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Living Colour: Doze anos e quase três horas de espera

Resenha - Living Colour (Via Funchal, São Paulo, 17/04/2004)

Por Thiago Sarkis
Em 17/04/04

Fotos: Fernanda Zorzetto e Thiago Pinto Corrêa Sarkis

Doze anos e quase três horas de espera – o show estava programado para começar às 21:00 horas, e a atração principal subiu ao palco praticamente meia-noite – desde a primeira turnê do Living Colour no Brasil; longo e tenebroso período finalizado num show de músicos maduros, os quais souberam aproveitar o tempo que passaram afastados, e trouxeram suas experiências para formar (isso mesmo, não é um "reunir" como se vê por aí) uma banda que tem muito a fazer para quem gosta de música.

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Antes dos norte-americanos, porém, o público encarou o Moonrock, conjunto de abertura. Apesar de todos se perguntarem o que eles faziam ali, quem eram, entre outras coisas, o começo da apresentação foi interessante. Sintetizadores, efeitos eletrônicos, certo peso, além de baterista e baixista competentes. Tudo correndo tranqüilamente, e aí... "ih, fodeu, o vocalista apareceu". Trejeitos de Chorão do Charlie Brown Jr., vocal tão técnico e de qualidade quanto o do mencionado. Imagine você. Ele pulava, corria de um lado para o outro, fazia o diabo, e não tinha jeito; continuava ruim pra dar com o pau. Salvou-se com cover de Rage Against The Machine. Mais uma aventureira gafe de abertura, ou melhor, banda.

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Suplício encerrado, roadies no palco e já ali se via uma diferença brutal. O kit de Will Calhoun é um espetáculo por si só. Alta tecnologia também para os demais instrumentos, e computadores para todos os lados chamando a atenção. É equipamento de um conjunto de rock diferenciado, definitivamente, e o show e o uso de todas estas possibilidades comprovaram isto. Quem foi bater cabeça, deu de cara com a porta. Dançou, literalmente.

Não estava em São Paulo aquele grupo que dava sinais de cansaço e desgaste quando decidiu se separar em 1995. Tampouco aquele que começava a carreira em 1988 com "Vivid". É sim o Living Colour, mantendo raízes, porém afetado pelos projetos desenvolvidos por seus membros durante este período de "distanciamento". É a banda dos polêmicos "Trippy Notes For Bass" de Doug Wimbish e "Mistaken Identify" de Vernon Reid, além dos incríveis Jungle Funk e Vice. Nada de reunião convencional, apesar deles terem ganhado uma nota preta com o retorno. O quarteto mostrou que está junto novamente para se divertir, investir em novas idéias, experimentar.

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O show durou cerca de duas horas e meia, tendo por volta de dois mil e quinhentos espectadores. Dá pra ficar aceso o tempo inteiro? NÃO! Algumas jams se prolongam e o set list não colabora também. Músicas como "Funny Vibe", "Pride", "Desperate People" e "Release The Pressure" levantariam o público, mas ficaram de fora. Todavia, os músicos mantiveram uma qualidade tal que mesmo a mudança de foco de suas composições não é capaz de apagá-los individualmente e como conjunto. Você ganha um show de humores variados. Ora êxtase, ora mais parado, só observando; às vezes sorrindo, quem sabe dançando, pulando. Fica nas mãos do público guiar um pouco a apresentação, e isso fica bem caracterizado na mudança constante de set list durante a turnê.

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O novo álbum "Collideoscope", e sua abordagem política incisiva, sendo os membros do Living Colour anti-heróis americanos, esteve bastante presente, com destaque para a belíssima "Flying" e o cover de "Back In Black" do AC / DC. "Song Without Sin" e "In Your Name" também ganham pontos, especialmente pelas fortes letras.

Vale ressaltar a atuação de Corey Glover. Magnífico. Interpretando e cantando absurdamente bem. Presença de / no palco e fora dele, com dois ‘stage dives’ em "Cult Of Personality".

Os fãs puderam curtir também outros clássicos, como "Time’s Up", "Middle Man", "Ignorance Is Bliss", "Sacred Ground", "Love Rears Its Ugly Head", "Glamour Boys", "Open Letter To A Landlord", "Type" acelerada, e a insana "Elvis Is Dead".

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Certo, paramos aí, ou você pode esperar um show diferente do que de fato foi e / ou será. Tem solo de bateria, elementos eletrônicos adoidado, alguns exageros, passagens totalmente reggae, samba (sim, gringos que sabem tocar samba e bem), efeitos mil na guitarra e no baixo e até cover de "Seven Nation Army" do White Stripes. E hei de dar a mão à palmatória, pois não curti a idéia desta música no set list, mas a versão do Living Colour ficou fantástica.

Recomendável para fãs de música, não de rock ou metal especificamente. Cor viva, banda viva, música viva, não pararam no tempo.

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Sobre Thiago Sarkis

Thiago Sarkis: Colaborador do Whiplash!, iniciou sua trajetória no Rock ainda novo, convivendo com a explosão da cena nacional. Partiu então para Van Halen, Metallica, Dire Straits, Megadeth. Começou a redigir no próprio Whiplash! e tornou-se, posteriormente, correspondente internacional das revistas RSJ (Índia - foto ao lado), Popular 1 (Espanha), Spark (República Tcheca), PainKiller (China), Rock Hard (Grécia), Rock Express (ex-Iugoslávia), entre outras. Teve seus textos veiculados em 35 países e, no Brasil, escreveu para Comando Rock, Disconnected, [] Zero, Roadie Crew, Valhalla.

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