Silverchair: Show do Rio de Janeiro foi uma grata surpresa

Resenha - Silverchair (ATL Hall, Rio de Janeiro, 14/05/2003)

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Por Rafael Carnovale
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Colaborou: Adam da Silva Carvalho

Fotos: Anderson Guimarães

Uma grata surpresa. É o que posso falar ao final do show do Silverchair no Rio de Janeiro. Uma apresentação marcada para uma quarta-feira e com ingressos que beiravam os 60 reais conseguiu reunir cerca de 6500 pessoas num ATL Hall abarrotado de fãs alucinados para ver Daniel Johns, Ben Gilles e Chris Joannou. O estado de saúde de Daniel, que vinha sendo considerado um grande empecilho para o Silverchair excursionar, melhorou de maneira tal que o mesmo conseguiu tocar sem precisar de um guitarrista de apoio. Antes do show aproveitei para conversar com a responsável pela tour brasileira, Vânia, que me garantiu que ele estava 100% para o show, mas não poderia conceder nenhuma visita de backstage, visto que o mesmo está tomando cuidados extremos para não piorar da atrite que contraiu, indo de hotel para show direto, repousando ao máximo nos intervalos dos shows. Mas mesmo assim, a assessora foi muito simpática e se mostrava bem feliz com o sucesso do show.

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Pontualmente às 21:30 o Detonautas Roque Clube adentra o ATL já lotado para o aquecimento. E o faz com maestria. Em 40 minutos de show, a banda mostra todo seu potencial, desfilando seu show que mistura punk, com elementos eletrôncos e doses de rap. Um show bem interessante, que contou com a euforia do público, principalmente em seu maior sucesso, que toca nas rádios com freqüência. O vocalista corria de um lado para o outro, sendo quase impossível fotografá-lo, e a banda, se não tem nenhum virtuose, se mostra competente e não escondia a satisfação de estar tocando no Rio. É uma banda para se prestar atenção. Bom aquecimento... nesse momento o ATL já fervia...

Por volta de 22:20 começa o delírio. Os primeiros acordes de "Stem Will Rise" são ouvidos e a "Across the Night World Tour" começa sua parte carioca. Daniel, Ben e Chis tram o palco com a corda toda, num cenário que lembra em parte o palco usado no Rock in Rio 3 e com um bom jogo de luz. Mas nem tudo são flores no começo. Daniel, que trajava uma roupa prateada, tem o som de seu vocal e guitarra muito baixos e a galera começa a empurrar a grade que separa o palco da pista, causando um pequeno tumulto. Mas ficou só nisso. "World Upon Your Shoulders" veio em seguida e o som melhorou sensivelmente, assim como a empolgação da platéia, que cantava todas as músicas. Daniel nem parecia um rapaz que tivera uma artrite gravíssima há alguns meses, se mexendo muito e saracoteando para todos os lados. Ben e Chris são mais comedidos em sua agitação, mas dão conta do recado. "Emotion Sickness" vem em seguida,tornando a temperatura do ATL algo insuportável... era muita agitação. Após "Without You", Daniel aproveita para agradecer a platéia e emenda "Luv Your Life". Impressionante que mesmo as músicas de "Diorama", que é um dos álbuns mais diferentes da banda, fazem sucesso entre o público, que cantava em uníssono todas, mas todas as músicas.

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Seguem-se "Tuna in the Brine" e a música título da turnê, "Across the Night", que faz a galera cantar mais ainda. Aproveito para perceber que a banda trouxe 2 tecladistas de apoio, um que cuida mais dos efeitos eletrônicos e outro que cuida das partes de teclado por assim dizer. Durante a música, Daniel começa a simular um strip-tease que leva o público feminino a loucura e o masculino a raiva. Mas tudo volta ao normal em "The Greatest View" (aonde o baixo estava muito alto por sinal) e "Ana’s Song (Open Fire)", que leva o já excitado público ao êxtase total, com Daniel cantando e tocando a primeira parte sozinho, só depois a banda entrava completa.

"Miss You Love" e "The Door" (aonde Daniel fez um solo com os dentes que deixou muita gente maluca) vêm em seguida, dando espaço para um solo de guitarra de Daniel, que se não é um virtuose da guitarra, sabe muito bem como levar seu instrumento, e atiça a galera puxando os primeiros acordes the "Freak", que vem em seguida, com Daniel mudando sua voz, indo do mais fino ao gutural. Uma pequena pausa e a banda emenda uma das minhas músicas favoritas: "Anthem of the Year 2000", que estranhamente não obteve o mesmo êxtase que as outras tiveram.

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Uma pausa para relaxar e esfriar a cabeça, já que o ATL fervia e o ar-condicionado já não dava mais conta de tanta gente e Daniel volta com os dois tecladistas de apoio, tocando "Asylum", aonde ele mostra suas habilidades no piano. "The Lever" viria em seguida, aonde Daniel novamente varia a voz diversas vezes e o show acabaria com uma jam instrumental bem longa (cerca de 10 minutos).

A banda é coesa e bem aplicada. Mas nota-se que a estrela é Daniel Johns. Ben e Chris estão presentes, mas ficam mais servindo como apoio para o vocalista, que se mostrou frio em algumas partes do show, mas de vez em quando ia ao microfone e atiçava a galera. Tal atitude deixa em aberto uma pergunta: seria o Silverchair uma banda profissional demais? A performance dos caras é boa, mas fica um ar de formalidade em certos momentos que incomoda, principalmente no final, aonde eles saíram sem despedida. Mas isso não comprometeu o bom show dos rapazes e a empolgação do público, que está de parabéns.

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Agradeço principalmente ao "brother" Adam, que deu um grande apoio no show, a assessoria de imprensa da Cie-Brasil (Bianca) e a assessoria da banda, que deu todo apoio e se mostrou muito simpática.

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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