Nuclear Assault: Show inesquecível com o Sodom em Belo Horizonte

Resenha - Nuclear Assault (Armazzém, Belo Horizonte, 19/02/2005)

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Por Maurício Gomes Angelo
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Pela primeira vez em Belo Horizonte, Nuclear Assault e Sodom fizeram um show inesquecível capaz de reunir boa parte dos bangers "old-school" da capital mineira. A ansiedade e excitação eram visíveis nos olhares de todos. O Armazzém 841 (antiga Orion) recebeu um ótimo público, por volta de 1000 pessoas. E a casa, aliás, destaca-se por sua boa infra-estrutura e acomodações, oferecendo o conforto e a segurança
necessários.

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A celebração à música extrema da noite começou com o Drowned, reconhecida banda mineira de death metal, já tendo quatro trabalhos lançados no currículo. Apostando num estilo um pouco mais cerebral e menos veloz, com passagens cadenciadas intermeadas por mudanças harmônicas incomuns ao death metal, o Drowned levantou a galera com clássicos dos álbuns "Bonegrinder" e "Butchery Age" além de apresentar composições presentes em seu novo trabalho, "By The Grace Of Evil". Destaque para o baterista Beto Loureiro, constituindo o verdadeiro coração da banda, capaz de conduzi-los a uma apresentação marcante, embora falte uma presença de palco mais incisiva do grupo num todo.

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O próximo a se apresentar foi o Chakal, uma das primeiras bandas de metal do Brasil, surgida nos anos 80 (Abominable Anno Domini e Living With The Pigs significam alguma coisa pra você?), tendo a sua frente os trejeitos bem particulares e já conhecidos do vocalista Korg. Seu thrash metal velocíssimo e trabalhado de riffs arrebatadores arrancou as reações mais exaltadas da platéia, que acabou exagerando no "stage-diving", obrigando os seguranças a entrar em ação. As músicas de "Demon King", álbum recém lançado dos caras, demonstram maior potencial do que as do apenas mediano "Deadland" lançado em 2003. Foi a típica apresentação "thrash till’ death" oitentista que fez do Chakal um ótimo adicional ao cast da noite, mostrando que o prazer de fazer o que se faz continua intacto.

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Quase 10 anos depois de ter encerrado atividades, a banda responsável por clássicos como "Game Over", "The Plague" e "Handle With Care" vinha à capital mineira para mostrar como se faz música de verdade. E isto, John Connelly (guitarra e vocal), Danny Lilker (baixo), Glenn Evans (bateria) e Anthony Bramante (guitarra) sabem fazer muito bem. Thrash rápido e preciso, com refrãos maravilhosos, solos desconcertantes e o toque hardcore de sempre foi a tônica das músicas apresentadas, com destaque especial para as lacrimejantes "F# (Wake Up)" e "When Freedom Dies". O sempre simpático Danny Lilker (Anthrax, S.O.D, Brutal Truth e claro, Nuclear Assault), lenda viva do thrash mundial, guiou o Nuclear com seu baixo pulsante e certeiro, enquanto John Connelly deu o máximo de si, infelizmente atrapalhado por falhas técnicas em seu microfone mas que não comprometeram a apresentação destes queridos americanos. Fizeram referência ao tão aguardado novo álbum, dizendo que será lançado em breve e soltando um premonitório "espero que vocês gostem". A julgar pela história infalível do Nuclear e por esta apresentação matadora, as chances são realmente altas. Que venha o novo petardo!

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Apagam-se as luzes e depois de um bom tempo de preparação, eis que surgem em cena Tom Angelripper (vocal/baixo), Bernemann (guitarra) e Bobby (bateria), um power-trio de impor respeito, muito respeito!
Sem dúvida a banda mais esperada da noite e que tinha o público aos seus pés, centenas de bangers estampavam sua lealdade trajando camisas dos alemães e quando Tom começou a desferir seus intocáveis guturais a sensação de incredulidade nos presentes era geral. Som cristalino, perfeitamente audível, energia elevada a mil, perfeccionismo assombroso na execução, performance de palco exemplar e metal, metal de extrema qualidade! Os gritos de "olê, olê, olê, olê, Sodom, Sodom!" não demoraram a ecoar e a resposta da banda veio na mais alta categoria enlouquecendo Belo Horizonte com pedradas veementes como "Remember The Fallen" (do indescritível Agent Orange) e clássicos mais recentes como "Napalm In The Morning". A platéia acompanhava cada letra com uma dedicação incomum, coisa de fã extasiado mesmo. Noite mais do que especial, primeiro pelo aniversário de Tom Angelripper e segundo pelo anúncio de que estava sendo gravada para um futuro dvd.

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Mas especial mesmo foi o set-list apresentado pelo Sodom, calcado totalmente em seus álbuns clássicos, ou seja, "In The Sign Of Evil", "Obsessed By Cruelty", "Persecution Mania" e "Agent Orange". A força e pegada que tais músicas tomam ao vivo é impressionante, fazendo do Sodom uma das melhores bandas ao vivo do planeta. E aí meu amigo, não tem outro jeito, só nos resta bangear insanamente e levar os punhos ao alto para saldar pérolas brutais encantadoras como "Sodomy and Lust", "Witchhammer", "Outbreak Of Evil", "Agent Orange", "Sodomized" e "The Saw Is The Law". Além do inesperado cover de "Ace Of Spades" do Motorhead (estava torcendo para que tocassem "I’m a Rebel" do Accept, que fazem tão bem, mas não rolou). Comentar a performance técnica e a simpatia dos caras é covardia, simplesmente impecáveis. O primeiro show internacional da capital mineira não poderia ter sido melhor. Histórico e inesquecível me parecem insuficientes para defini-lo. 20 anos de espera recompensados da forma merecida.

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"The overkill is near
Nobody feel the heavy fear
Thousand megatons dynamite
Wait to kill one life

Burst command til war!
War, war, war
Burst command til war!"




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Sobre Maurício Gomes Angelo

Jornalista. Escreve sobre cultura pop (e não pop), política, economia, literatura e artigos em várias áreas desde 2003. Fundador da Revista Movin' Up (www.revistamovinup.com) e da revrbr (www.revrbr.com), agência de comunicação digital. Começou a escrever para o Whiplash! em 2004 e passou também pela revista Roadie Crew.

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