Resenha - Deep Purple (Rio Centro, Rio de Janeiro, 01/12/2006)

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Por Rodrigo Scelza
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Pelo segundo ano consecutivo os "Dinossauros do Rock" se apresentam no Rio de Janeiro continuando a divulgação do seu último álbum “Rapture of The Deep”. Muitas surpresas rolaram e fizeram desse show um dos melhores da banda na cidade maravilhosa.

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Realmente é algo estranho uma banda de rock internacional tocar dois anos consecutivos no Brasil. Fora o Deep Purple, poucos, como o Focus, repetiram essa façanha. Sabemos das dificuldades de fazer shows de grupos de fora aqui e o Purple quebrou todas essas regras e detonou tudo e todos numa fria noite de sexta-feira.

Chegando ao Rio Centro, pra quem não conhece lugar onde rolam eventos como Bienal do Livro, Expo CD, Feira da Providência e etc... vimos poucas pessoas no estacionamento. É de conhecimento público que este local é de terrível acesso. Ônibus, apenas uma linha, mas que para de passar pelo local às 22h. Vans também complicadíssimo, e para um táxi, no mínimo 60 reais. Preço único de estacionamento, 15 reais. Mas a vontade de ver Mr. Gillan & cia era maior.

Entrando no pavilhão onde aconteceria o show vimos um lugar muito bem arrumado, com uma boa estrutura para abrigar um show de rock. A capacidade era estimada para umas 20.000 pessoas ou mais, e o que realmente aconteceu foram somente 4.000 pessoas entre pagantes e convidados.

Por volta das 23 horas as luzes se apagaram e uma introdução ecoava enquanto já se podia perceber a entrada dos músicos. Ao final desta “intro”, Paice puxa "Pictures of Home", gás fantástico para começar o show.

A exemplo dos outros shows no Brasil, o set-list foi praticamente o mesmo. A grande surpresa foi "Into The Fire", que não vinha sendo tocada. Versão maravilhosa com Gillan soltando os agudos de forma fantástica. Não é como 30 anos atrás, mas quem gosta da voz do cara sabe que ele aprendeu ao longo dos anos a lidar com esse problema, pois é impossível manter as notas altas durante todo esse tempo.

Um grata surpresa foi a performance de Roger Glover. Estamos acostumados a vê-lo um tanto calmo, ora ao lado da bateria de Paice, ora com chegadas à frente do público. Porém neste show o cara estava completamente alucinado: dançou, subiu em cima das caixas de som, foi pro meio do palco solar "Fireball" e a já citada faixa de abertura e até deu uma levantada no baixo, apontando-o pra galera naquele jeito Steve Harris de ser. Muito bom ver um excelente baixista como Mr. Glover com toda aquela vitalidade!

Do álbum "Rapture of The Deep" foram tocadas somente quatro músicas; a faixa-título, excelente com uma “vibe” que me lembra "Perfect Strangers"; "Things I Never Said", um tanto quanto obscura para os presentes, pois essa musica é um bônus das diferentes versões que foram lançadas deste disco; "Wrong Man", extremamente pesada, cuja versão ficou muito melhor que a gravada; e "Kiss Tomorrow Goodbye", boa música, mas que poderia ter sido trocada por outras melhores do próprio.

Uma curiosidade é o fato de que desde que o tecladista Don Airey entrou na banda a mesma não executa músicas dos dois primeiros discos com Steve Morse (“Purpendicular” e “Abadon”). Tudo bem que não são álbuns de grande impacto, mas músicas como a belíssima "Sometimes I Feel Like Screaming", "Ted The Mechanic" e "Cascades: I'm Not You Lover Now" poderiam facilmente estar sempre nos sets da banda. Isso é uma boa oportunidade para os que não conhecem dar uma checada no trabalho que Morse fez com a banda ao longo dos anos.

Falando sobre o próprio Morse, já é de conhecimento absoluto o quanto ele é um importante e excelente guitarrista. Mas infelizmente não é de meu agrado o que ele faz no Purple: solos completamente diferentes do que o Blackmore fazia. Okay, ele não quer copiar Ritchie, tem seu próprio estilo, mas que respeite então o som do Purple! Vinnie Moore que talvez seja melhor do que ele em técnica não mostra 1/3 do que sabe nos novos discos do UFO porque a música não pede isso, mas continua recebendo grandes elogios pelos excelentes álbuns que vem fazendo, respeitando sempre a influência hard setentista que caracteriza a banda.

Uma outra coisa lamentável é durante seus solos ficar tocando riffs ou frases famosas de outras bandas. E ainda tem gente que curte e aplaude! O cara puxou AC/DC, Beatles, Led Zeppelin, Lynyrd Skynyrd e, pra matar de vez, GUNS N’ ROSES!! Uma banda com mais de 30 anos de estrada se prestar a isso? Richie Blackmore não precisa ficar puxando riff de banda famosa para arrancar aplausos. Mas Blackmore é Blackmore, não adianta comparar.

O show seguiu de forma perfeita com várias versões inspiradíssimas como a bela "When a Blind Man Cries", com um show de Ian Gillan mostrando feeling nas improvisações feitas durante a música. "Perfect Strangers" é tocada seguida do excelente e já tradicional solo de Don Airey, puxando a entrada de “Mr. Crowley” (Ozzy), o tema de "Star Wars" e aBossa Nova em homenagem ao Rio de Janeiro. O seu nome para substituir o lendário Jon Lord foi a escolha perfeita; seus solos são de extremo bom gosto e ele é totalmente fiel aos solos nas músicas antigas. Seus dois discos com a banda até agora são muito bons.

À medida que se aproxima o final do set, os clássicos vão aparecendo em sequência; “Space Truckin'”, “Highway Star” e “Smoke on The Water” fecham a primeira parte.

Logo em seguida a banda volta com a maravilhosa versão de “Hush” passando para o solo de Ian Paice. Paice tem uma técnica de mãos absurdas, consegue ter pegada sem fazer força. Assim como no DVD “Perihelion”, ele começa a rufar com uma mão e com a outra coça a cabeça, simplesmente sensacional. Coloca muito baterista de metal melódico, que só pensa em treinar velocidade no pedal duplo (coisa que o ele também faz e muito bem) no chinelo.

Para encerrar a noite em grande estilo é executada "Black Night" acompanhada em uníssono pelos presentes.

Será sempre um motivo de alegria que o Deep Purple volte dez, quinze ou vinte vezes para o Brasil. Estaremos sempre à espera deles com Morse ou não.

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