Resenha - Coldplay (Greek Theatre, Berkeley, 06/09/2002)

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Por Bruno Romani
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Impiedoso, voraz, implacável. Essas, segundo muitos músicos ingleses, são apenas algumas das palavras que podem ser usadas para descrever o mercado fonográfico americano. Sobrevivência é um sonho para muitos; ter fama e sucesso é uma realidade para poucos. Tendo em vista tamanhas adversidades, os ingleses do Coldplay resolveram botar a prova de fogo seu novo álbum “A Rush of Blood to the Head” iniciando sua mais nova turnê pela América do Norte.
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Os primeiros sinais para a banda parecem ser animadores, afinal menos de um mês após terem esgotado em uma hora os ingressos para um concerto em San Francisco, os caras conseguiram esgotar os ingressos para mais um show na Bay Area. O local escolhido dessa vez é o Greek Theatre no recanto universitário de Berkeley.

Com uma pontualidade fazendo jus à sua nacionalidade, o Coldplay subiu às 9:30 da noite logo após o esforçado Ash, da Irlanda do Norte, ter tentado cativar a platéia, sem muitos resultados. O espetáculo começou aos acordes da barulhenta “Politik”. Tanto público quanto banda pareciam hipnotizados pela potente canção.

O show foi prosseguindo com canções do fenômenal “Parachutes” intercaladas pelas novas canções. É importante ressaltar aqui que outra adversidade encarada pela banda, a síndrome do segundo disco, parece ter sido facilmente superada. Músicas como “Daylight”, “God Put a Smile Upon Your face” e a acústica “Green Eyes” foram perfeitamente digeridas pelas pessoas que lotavam o anfiteatro.

Os pontos altos do primeiro ato do show, nem podia ser diferente, foram as manjadíssimas “Yellow”, “Troube” e “Don’t Panic” (essa numa versão diferente, mais acelerada e com direito a solo de gaita). Um presente dado pela banda aos fãs foi a execução de “One I love”, canção encontrada somente no single do hit “In my Place”. Um dos melhores momentos do show, porém, foi alcançado com a música homônima do novo disco da banda, “A Rush…” O refrão, que exige tudo e mais um pouco da garganta de Chris Martin, parecia parar o tempo enquanto as pessoas admiravam, meio catatônicas, tudo o que se passava no palco.

O bis funcionou como uma dessas histórias de amor banais encontradas em livros: uma leve introdução através da novíssima “Clocks”, um clímax poderoso com o hit instantâneo “In My Place, e um desfecho feliz e calmo com a inócua “Life is for Living”.

Embora precise aprender que não é necessário imitar até mesmo os trejeitos de Thom York do Radihead enquanto canta, Chris Martin é um show à parte. Ele faz piadas, conversa constantemente com a platéia, além de mandar bala no violão e piano. Os outros caras, por outro lado, apesar de levarem bem seus intrumentos, não se destacam por outras coisas. Completando a ótima performance, a equipe de luz e imagem da banda está de parabéns. O set de luz era climático (ganha um doce quem adivinhar que cor estava o palco enquanto eles tocavam “Yellow”), e cada integrante tinha sua imagem transmitida ininterruptamente para telões separados, através de mini-câmeras digitais.

A julgar pela apresentação em Berkeley, e principalmente pelos números que acercam a banda (várias semanas no top 5 da Billboard, concertos esgotados em todo território americano e aparições constante em estações de rádio e tv), a cruzada pela balada perfeita do Coldplay vem sendo vencedora. A domesticação do mercado fonográfico americano é só mais uma prova de que a banda de Chris Martin desfruta hoje em dia de uma posição privilegiada e de respeito no cenário musical internacional. Até quando isso ocorrerá não sabemos, mas se eles seguirem a trilha dos conterrâneos do Radiohead…

Set-list

Politik
Shiver
Spies
Daylight
Trouble
One I love
Don’t Panic
Everything’s Not Lost
Green Eyes
God Put a Smile Upon Your Face
Yellow
The Scientist
A Rush of Blood to the Head

Bis

Clocks
In My Place
Life is for Living

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Sobre Bruno Romani

Nascido em São José dos Campos, terra de milicos, aviões, cientistas e nerds em geral, sacou aos 13 anos que números são pouco amistosos. Fugiu para a Califórnia, onde muito aprontou: montou a banda Apside, escreveu para inúmeros sites e jornais e formou-se em jornalismo pela UC Berkeley. Passa os seus dias dividido entre a procura por um lugar na grande mídia gringa e festas universitárias americanas regadas a muita mulher com pouca roupa.

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