade dos fãs brasileiros, certamente deixou sua marca e a esperança de uma nova visita do anticristo superstar ao país.

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Acompanharam Marilyn Manson com bastante competência, o guitarrista Tim Sköld, o baixista Rob Holliday, o tecladista Chris Vrenna e o baterista Ginger Fish.



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Sobre Otávio Augusto Juliano

Otávio é paulistano, tem 29 anos e faz algo nada a ver com o Rock: é advogado. Por gostar muito de música e não possuir talento algum para tocar instrumentos musicais, tornou-se um comprador compulsivo de cds. Sempre interessado em leitura ligada ao Rock e Metal, começou a enviar algumas pequenas colaborações para a Whiplash e hoje contribui principalmente com textos relacionados ao Hard Rock, estilo musical de sua preferência. De qualquer forma, é eclético e não dispensa álbuns de todas as demais vertentes do Metal, sendo fã incondicional de W.A.S.P., Mötley Crüe e dos trabalhos do guitarrista Steve Stevens.

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