Resenha - Joe Satriani (Credicard Hall, São Paulo, 03/04/2003)
Por Thiago Sarkis
Postado em 03 de abril de 2003
Fotos por Fernanda Zorzetto
Os quase três anos que separaram Joe Satriani do Brasil podem parecer longos, mas de fato não são. Aqueles que compareceram às penúltimas apresentações além de terem assistido mais de duas horas e meia de espetáculo, ainda tiveram tempo de se esbaldar com CD e DVD duplos ao vivo, os quais basicamente refletiram com exatidão o que Satch tocou por aqui em Agosto de 2000. Pra completar, tivemos ainda o último lançamento, "Strange Beautiful Music" (2003). Digamos então que o período fora do país foi bem adequado, capaz de deixar saudade e criar novas expectativas.

O resultado foi um Credicard Hall lotado, com público animado e aguardando tudo de melhor que o guitarrista poderia nos proporcionar. Uma confiança maior numa espera bem diferente da última vivenciada, quando muitos desagrados dos experimentos eletrônicos de "Engines Of Creation" (2000) temiam se decepcionar com o professor de Steve Vai.
O norte-americano subiu ao palco com atraso normal, nada de alarmante, acompanhado por Matt Bissonette no baixo, Jeff Campitelli na bateria e um apagado Galen Henson na guitarra base. Competentíssimos, numa formação bem à vontade e entrosada. Mesmo o músico de menos destaque interage e ajuda na construção de uma atmosfera vibrante, a qual contagia extremamente a platéia.

Bissonette foi fantástico, assim como seus companheiros, porém, caí sobre ele a única falta que pode ser mencionada. Seu predecessor, Stuart Hamm, tem um carisma inigualável, além de tocar monstruosamente, e de sua imagem ao lado de Joe já girar em torno de algo imperdível, indissociável, mitológico até.
Se é que falamos de uma queixa propriamente dita, nada mais a acrescentar neste sentido. Som excelente e pontapé inicial com "Flying In A Blue Dream", seguida por "Crushing Day". Um começo estrondoso que não se abalou nem mesmo com "Devil’s Slide", excelente, contudo inserida na polêmica do penúltimo álbum de estúdio. Aliás, há de se destacar esta que foi a única música do disco citado mantida no set. O mais interessante é que, com certeza, muitos daqueles que detestavam "Engines Of Creation" (2000), desta feita choraram a ausência de várias das composições contidas nele.
Na seqüência, três clássicos, recebidos com alvoroço pelo extasiado público e uma ponte para promover o novo CD. "Mind Storm", simplesmente absurda, e "Seven String" deram conta do recado, na guitarra de sete cordas orgulhosamente nos apresentada por Satriani.
Voltando ao passado, hora de catar o queixo no chão com os arpejos delirantes de "Mystical Potato Head Groove Thing", e a técnica estarrecedora despejada por "Ceremony" e pela histórica "Summer Song", sucesso máximo nos anos 90, perpetuando e enlouquecendo os presentes ainda hoje.

Prosseguindo, surpresas como a maravilhosa e pouco considerada "Midnight", a boa balada "Starry Night", tirada de "Strange Beautiful Music" (2002), e a requisitada "Time Machine", deslumbrante ao vivo e anunciada pelo showman como a mais pedida em seu website oficial.
Mais novidade em "Oriental Melody" e na volta a "The Extremist" (1992) com a soberba "Why".
Os ótimos solos de baixo e bateria impressionaram, porém temos novamente aquele eco de um baixista gordinho, cuja aclamação pode ser até confundida com uma vaia, todavia, a qual, na verdade, não passa de um carinhoso Stuuuuuuuuuuu!!!
Temos então "Always With Me, Always With You", balada já mais que manjada em qualquer set list de Satriani, seguida por "Raspberry Jam Delta-V", na qual o embalo configura-se apenas como um leve preparo para a explosão irracional ativada por "Surfing With The Alien", mesmo após cerca de duas horas e dez de show.
Fechando outra espetacular passagem de Satch pelo Brasil, mais alguns minutos com a potente "House Full Of Bullets" e "Friends", adequada ao máximo para a saideira, tanto pelo título quanto por suas melodias e harmonias contrapostas ao momento estúpido o qual estamos sendo obrigados a viver e assistir a cada dia na televisão ou infelizmente experimentar em carne e osso para outros.

Você pode pensar que um show instrumental tão longo e para fãs de rock possa começar bem e terminar como um sacrilégio. Joe Satriani, à sua maneira única, e de poucas palavras, faz sua guitarra entusiasmar e estremecer os presentes que cantarolam melodias inusitadas em uníssono, pulando e vibrando numa alegria que pode até parecer raivosa, mas que não passa de empolgação, da idolatria e do reflexo do espírito bacana de uma figura legendária e que faz guitarra rock como nenhum outro.
Confira abaixo o set list autografado por Joe Satriani!

Agradecimentos:
Assessoria de Imprensa CIE Brasil - [email protected]
Fabiana e Júnior
Lucas Mello Carvalho Ribeiro
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Summer Breeze anuncia mais 33 atrações para a edição 2026
A opinião de Sylvinho Blau Blau sobre Paulo Ricardo: "Quando olha para mim, ele pensa…"
Por que Max Cavalera andar de limousine e Sepultura de van não incomodou Andreas Kisser
O disco que define o metal, na opinião de Ice-T
Quando Ian Anderson citou Yngwie Malmsteen como exemplo de como não se deve ser na vida
O disco "odiado por 99,999% dos roquistas do metal" que Regis Tadeu adora
A banda essencial de progressivo que é ignorada pelos fãs, segundo Steve Hackett
O astro que James Hetfield responsabilizou pelo pior show da história do Metallica
Os dois membros do Sepultura que estarão presentes no novo álbum de Bruce Dickinson
O álbum que Regis Tadeu considera forte candidato a um dos melhores de 2026
O subgênero essencial do rock que Phil Collins rejeita: "nunca gostei dessa música"
O maior cantor de todos os tempos, segundo o saudoso Chris Cornell
Para Ice-T, discos do Slayer despertam vontade de agredir as pessoas
Box-set compila a história completa do Heaven and Hell
O cantor que Bob Dylan chamou de "o maior dos maiores"
"Mamãe eu não queria" de Raul Seixas e a oposição irônica ao exército
Capital Inicial: cinco músicas que foram escritas por Pit Passarell, do Viper
Escritor publica foto da mulher que inspirou "Whole Lotta Rosie", clássico do AC/DC


A música do Soulfly que faz Max Cavalera se lembrar de Joe Satriani
O solo de guitarra que deixa Dave Grohl e Joe Satriani em choque; "você chora e fica alegre"
A opinião de John Petrucci, do Dream Theater, sobre Steve Vai e Joe Satriani
Metallica: Quem viu pela TV viu um show completamente diferente
A primeira noite do Rock in Rio com AC/DC e Scorpions em 1985



