Resenha - Tribuzy (Credicard Hall, São Paulo, 11/11/2005)

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Por Alexandre Cardoso
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Um show que consegue reunir, num só dia, grandes nomes do heavy metal mundial com certeza não é uma oportunidade que se pode dar o luxo de perder (ainda por cima, aqui no Brasil). No entanto, poderia somente a presença desses convidados fazer mesmo esse show valer a pena?

Fotos: Valéria Alves

A expectativa que se criou com o projeto Execution, idealizado pelo ex-vocal do Thoten, Renato Tribuzy, era muito grande, já que mesmo sendo um estreante, conseguiu reunir convidados como Kiko Loureiro (Angra), Chris Dale e Roy Z (da banda de Bruce Dickinson), Roland Grapow(ex-Helloween, Masterplan), Ralf Scheepers e Mat Sinner (Primal Fear), Michael Kiske (ex-Helloween, Supared) e Bruce Dickinson (Iron Maiden). Muitos duvidavam que o cara conseguiria fazer o álbum. E ele fez. Outros tantos torceram o nariz quando souberam que ele queria fazer um show trazendo todos esses convidados para cá, gravando um álbum ao vivo. E ele trouxe. Mas nem tudo é um mar de rosas.

Pra começar, o público não compareceu em grande número na sexta-feira, não atingindo nem a metade da capacidade do Credicard Hall. Provavelmente, a proximidade com o feriado fez com que muitos escolhessem viajar e não ficar na capital para os shows.

A casa estava com pouca gente quando Jeff Scott Soto subiu ao palco com sua banda pouco antes das 22hs. E não é à toa que ele é considerado a voz do hard rock: como canta esse cara! Soto é um grande vocalista (e também tocou baixo nas primeiras músicas), com inegável carisma e presença de palco. Sua banda é mais do que competente, pois além de músicos muito técnicos, não paravam de agitar no palco um minuto sequer. Em menos de uma hora, Jeff Scott Soto fez um show empolgante, tocando sons de sua carreira solo, do Talisman, do Steel Dragon (banda fictícia do filme ”Rockstar”, cujas músicas foram cantadas por ele), uma excelente versão para a música “Crazy” (originalmente gravada pelo cantor Seal), além de um belo momento acústico e um incrível medley de músicas funk dos anos 70!

Não se pode dizer que foi um mero show de abertura. O único problema do show do Jeff Scott Soto não veio do palco, mas sim do público. Composto em sua maioria por adolescentes, a galera não soube respeitar o grande músico que estava ali: gritavam “Ole, Ole, Ole, Ole... Bruce, Bruce”. No começo, Jeff levou isso na boa, afinal, ele sabia que as atenções estavam voltadas para Bruce Dickinson que, quer queira ou não, era a maior estrela da noite. No entanto, o impaciente público insistiu com isso e depois passou a fazer gestos obcenos com as mãos para Soto, que em determinado momento não se conteve e retribuiu o gesto enquanto cantava, quase no fim do show. Apesar dos pesares, Jeff vestiu a camisa da seleção brasileira (com seu nome nas costas) e afirmou que essa foi sua melhor passagem pelo Brasil até agora. Sem dúvida, o cara fez um show que surpreendeu muita gente e com certeza, vai ter muito adolescente se arrependendo mais tarde do que fez nessa noite.

Pouco mais de meia hora depois, após os tradicionais acertos de palco e a chegada de mais público, Renato Tribuzy entra no palco mandando a pesada e rápida “Agression”, conquistando a galera logo de cara, que acabou esquecendo a presença de Bruce Dickinson por um bom tempo. Tribuzy tentava agitar o público, mas suas palavras e seus trejeitos pareciam um pouco forçados; dava pra perceber que o cara estava nervoso. Afinal, ele tinha toda a responsabilidade de proporcionar aos presentes um show que correspondesse a toda a propaganda e expectativa que se criou ao redor dessa apresentação. Sua performance, além do visual, lembrava muito Bruce Dickinson, em especial à época do Iron Maiden na turnê do “Fear of the Dark”.

Tribuzy é um vocal de muita qualidade, apesar de abusar dos agudos em determinados momentos. Mas isso é algo padrão no estilo: ainda vai demorar muito pra que se perceba que cantar agudo não é a mesma coisa que cantar bem. A banda que o acompanha em sua turnê solo é formada por Frank Schieber (guitarra, ex-Thoten), Gustavo Silvera (guitarra), Ivan Guilhon (baixo) e Flavio Pascarillo (bateria).

Apesar de todo o esforço da banda para empolgar o público, este somente demonstrou maior entusiasmo com a presença dos convidados. Kiko Loureiro foi o primeiro a subir ao palco, sendo muito bem recebido em “Forgotten Time” e “Divine Disgrace”.

O carismático Mat Sinner, baixista do Primal Fear, dividiu os vocais com Renato Tribuzy em “Nature of Evil”, uma música do Sinner gravada no Execution. Os fãs de Primal Fear ficaram ainda mais contentes quando Ralf Scheepers subiu ao palco para cantar “Absolution”, que foi gravada por Michael Kiske no álbum de Tribuzy. Interpretação inspirada do gigante Scheepers, que arrancou inúmeros sorrisos de Tribuzy.

Na sequência, Tribuzy anuncia um cover do Primal Fear e ele deixa o público nas mãos de Ralf Scheepers e Mat Sinner, que junto com a banda de Tribuzy, tocam a porrada “Final Embrace” É impossível não comparar com a original e confesso que poderia ter soado bem melhor, pois além dos problemas no baixo e microfone de Sinner, a música soou um tanto quanto reta, perdendo as suas dinâmicas. Mesmo assim, o público foi ao delírio e cantou junto o tempo todo.

Roland Grapow sofreu um pouco com o amplificador de sua guitarra e ficou um pouco irritado, mas conseguiu levantar o público quando tocou a introdução de “Future World” (Helloween) e durante seu solo em “Web of Life”.

Depois de todos esses caras subirem ao palco, faltava um. Muita gente só foi ao show pela sua presença. Tribuzy convida Bruce Dickinson e Roy Z para subir ao palco e o lugar vem abaixo. Bruce parecia um pouco estranho, perdido em cima do palco. Quem já o viu ao vivo antes, tanto no Maiden como em show de sua carreira solo, logo percebeu que algo estava errado.

Para a maioria isso não importava, quem eles queriam ver estava ali. Apesar de todos estarem cantando “Tears of the Dragon” (executada numa versão diferente, apenas presente como lado B nos singles do álbum “Balls to Picasso”), Bruce ainda parecia puto com alguma coisa, pois estava cabisbaixo e andava lentamente de um lado pro outro, como se procurasse algo.

Renato anuncia “Beast in the Light”, música que ele canta junto com Bruce Dickinson no “Execution” e vemos um Bruce Dickinson ainda perdido: ele não sabia a letra da música. Por isso, nem se colocou à frente do palco, ficando do meio pra trás, onde podia ler os trechos numa folha colada no chão e algumas outras escritas nas costas da mão. Ainda assim, o público delirava.

Andreas Kisser (Sepultura) sobe ao palco e a banda, com quatro guitarras, manda “Be Quick or Be Dead”, do Iron Maiden. O som ficou muito embolado com tanta guitarra, e nenhum dos guitarristas fez os solos. Falta de ensaio ou não precisava de solo mesmo? Ainda assim, o público delirava.

Bruce Dickinson estava um pouco mais solto, mas ainda longe de ser aquele que se conhece por sua performance elétrica em cima do palco. Roy Z, muito pelo contrário, não parou quieto desde o momento que pisou no palco e era um dos que mais se divertia. Trocando poucas palavras com o público, Bruce anuncia a próxima do Maiden, “The Evil That Men Do”, tocada com seis (!!!) guitarras, com a adição de Roland Grapow e Kiko Loureiro. E mesmo com tantos guitarristas, nenhum fez o solo. Ralf Scheepers e Mat Sinner voltam ao palco para “Bring your daughter... to the slaughter” , que Bruce Dickinson disse ter escrito em uma ida ao banheiro.

Quase duas horas da manhã e Renato Tribuzy parecia que não ia dormir por um bom tempo, tamanha era a felicidade estampada em seu rosto. Foram ainda diversos “Muito obrigado” aos convidados e ao público antes das luzes se acenderem.

O show tinha tudo para ser um marco na história do heavy metal nacional. Presenciamos sim uma festa, mas muito bagunçada. Problemas no som, músicos irritados e nervosos, alguns sem saber o que fazer. E isso comprova que nem sempre a presença de artistas estrangeiros é a garantia de um grande show: acabou sendo aquém do esperado.

Não dá pra saber o que houve de errado e talvez nunca saibamos, pois são histórias que ficam apenas nos bastidores. Talvez tenha sido um passo ambicioso dado por Renato Tribuzy em sua curta carreira, mas mesmo assim ele merece aplausos por, pelo menos, ter se proposto a tal.

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