Resenha - Blind Guardian (Canecão, Rio de Janeiro, 13/08/2002)

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Por Rafael Carnovale e Anderson Guimarães de Carvalho
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Quem poderia imaginar que apenas duas semanas após o show dos finlandeses do Nightwish a cidade maravilhosa fosse ser brindada com a passagem de outra banda fundamental do heavy metal atual para um grande show. Desta feita, os alemães do Blind Guardian, divulgando seu novo cd, "A Night at The Opera", brindavam os cariocas com uma passagem inédita, visto que o Rio de Janeiro não foi incluído na última turnê da banda. Um bom indício de que os promotores de shows voltam a apostar na cidade maravilhosa como ponto viável para a realização de eventos, e um bálsamo para os fãs cariocas, que não precisariam ir a São Paulo para assistir o show de suas bandas favoritas.

1842 acessosBlind Guardian e Rhapsody: Como seria Hansi e Lione cantando juntos?5000 acessosNo alto do castelo há uma linda princesa...

O show começou de fato um dia antes, na tarde de autógrafos, realizada mais uma vez pela loja Hard and Heavy do Flamengo (Rua Marquês de Abrantes 177 lj116). Desde as 10h00 da manhã os fãs já aguardavam ansiosos pela chegada da banda, que ainda não havia confirmado o horário de início, causando certo nervosismo entre os presentes. Era realmente uma decisão da banda, que por volta das 13h00 definiu como 18h30 sua chegada ao local.

A galeria aonde se localiza a loja já estava lotada por fãs ávidos para ver seus ídolos, autografar desde cd’s e livros do "Senhor dos Anéis" até guitarras, e uma curiosidade pairava no ar: como seriam os shows sem o batera Thomas Stauch, que fora impedido de viajar de última hora devido a uma tendinite? E a curiosidade aumentava, pois seu substituto APENAS nesta tour Sul Americana seria Alex Holzwarth, do Rhapsody. Um fera no lugar de outro... como seria?

Muitos fãs aproveitaram o tempo para comprar camisetas oficiais da tour, que estavam à venda no local, e para cantarem e fazerem rodinhas de violão, aonde Blind Guardian era a banda em evidência, por acaso.

Por volta das 19h00 o alvoroço fica intenso: Blind Guardian no Rio! E a banda veio completa, com direito ao tecladista de apoio, o batera Alex e dois roadies, além de Anders, repórter da revista “Metal Hammer” alemã, com quem batemos um rápido papo, no qual ele aproveitou para dar suas impressões da turnê, e tecer alguns comentários:

Whiplash – Anders, você vem acompanhando o trabalho do Blind nessa turnê. Como tem sido esse período com a banda?

Anders – Muito interessante. Acabaram de tocar no Wacken, com um set-list todo elaborado, recheado de clássicos e músicas antigas. Um show especial sem dúvida. Eles gostariam de tocar aqui no Brasil o mesmo set, mas como é a tour de divulgação do novo cd, fica inviável.

Whiplash – Como é a acolhida do público brasileiro?

Anders – Totalmente impressionante. O brasileiro mostra seu carinho de qualquer maneira, seja com presentes ou apenas cantando músicas num delírio que chega a impressionar.

Whiplash – E sobre a gravação do cd/DvD ao vivo?

Anders – Vários shows vêm sendo gravados, e a banda escolherá os melhores ao fim da tour.

Whiplash – E a entrada de Alex de maneira repentina, como aconteceu?

Anders - Thomas já vinha apresentando alguns problemas que se agravaram com a proximidade da tour sul-americana. Mas era vontade dele fazer os shows assim mesmo, porém aconteceram impedimentos médicos de força maior. Alex merece todo a admiração do pessoal, pois só teve 48 horas para ensaiar o set-list que seria tocado como base... é algo fantástico.

A chegada da banda foi celebrada pelos fãs, que cantavam a plenos pulmões suas músicas, mas percebemos que de início o clima estava meio tenso. O guitarrista Andre Olbrich proibiu fotos, o que desapontou muitos fãs, porém, em conversas com Alexandre Vilela, da Hard and Heavy, soubemos que a banda pegara um congestionamento intenso até o Flamengo, e que o cansaço era geral, mas não havia o que fazer. Apesar da frustração, e de algumas pequenas confusões que ocorreram devido a este fato (muitos fãs quiseram tirar fotos da banda estando fora da loja, o que causou certo tumulto, porém nada de grave, não há a quem culpar. Com o tempo, o carinho da galera carioca foi acalmando os ânimos dos alemães, principalmente de Andre, que em certa hora liberou as fotos. Isto causou muita chateação ao pessoal que entrou primeiro, pois estes não tiraram fotos com a banda. Neste meio tempo batemos um papo com Alex e Oliver Holzwarth, os irmãos, que comentaram como era a sensação de tocar juntos:

Whiplash – Alex, quem é mais velho, você ou Oliver?

Alex – Oliver é um ano mais velho, mas eu aparento estar bem mais velho do que ele (risos).

Whiplash – Como é tocar junto com seu irmão no Blind?

Alex – Muito legal. Embora já tenhamos alguns projetos juntos, é muito interessante estar com ele na banda... os caras são muito bons e está sendo uma ótima experiência.

Whiplash – Como numa família?

Alex – Perfeitamente. (risos).

Ao final da tarde de autógrafos (aonde a banda atendeu inicialmente a 200 fãs e depois a mais 20 – fato que é mérito dos cariocas, que esbanjaram carinho e amizade), a banda, que atendera seus fãs com bastante amizade e profissionalismo, já estava bem mais relaxada. A satisfação era evidente, e puxamos o vocalista Hansi Kursch e o guitarrista Marcus Siepen para um bate papo:

Whiplash – Hansi, se você tivesse uma palavra para resumir tudo o que aconteceu hoje, o que você diria?

Hansi – Demais. Impressionante. Acho que ficaria aqui assinando cd’s o tempo inteiro sem parar... fiquei realmente muito impressionado com o carinho. É como se não estivesse cansado.

Whiplash – Marcus, você esperava essa acolhida tão calorosa dos fãs brasileiros?

Marcus – Com certeza. É algo que já sabíamos que aconteceria, mas mesmo assim me surpreende a cada minuto. Estou muito satisfeito.

Whiplash – (Apontando para o cd “Hammered” do Motorhead, que estava no balcão da loja) Gostas de Motorhead?

Marcus – Yeah! Lemmy é legal!

E assim deu-se mais uma bem sucedida tarde de autógrafos na loja Hard and Heavy. Parabéns ao pessoal pelo profissionalismo e por não deixar o pique cair, mesmo quando a situação ficou mais tensa.

Obs: Desta vez por problemas mecânicos (literalmente) ficamos devendo fotos da tarde de autógrafos: mas quem quiser pode acessar a home page da Hard and Heavy (www.hardheavy.com.br) , aonde estarão em breve dispostas algumas fotos.

13 de agosto – Canecão – O show

Foi memorável, sobre todos os aspectos: um show fantástico, de uma banda entrosadíssima, e pela galera, que lotou o Canecão. A casa de shows, famosa por abrigar eventos mais ligados a MPB (o cartaz do show do Blind era ocultado por um gigantesco cartaz de shows de Ivete Sangalo), recebeu nada menos que 2800 fãs (sold-out), empolgados e loucos para ver os alemães em ação.


Logo de início, antes do começo do show, a empolgação geral causou um pequeno tumulto: a grade que separa o palco da platéia caiu, devido ao empurra-empurra. Tentou-se em vão re-erguer a mesma, mas todos perceberam que seria impossível e ilógico, e foi-se sem grade mesmo. Os fotógrafos ficaram meio sem ter o que fazer, mas conseguimos boas fotos de trás do palco.

Pontualmente às 21h30 a intro “War of Wrath” começa a rolar no sistema de som e o público enlouquece. Neste momento, atrás do palco, vemos a banda se aprontando e Hansi fazendo seu tradicional aquecimento vocal. A intro se encerra e a banda entra detonando tudo com “Into the Storm”. O público canta cada verso junto com Hansi, o que torna a tarefa de ouvir sua voz algo impossível. Para manter o pique, emendam com “Welcome to Dying” e “Nightfall”, que são cantadas em uníssono pelos fãs cariocas. Podemos ver do palco que mesmo a banda parece não acreditar na força do público. Vemos claramente quando Hansi se dirige a um dos roadies e solta um “Unbelievable”.

Alex Holzwarth toca com extrema concentração, para evitar erros, mas isso não impediu alguns deslizes, principalmente uma atravessada que o mesmo cometeu que o deixou sem graça. Mas ele está de parabéns, pois seu esforço foi algo de inacreditável. Oliver, seu irmão, segue bem o papel de músico convidado, postando-se atrás de Hansi, Andre, e Marcus, que ficam na frente do palco agitando tudo o que podem. Hansi parece um contador de histórias: ao anunciar cada música conta um pequeno trecho referente a mesma. Foi assim com “Réquiem”, “Lord of the Rings” (falando de Tolkkien) e “Soulforged”(do novo cd). Percebe-se também que os guitarristas Andre e Marcus, apesar de fazerem backings, deixam a maior parte dos mesmos para o público, que cumpre sua parte com maestria. Se fôssemos atribuir percentagens, diríamos que Hansi canta 70% das músicas e deixa 30% para o público interagir, mas quando o faz, o faz com a habilidade de um grande “frontman”.


O show continua e o público delira com “Valhalla”, “Mordred Song” e “Mourning Hall”. Hansi faz uma pausa e diz que não imaginava que uma música tão antiga como a próxima que iriam tocar ainda fosse tão apreciada pelos fãs: foi a deixa para “Banish from Sanctuary” (do cd “Follow the Blind), que enlouqueceu mais uma vez a galera. Visando derrubar o Canecão de vez, Hansi anuncia que a próxima música era para o Rio e manda “Bright Eyes”. O Canecão resistiu bravamente a este teste de fogo, pois a galera foi a loucura.

Hansi não se cansava de elogiar a galera,e com seu inglês com sotaque fortíssimo (muitos comentavam que era difícil entendê-lo), chama a galera para cantar junto com ele a próxma música, a clássica “Bard’s Song”, no que é prontamente atendido. O show se encerra com a clássica “Imaginations from The Other Side”. Ficou claro que o Blind ao vivo prioriza o heavy metal, pois apesar de terem um tecladista e as partes orquestradas estarem presentes, a pancadaria rola solta com uma parede de guitarras altas e agressivas, o que tornou o show bem intenso para os fãs.


Quem achava que acabou, enganou-se. Hansi volta com seus comparsas, anunciando que haveriam mais três músicas para o bis: “A Past and a Future Secret” (outra que os fãs cantaram junto), “Journey to the End” e o fechamento total com “Mirror Mirror” (um pouco diferente, principalmente nos vocais) que pôs os fãs em êxtase total.

Foram 120 minutos de puro heavy metal. O Canecão, embora seja uma boa casa de shows, pode ser adaptado para shows heavy, pois as grades que separam a pista das mesas e camarotes são extremamente frágeis, mas nada que não se resolva com facilidade. No mais, um grande momento, com uma grande banda, que se despediu avisando que o Rio voltará a vê-los o mais rápido possível.

Agradecimentos:

Rock Brigade

Paulo Sondermann, Alexandre Vilela e Folhena da Hard and Heavy.

Hansi Kursch, Marcus Siepen, Andre Olbrich (meio tenso no começo, mais bem mais a vontade no final do show),Alex e Oliver Holzwarth pelo grande show e pela simpatia com o público carioca.

E principalmente ao público carioca, que mostrou que o Rio de Janeiro merece sim os shows internacionais, com um pessoal animado e que lota qualquer lugar da cidade para ver sua banda favorita, com empolgação e agitação magníficas.

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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Sobre Anderson Guimarães de Carvalho

Fotógrafo do site, também finaliza o bacharelado e licenciatura em História na PUC-Rio. É uma figura conhecida na cena carioca, mais odiado do que amado. Gosta de incomodar, assim como também gosta de HammerFall, Rammstein, Ivory Tower, Accept, Soilwork,Scorpions e Grave Digger.

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