Resenha - The Cult (Credicard Hall, São Paulo, 08/12/2006)

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Por Otávio Augusto Juliano
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Segunda apresentação da turnê “A Return To Wild” em território paulistano, a primeira impressão de quem chegou ao Credicard Hall um pouco mais cedo – o show estava marcado para 22h00– foi a de que a presença de público não seria marcante.

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Mas não foi isso o que aconteceu. Por volta de 22h00 público já ocupava praticamente todos os espaços da pista e os primeiros riffs de “Lil` Devil” foram executados com a casa cheia.

Essa foi a música que abriu o show, marcada pelo excelente som tirado da guitarra de Billy Duffy. Seguiram-se “Sweet Soul Sister” e “Electric Ocean”, mostrando que o show seria um desfile dos principais clássicos da banda, lançados ao longo de mais de 20 anos de carreira. Ian Astbury, com sua tradicional bandana, entrou agitando logo de cara, não ficando parado um minuto sequer.

O público, na sua grande maioria, estava representado por fãs de 30 a 40 anos de idade, até mesmo porque os principais álbuns da banda foram lançados e comercializados na década de 80 e início dos anos 90, época em que esses fãs ou eram adolescentes ou vivenciavam a transição do colégio para a faculdade.

Com os primeiros acordes de baixo executados por Chris Wyse, todos os presentes puderam perceber que a quarta música da noite seria “The Witch”, canção que agitou quem ainda estava parado. Veio então a clássica e de refrão pegajoso “Spiritwalker”, cantada por todos e encerrada com um “obrigado”, gritado por Ian Astbury.

Alguns segundos para respirar e todos os presentes já estavam ouvindo “Revolution”, música que é uma grande viagem e faz parte de um dos principais álbuns do The Cult, o clássico “Love”, de 1985. Depois foi a vez de John Tempesta (ex-White Zombie) deixar claro qual seria a próxima canção do "setlist", ao introduzi-la com batidas de bumbo e a alternância ritmada das baquetas nos pratos. Sim, se você pensou em “Rain”, acertou na mosca. Particularmente, achei um dos pontos altos do show, numa performance arrasadora da banda, com vocal e agitação do Ian em perfeita sintonia com os demais músicos e o público em geral. Aqui vale salientar a qualidade de Tempesta na bateria – toca forte e parece fazer parte da banda há muitos anos, embora tenha assumido esse posto somente no início de 2006.

Só por essas sete primeiras músicas, executadas de forma intensa e emocionante pelo grupo, já se via que o concerto seria realmente marcante. E prosseguiu com um pequeno solo de guitarra de Billy Duffy, seguido pela canção “The Phoenix”.

Ressalto ainda que Ian se sai muito bem ao vivo com o pandeiro em mãos, ficando visual e sonoramente interessante a utilização desse instrumento de percussão em canções de Rock, como as tocadas pelo The Cult. A utilização do pandeiro nas músicas e apresentações da banda já é mais do que uma marca registrada e deu um toque de qualidade adicional ao espetáculo.

Depois de uma pequena pausa, apenas Ian e Billy retornaram ao palco, sentados em bancos, para um set acústico de voz e violão. E vieram “Star” e a mais do que clássica balada “Edie (Ciao Baby)”, momento ideal para acender isqueiros e acompanhar com as mãos para o alto. No intervalo entre as músicas, Ian ainda achou uma brecha para comentar sobre um carrinho que havia sido jogado no palco no dia anterior, arremessando-o ao público em seguida. Aproveitou também para fazer referência ao pandeiro que tocava, insinuando como se a madeira utilizada na fabricação do instrumento tivesse sido extraída de matéria-prima da floresta Amazônia.

Guitarras “plugadas” novamente, vieram na seqüência “Fire Woman”, a não muito acompanhada pelo público, “Nirvana”, e as pesadas “Peace Dog” e “Rise”. Essas duas últimas com ótima atuação de John Tempesta, mandando muito bem no comando das baquetas. Aliás, “Rise” também foi um dos pontos altos de toda a apresentação, assim como a já citada “Rain”.

A essa altura uma bandeira do Brasil foi jogada no palco. Ian a abriu, mostrou ao público e comentou, juntamente com Billy Duffy, sobre uma das principais qualidades brasileiras: o talento para o futebol. Os dois chegaram inclusive a citar alguns nomes de jogadores, como os de Zico e Ronaldinho.

Pouco mais de uma hora transcorrida e o show foi encerrado em alto estilo com “Love Removal Machine”, música conhecida até por quem não curte a banda.

As luzes se apagaram por cerca de 10 minutos, deixando o público com grande expectativa de como seria o bis após essa longa pausa.

“Wildflower” foi a primeira escolhida para fazer parte dele, momento em que Ian sentou e começou a ouvir o público cantar, chegando a indicar que o "volume da galera" estava baixo (ao gritar “boring” algumas vezes), passando a pedir mais agito ao público paulistano. A “indignação” de Ian acabou sendo aliviada com a quebra de um pandeiro, que foi jogado no chão do palco.

Como era de se esperar, “She Sells Sanctuary” fechou a noitada que durou por volta de uma hora e meia.

Como se vê, todos os principais sons clássicos da banda estiveram no repertório. Talvez “Heart of Soul” poderia ser acrescentada e ainda “Painted On My Heart” (composta para a trilha sonora do filme “60 Segundos”, estrelado por Nicolas Cage e Angelina Jolie), música muito tocada nas rádios brasileiras, mas pouco presente em shows da banda pelo mundo.

Como ponto negativo apenas o fato de que o som do vocal não esteve perfeito em todos os momentos do show, chegando algumas vezes a quase sumir a voz de Ian Astbury, em meio a guitarras, demais instrumentos e o barulho do público. Mas nada que tenha estragado o espetáculo ou desanimado os inúmeros presentes, responsáveis por lotar o Credicard Hall.

Em resumo, um grande show, mostrando que Ian é um excelente e agitado "frontman", Billy Duffy detona na guitarra, Chris Wyse (baixo) e Mike Dimkitch (guitarra) são muito competentes e que John Tempesta justifica a sua escolha para assumir as baquetas de um dos maiores ícones dos anos 80/90.

Enfim, após mais essa apresentação da banda no Brasil, resta aos fãs esperar que o The Cult passe por aqui outras vezes, para possibilitar mais noites de “culto” ao bom e velho Rock n` Roll de qualidade.

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Sobre Otávio Augusto Juliano

Otávio é paulistano, tem 29 anos e faz algo nada a ver com o Rock: é advogado. Por gostar muito de música e não possuir talento algum para tocar instrumentos musicais, tornou-se um comprador compulsivo de cds. Sempre interessado em leitura ligada ao Rock e Metal, começou a enviar algumas pequenas colaborações para a Whiplash e hoje contribui principalmente com textos relacionados ao Hard Rock, estilo musical de sua preferência. De qualquer forma, é eclético e não dispensa álbuns de todas as demais vertentes do Metal, sendo fã incondicional de W.A.S.P., Mötley Crüe e dos trabalhos do guitarrista Steve Stevens.

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