Resenha - Gathering e Ashtar (Via Funchal, São Paulo, 03/03/2006)

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Por Alexandre Cardoso e Lidiane dos Santos
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Após muitos boatos e indefinições, chegou o dia para aqueles que há muito esperavam ver os holandeses do The Gathering no Brasil. Talvez por receio dos produtores locais, nunca aconteceram shows no país, já que é uma banda que, aparentemente, não tem porte para atrair tanto público e dinheiro como fazem Helloween ou Blind Guardian, por exemplo.

Os méritos vão para a Paradigma Assessoria de Comunicação que venceu as adversidades e marcou uma única data para a banda no Brasil. Quando anunciado, o show seria realizado no Olympia, mas como essa casa de show foi vendida para uma igreja evangélica, o evento foi transferido para a Via Funchal. Essa mudança causou um pequeno aumento no preço do ingresso, devido a maior capacidade de público que a casa comporta e a melhor qualidade acústica do local.

Os portões da Via Funchal abriram com certo atraso, às 20 horas, quando ainda estava rolando a passagem de som. Não havia muitas pessoas na fila, pois grande parte do público chegaria mais tarde, afinal, era uma sexta-feira e muita gente ainda deveria estar no trabalho ou no caótico trânsito da capital paulista.

A abertura da noite ficou por conta da banda carioca Ashtar, que fez ali sua estréia em São Paulo. A banda existe desde 1997 e, com álbum de estúdio nas costas (Urantia, de 2002), já fez duas turnês na Europa ao lado de bandas como Anathema, Mostly Autumn e Karnataka e também participou, em março do ano passado, do Baja Prog, no México, considerado o mais importante festival de progressivo do mundo.

A banda provou ser extremamente competente em quase uma hora de show, fazendo um heavy metal com elementos progressivos e muitas citações à música celta, utilizando instrumentos de sopro, violino e percussão. A boa receptividade do público aliviou o nervosismo do início do show, que contou com alguns problemas no som - infelizmente, algo que acontece bastante com bandas de abertura.

Fernanda Gollo tem uma bela voz e grande interpretação, fugindo do estigma de “musa” da maioria das bandas com mulheres nos vocais. O guitarrista Luiz Garcia, principal compositor da banda, mandou bem tanto nas seis cordas como na flauta e no theremin (um aparelho que emite sons de acordo com as ondas magnéticas emitidas pelas mãos de quem está utilizando o instrumento), além de cantar muito bem, tanto as partes gritadas quanto as mais limpas. O violinista Oswaldo Velasco é um monstro, dono de uma técnica invejável e que se utiliza de seu instrumento com muito bom gosto. A cozinha formada por Fábio Guilherme (baixo) e Daniel Dobbin (bateria) é precisa e toca com muito peso. E o tecladista inglês Rob Gould (antes convidado, e agora membo da banda) com uma presença discreta no palco, também mandou muito bem, criando o clima para as músicas sem ter necessidade de fazer uma colcha de retalhos de efeitos e notas. A banda contou com a participação do guitarrista Pedro Salles, da banda Avec Tristesse, cuja ligação com o Ashtar é de longa data.

Entre as músicas tocadas na noite, destaque para “Oblivious Scars” e “In Lament Cries the Night”, ambas do álbum Urantia , “Musical Priest”, uma empogante música típica celta, “Soaring”, presente no EP homônimo e “Daydreaming Past”, do novo álbum “From the other side”, ainda em pré-produção, com lançamento previsto para meados deste ano. Os covers para “Lótus Eaters”, do Dead Can Dance e um medley de “Shrould of False” e “Fragile Dreams” do Anathema, muito bem executados, agradaram em cheio ao público.

A alegria do Ashtar em estar ali era evidente o tempo todo, e a banda não se cansou de agradecer o público. Nada mais do que um reconhecimento merecido, de uma banda com muita qualidade, que honra o nome do Brasil no exterior e causou uma ótima impressão e com certeza, conseguiu novos fãs após essa grande apresentação.

Ao final da apresentação do Ashtar, o público que estava sentado e bem espalhado pela pista, começou a se levantar e a se aproximar do palco. A movimentação para os últimos ajustes durou pouco. O que foi interessante de se ver foi que os próprios músicos do The Gathering subiram ao palco para ajustar seus instrumentos, mostrando uma simplicidade raramente vista e também que há algo de muito pessoal no ajuste que cada um faz de seu equipamento.

Infelizmente, a Via Funchal não contava nem com a metade de sua capacidade, mas aqueles que lá estavam fizeram muito barulho para e pelos holandeses. Quando as luzes se apagaram, o público foi à loucura e “Liberty Bell”, do álbum “How to Measure a Planet”, abriu o show de forma empolgante, com todos os presentes cantando junto.

Desde aquele momento a vocalista Anneke van Giersbergen mostrou-se como a simpatia em pessoa, visivelmente encantada com a recepção e raramente o sorriso abandonou seu rosto. Toda a banda estava contente por tocar para um público muito diferente do europeu, que é mais contido, e sua música soava ainda mais intensa naquele momento.

The Gathering é uma banda que atinge cada fã de um jeito. A reação das pessoas às músicas vai desde um sorriso enorme por não acreditar estar assistindo sua banda favorita ao vivo até o choro mais desesperado, talvez pelo o que a música causa ou pela angústia de saber que talvez demore para a banda voltar por aqui. E tudo isso só na primeira música.

Ovacionados pela platéia, mandam na seqüência “Even the Spirits are Afraid”, presente no álbum “Souvenirs”. Ao término dessa música, Anneke cumprimenta e agradece o público, anunciando uma música do novo álbum “Home”(previsto para Abril desse ano): “Shortest Day”, disponível para download no site da banda.

O som da banda é muito rico, com diversas texturas sonoras, em especial de teclado. Bandas que tem um som, digamos, complicado como o The Gathering, sacrificam muitos arranjos na hora de reproduzir as músicas ao vivo. Os holandeses abrem mão de alguns elementos, mas a força e emoção que suas músicas possuem não se perdem, pelo contrário: intensificam-se. A banda soa mais orgânica em cima do palco e há um grande prazer de sua parte nesse ato, o que mostra que encaram sua música com muita paixão e honestidade. Afinal, de que outra maneira conseguiriam deixar toda platéia em êxtase como estavam?

René Rutten não é daqueles guitarristas tímidos que parecem não estar no palco. É discreto, porém simpático; digamos que ele tem um estilo elegante. Ele, membro chave da banda, tira o som que deseja de seu instrumento, mostrando que a ausência de uma segunda guitarra durante todo o tempo não torna o som impraticável.

“In Between”, outra bela canção do novo álbum “Home” manteve o público encantado pela banda, bem como “Analog Park”. Aos soarem as primeiras notas de “Saturnine”, o local veio abaixo. A música arrancou lágrimas de muitos, que sentiam cada palavra que Anneke cantava.

Um parágrafo seria pouco para escrever o quanto essa mulher tem de força em cima do palco. A pequena Anneke van Giersbergen torna-se uma gigante no palco; é dona de uma meiguice tamanha e hipnotizante. Sua simpatia está estampada no olhar, no seu rosto e nos seus gestos. Dona de uma voz privilegiada, seu cantar pode soar como um tapa no rosto ou um sussurar nos ouvidos. Ela até mesmo arriscou um trecho de “Aquarela do Brasil”, e conseguiu nada menos do que todos os aplausos possíveis do público.

Tanto Anneke quanto os outros membros da banda são impecáveis ao vivo. Tudo que se ouve e sente ao ouvir os álbuns se multiplica no show. Os teclados de Frank Boeijen soam ainda mais emocionantes e impactantes. Hans Rutten é só sorrisos enquanto bate com força e precisão em sua bateria e a baixista Marjolein Koojiman, a mais nova integrante da banda, é ótima nas quatro cordas e ainda por cima mandou bem nas guitarras durante “Strange Machines”.

As quase duas horas de show poderiam ser multiplicadas N vezes para os fãs da banda. Dentre as músicas que rolaram, ainda teve “In Motion #1”, “Eleanor”, “Travel”, entre outras, além do “bis” matador com “On Most Surfaces”(absurda ao vivo), Strange Machines e a longa Black Light District. A banda fez um set-list acertado para sua estréia no país, pois conseguiu mesclar sons de toda sua carreira, inclusive os do novo álbum, como se pode ver no set-list abaixo. Claro que sempre há aquele que pede uma ou outra música diferente, mas duvido que alguém saiu dali reclamando.

Mesmo a baixa presença do público não tirou o brilho da primeira e única apresentação dos holandeses do The Gathering no Brasil, que surpreendeu a todos com um show acima das expectativas e que também foi, com certeza, surpreendido por uma excelente receptividade. Resta apenas aguardar por um retorno da banda às terras tupiniquins, para uma turnê mais extensa e que não demore tanto tempo para se concretizar.

SET-LIST ASHTAR:

1 - Urantia
2 - Soaring
3 - Oblivious Scars
4 - Musical Priest
5 - Lotus Eaters (cover do Dead Can Dance)
6 - Gravel Walk
7 - Shrould of False / Fragile Dreams (covers do Anathema)
8 - In Lament Cries the Night
9 - Daydreaming Past

SET-LIST THE GATHERING:

1. Liberty Bell
2. Even The Spirits Are Afraid
3. Shortest Day
4. In Between
5. Analog Park
6. Saturnine
7. Probably Built In The Fifties
8. Broken Glass
9. In Motion #1
10. Eléanor
11. A Noise Severe
12. Souvenirs
13. Travel
14. On Most Surfaces
15. Strange Machines
16. Black Light District

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