Rock: Data comemorativa? "What the f**k is this?"
Por Don Roberto Muñoz
Fonte: calendarr
Postado em 11 de julho de 2017
Godard já tinha dito que "dia de cinema" é algo completamente patético. Claro, pois a sétima arte resumida a elucubrações burocráticas consome toda possibilidade dos clássicos cinematográficos serem veiculados diariamente nas telinhas e telonas. Deveriam ser 365 dias de cinema clássico. Alguém discorda diante de tantos filmes comerciais rodando o planeta?
Pois bem, o "dia do rock" foi criado no Live Aid, 1985, devido à grave situação da Etiópia. Ok, o SABBATH tocou e foi lindo. Agora, criar um momento didático também para o Rock? Deviam fazer um show revival no Brasil em homenagem a este dia também patético com os limões do U2, os "auto-beijoqueiros" do RED HOT e os falsos chorões do COLDPLAY. Nada disso é rock, mas sim pop, executado na medida certa, dentro do estilo, para o público curtir. Sim, todo mundo pode gostar de tudo, no problem, mas a discriminação das questões faz-se necessária.
Black Sabbath, Live Aid:
THE BEATLES é pop, THE ROLLING STONES pós BRIAN JONES enveredou, no final das contas, pelo mesmo caminho e o PINK FLOYD sem SYD BARRETT mostrou a sua real face no populista "The Wall", 1979. Agora, JACO PASTORIUS tinha postura Rock. O grande "punk do jazz" não deixava para o amanhã, metia a bronca direto. Inclusive o SEX PISTOLS é muito mais radical do que os "DEAD KENNEDYS da vida". Explico. O punk não se resume pela extrema velocidade, mas pela proposição de combate ao status quo, seja midiático, governamental, artístico, etc. O perigo da simplificação em torno da política na música pode propiciar, concomitantemente à crítica, muito cartaz para os politiqueiros modernos, esquerdistas par excellence.
Jaco Pastorius:
Sobre o tal "dia do Rock", assisti uma vinheta na tv. E o que descobrimos? Que esta data comemorativa só é festejada onde? Oui, Terra Brasilis!!! Ora, basta uma rápida olhada na predileção brasileira em torno deste estilo musical e percebe-se despontando BLITZ, RITA LEE, PARALAMAS DO SUCESSO, entre outros. Volta-se no tempo com o estrondoso surgimento do Rock in Rio, 1985, e constatamos ridículos jornalistas nativos assustadíssimos com o acontecimento "Heavy Metal". Artigos, reportagens e vídeos incomensuravelmente ignorantes no que concernia a nova realidade que surgia no mundo – o Heavy Metal estava alcançando o patamar mais elevado dentro do estilo Rock. Este papelão jornalístico continuou no Rock in Rio II, em 1991.
Pérolas do sr. Pedro Bial e da sra. Ilze Scamparini:
No mundo tropical, existe muito iê-iê-iê florestal e pouquíssimas atitudes coerentes. Evidente, "Cabeça Dinossauro", 1986, dos TITÃS é um grande disco de Rock. Mas depois a banda lança álbuns como "Õ Blésq Blom", 1989. Então alguém pode matutar: - de que adianta um álbum competente se a banda já demonstrava a sua tendência básica com "Televisão", 1985, no início de sua trajetória? A preponderância da MPB (sambas, bossas novas, pagodes, etc.) no país é acachapante, basta alguém tocar um Rock decente que, não apenas a Mídia, mas o próprio público!, já clamam posteriormente por algo, digamos, mais "leviiinho"... Bem, o homem brasileiro não lê livros, mas consome jornais desde sempre e assiste diariamente novelas televisivas há mais de cinquenta anos. Entretanto, Heavy Metal, Jazz, Blues, música erudita e sacra? Nem pensar! Assustador o maestro AMARAL VIEIRA não ter espaço em seu próprio país.
Titãs, "Cabeça Dinossauro":
Amaral Vieira:
Não é a toa que a carência de uma virilidade aristocrática na terra acentua um comportamento masculino atento para "fofocas" e outras questões menores. Inclusive o apreço desmesurado à Imprensa em geral, pelo brasileiro, já mostra uma postura serviçal – recheada de mexericos e blá-blá-blás – diante das circunstâncias que se apresentam a ele. Bom para o brasileiro é reivindicar a queda de Temer, e fazer passeata por passagens de ônibus mais baratas, o resto não interessa. Pfui... "Pau que nasce torto nunca se endireita". Como esperar algo pleno da república brasileira se ela surgiu por meio de um golpe do Exército, em 1889? O histórico militar de ditaduras no Brasil, século passado, já diz tudo. Inclusive houve uma insurreição dos negros na época – que respeitavam muito a Princesa Isabel – abafada imediatamente pelo novo governo laico.
Existe uma faceta auto-destrutiva na psiquê do brasileiro expressada por meio da "corneta". O brasileiro é extremamente "corneteiro". Parece que ele só se sente feliz na bagunça. Aí ele se lambuza intelectualmente! O que os locais fizeram com Fábio Assunção, no Recife, foi um absurdo, o ator está realmente com problemas, mas as massas ali, massacrando. Outra: a eleição de Collor, 1989, pelos nativos brasileiros foi uma das escolhas mais monstruosas ocorridas dentro da história da política mundial. Norte e Nordeste em peso, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, todos estes e mais alguns paparicaram acintosamente aquele que surrupiou a poupança brasileira. O que o brasileiro fez depois de mais este assalto? Nada, ficou chorando sentado no "cordão da calçada". Agora, o País está frangalhos, devido ao esquerdismo político, e todo mundo se lança nas ruas para protestar contra Temer?
Voto obrigatório, serviço militar obrigatório, a população obrigada a votar em urna eletrônica, sem a alternativa do voto manual, isso pode. Depois de décadas de ditadura, a nação tinha uma chance legítima de superação. Infelizmente, Brizola sempre foi considerado radical pela brasilidade burguesa e Mario Covas não tinha respaldo nacional, apesar de ser outra ótima opção. Aí, o bonitão com "physique du role" de mauricinho e lutador de artes marciais ganhou as eleições. Novamente, mais uma vez, o princípio do estetismo subjugou o princípio ético no Brasil – um petardo argumentativo incluso em "Desenvolvimento e Cultura", 1963, do filósofo Mario Vieira de Mello. E os corvos de Poe balbuciaram ironicamente em torno de Sísifo: "- Nunca mais, nunca mais...".
Diferenças entre brasileiros aristocrata e burguês:
Assim, os homens brasileiros representativos – exceções também existem, apesar de não possuírem um grande alcance – ficam tricotando em grande estilo, simbolicamente afetados, inclusive na música. Hoje, as massas apreciam o METALLICA, em franca decadência existencial, embora a banda tenha se tornado uma moda mundial. Só falta a LADY GAGA entrar como vocalista para a banda assumir, deliberadamente, a sua veia pop. Mas o público tupi abraçar NASTY SAVAGE, DARK ANGEL, entre outros furiosos? Nem pensar! O brasileiro gosta mesmo é de "róqui" com muitas bananas, tropicalismos, batata fritas, guitarras desplugadas e baterias amaciadas. Aí fica difícil levar à sério, como já disse De Gaulle em 1964 no Rio de Janeiro, esta terra.
Roberto Muñoz, escritor.
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