Resenha - VI Extreme Metal Fest (Lapa Multishow, Belo Horizonte, 09/06/2007)

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Por Maurício Gomes Angelo
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Pela primeira vez em Belo Horizonte, o festival Extreme Metal Fest, que já trouxe ao Brasil bandas como Vader, Candlemass e Wasp, chegou à sua sexta edição com um cast respeitável, tendo como headliners dois ótimos exemplos do melhor que os Estados Unidos legou ao metal. Sadus e Obituary representam com maestria o thrash/death feito naquelas terras, de onde surgiram inúmeros expoentes do estilo.

Fotos: Thiago Sarkis

E, sendo a capital mineira tradicional celeiro de público e bandas extremas, soa até estranho que o festival não tivesse vindo para cá anteriormente. O sucesso de público, portanto, se confirmou: um Lapa Multishow consideravelmente cheio. Infelizmente não pude conferir a apresentação dos suecos do Watain, assistindo somente o final. Mesmo assim, a impressão deixada foi positiva. Um black metal seco, calcado em riffs e bases de boa desenvoltura instrumental somado a vocais cuspidos e trigger usado com moderação. Sem floreios desnecessários, o Watain parece saciar aos aficionados por um black mais puro e tradicional.

Após um breve intervalo, Steve Digiorgio, Darren Travis e Jon Allen sobem ao palco para divulgar seu último trabalho de estúdio após 9 anos, “Out For Blood”. Mesmo sempre passando à margem do sucesso e reconhecimento de outros grupos da mesma época, o Sadus produziu uma discografia consistente, com alguns clássicos, além da inquestionável sonoridade. Impressiona o estrago que este power trio faz. A tríade de abertura, chegada ao ápice com a fenomenal “Sick”, nos suga diretamente para a essência do thrash metal, no que de menos assoviável e brutalmente ríspido ele proporciona.

As paradinhas de Allen fazem a cama perfeita para o ritmo insano das palhetadas de Travis e o baixo preponderante de Digiorgio. Impossível, aliás, não abrir parêntese para um monstro deste porte. Não bastasse ter feito parte duma das mais perfeitas bandas extremas de todos os tempos, sendo fiel companheiro do gênio Chuck Shuldiner, fora Autopsy, Testament, entre outros, Digiorgio é duma simpatia admirável. Entretendo a platéia inclusive nos diversos momentos que o som falhou no início do show, obrigando-os até a reiniciar algumas músicas.

Quando puxou o coro de “fila da puta”, então, dizendo que “estou testando meu português”, a platéia já estava ganha. Com “The Wake”, do “Swallowed in Black”, a coisa começava a se firmar na história. “Freedom”, dedicada a Chuck, foi outro destaque, simbolizando a excelência do material mais recente, base da maioria do set. Na hora em que Steve começou a fazer uso do teclado, elemento incomum no ambiente, alguns fãs mais radicais podem virar a cara. Espero que não tenha a ver, mas isto jamais pode servir de justificativa para alguns acéfalos que atiraram latinhas no palco por diversas vezes, inclusive no show do Obituary. Comportamento patético e inaceitável de seres que sequer sabem onde ficam os próprios colhões.

Alheio a isto, o Sadus destruiu em performances impecáveis e de técnica acima do comum. Técnica esta jamais gratuita, mas trabalhando em prol da destruição sonora. E sempre é saudável ver uma banda clássica, ciente de todas suas possibilidades, buscar ultrapassar as amarras de um estilo, experimentando com consciência e equilíbrio, não manchando o cerne de sua força e principais características. Os hinos “Throught The Eyes Of Greed”, “Sadus Attack” e “Certain Death” fecharam a participação, provando que a banda, além de ter uma atuação excepcional ao vivo, ainda tem muitas idéias pra queimar.

Chegara a hora do Obituary. A capa de “Frozen In Time”, último álbum de estúdio, feita pelo mais que reverenciado Andreas Marshall, ornamentava o palco. A dobradinha “Redneck Stomp” (instrumental) / “On The Floor”, mesma abertura do CD citado, abriu caminho para a entrada do folclórico vocalista John Tardy. Para quem conheceu o grupo através do clip de “Don’t Care” – inexplicavelmente não executada – que costumava passar na época em que a MTV ainda era um canal de música, Tardy tem um comportamento familiar: andando inquieto de um lado para o outro, como se não houvesse lugar para ele no palco e urrando com inquestionável competência.

Mesmo sem a importante participação do guitarrista Allen West (que está preso nos Estados Unidos), comprometendo os solos, Trevor Peres conseguiu sem dúvida suprir esta falta. O punch demonstrado em pauladas como “Chopped In A Half” não deixava sequer tempo para raciocinar. Frank Watkins dava sua boa contribuição no baixo, enquanto Donald Tardy, este sim, deixava dúvidas do caráter homo sapiens de sua constituição. Bumbos duplos impressionantes, mas não se restringindo somente a isso: explorava todo o kit, trabalhava em tempos complexos e mantinha o ritmo mais cadenciado e cerebral que o death metal do Obituary sempre primou. A seqüência com “Turned Inside Out” e “Threatening Skies” – esta sim quase um autêntico “speed” – foi simplesmente arrasadora.

Quando John disse, “peço desculpas por termos demorado quase 20 anos para estar aqui”, o perdão já estava dado através de muitos mosh’s, stage dives e reverências agradecidas do público, extasiados por poderem ver, ao vivo, um dos maiores nomes da cena extrema com sua formação clássica quase completa. A recompensa seguiu com “By The Light”, uma de minhas favoritas, assim como “Dying” e “Find The Arise”, inesquecíveis. Algumas peças que fazem o Obituary se destacar em meio a tantos grupos, reforçando seu status.

O novo material também foi facilmente aprovado em “Back Inside”, “Stand Alone”, “Lockjaw” e “Slow Death”, totalizando seis obras de “Frozen In Time”. Nem o solo de bateria de Tardy abriu espaço para reclamação, embora seu tempo poderia ser obviamente aproveitado de melhor forma. A arrastada “Til’ Death” fez a ponte para que a intocável “Slowly We Rot” fechasse o set. Deixando todos surpresos com o término abrupto, aproximadamente uma hora de show. Além de “Don’t Care”, faltaram peças como “Cause Of Death”, “Kill For Me”, “Final Thoughts”, “Buried Alive” e “Back To One”, para ficar só em algumas, e que saciariam a todos os presentes.

Ainda assim, Sadus e Obituary fizeram um evento único, em duas apresentações que estão sem dúvidas entre as melhores que já vi de bandas extremas. Dada a calorosa acolhida dos mineiros, provando também que BH pode sediar futuras edições do Extreme Metal Fest, espero que voltem novamente no futuro, desta feita, quem sabe, com um set maior e a formação completa, no caso do Obituary.

Thrash Til' Death!

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Sobre Maurício Gomes Angelo

Jornalista. Escreve sobre cultura pop (e não pop), política, economia, literatura e artigos em várias áreas desde 2003. Fundador da Revista Movin' Up (www.revistamovinup.com) e da revrbr (www.revrbr.com), agência de comunicação digital. Começou a escrever para o Whiplash! em 2004 e passou também pela revista Roadie Crew.

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