AC/DC: Brian Johnson não gostava de cantar as músicas de Bon Scott? (II)

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Por Ricardo Rubell Bergmann, Fonte: acdc.com
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Continuando a conversa sobre Brian Johnson cantando Bon Scott. Na primeira parte falamos de dois pontos, se ainda não leu, está no link a seguir.

AC/DC: Brian Johnson não gostava de cantar as músicas de Bon Scott? (I)

Vamos então ao próximo ponto.

Terceiro ponto: Aceitando a interpretação aqui ( na parte 1 ) colocada das palavras de Mick Wall em seu livro, a questão é: De onde ele tirou essa informação?

Aqui um fato fundamental para toda essa analise, essa questão do suposto incomodo do Brian com o setlist Bon, isso nunca, NUNCA fez parte do "universo AC/DC", nunca até o livro do Mick Wall, até 2012 ninguém nunca, minimamento levantou essa questão, nenhum fã nunca questionou o empenho do Brian ao cantar Bon. A internet está ai, tente encontrar esse tema em alguma matéria, em algum fórum de fãs, algum texto sobre isso com data pré 2012.

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E esse vazio histórico está no livro do Mick Wall, ele não cita nenhuma fonte, não cita nenhuma matéria, nenhuma entrevista antiga, nenhuma situação onde esse suposto, ou possível, incomodo de Brian tivesse sido demonstrado ou pelo menos deixado indícios.

Isso significa atestar ser uma informação falsa? Não, atestar não, apenas é uma informação, ou insinuação sem base histórica.

Mas sim, Mick é um jornalista muito bem informado, com acesso pessoal a muita gente da indústria musical; aliás, esse é o ponto forte de seu livro, os bastidores da indústria ao redor do AC/DC; então, alguém que trabalhou com a banda não pode ter revelado isso para ele?

Aqui entram os fatos mais do que conhecidos do AC/DC ser muito fechado, de ter um relacionamento difícil com a indústria ao longo de toda carreira e do Malcolm sempre ter cobrado essa postura de todos da banda, todos esses fatos inclusive relatados por Mick Wall no livro.

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Portanto, é difícil acreditar que Brian tenha revelado, desabafado algo assim com alguém da indústria, e mais difícil ainda é acreditar que esse incomodo, se existisse, fosse de conhecimento de poucas pessoas e que nunca teria vazado antes de 2012.

Conclusão aqui: Mick Wall fez uma insinuação inédia pouco plausível. Sem informações, sem indícios maiores não dá para acreditar em um possível incomodo de Brian com o setlist Bon.

Essa teoria do "incomodo do Brian" era desconhecida até o livro de Mick de 2012, ao contrário da fama de Mick de criador de polêmicas, algo conhecido antes de seu livro sobre o AC/DC.

Vale mencionar aqui outra informação de Mick, essa dita claramente diversas vezes ao longo do livro, segundo Mick, nas palavras dele "Malcolm sempre fez tudo pelo sucesso".

((( Cristo Dai-nos Paciência )))

Bom, descartando um pouco provável erro de tradução no "sucesso", basta relatar que o próprio Mick no mesmo livro aborda várias vezes que o AC/DC sempre teve dificuldade de aceitar novidades, de se adequar a novos cenários do mundo da música, que eles nunca embarcaram em modinhas musicais, algo mais do que conhecido sobre a banda, sobre Angus e Malcolm. Creio que essa personalidade musical dos irmãos Young vá diretamente contra a ideia de "fazer tudo pelo sucesso".

Mas esse é um ótimo tema para uma próxima oportunidade.

A sessão de fotos é mais um ponto bem questionável no livro de Mick Wall, praticamente só trás imagens já bem conhecidas, manjadas, mas o pior é que algumas fotos estão legendadas com datas erradas, por exemplo, a foto de Brian batendo no sino de Hells Bells é colocada sendo de um show de 1992, acontece que naquele ano o AC/DC não fez nenhum show. Ok, são apenas fotos, mas um pouco mais de atenção não aumentaria o custo, de produção, do livro.

Quarto e último ponto: Deixando a insinuação de Mick Wall de lado, a questão é: Afinal, Brian sempre deu seu melhor cantando Bon?

Aqui só é possível citar um fato, já mencionado no ponto anterior, os fãs nunca questionaram o empenho de Brian cantando Bon, isso é um fato. Questionar a qualidade da interpretação é outra questão, uma questão essa sim feita por fãs aos longo das décadas em uma ou outra apresentação, mas feita também sobre Brian cantando Brian e Bon cantando Bon. Nada de absurdo em nenhuma banda.

E só é possível citar esse fato porque o resto é questão de opinião de cada um.

Aqui vale um tema paralelo, nem Brian e nem Bon nunca foram considerados grandes vocalistas quanto a timbre e técnica, algo que nunca incomodou ninguém no "universo AC/DC"

E nunca incomodou por um motivo muito simples, ou por dois motivos que podem ser visto como um, primeiro, como já dito aqui, é uma banda de guitarra, o cara do microfone é coadjuvante, e segundo, o estilo da banda, banda de guitarras duras e sujas, cujas as letras seguem no mesmo caminho.

Se fosse uma banda de guitarras virtuosas e melódicas e letras belas, profundas com a pretensão de mudar o mundo então sim seria recomendável vozes bonitas e vocalistas com muita técnica. E bandas assim existem e são muito legais, é muito bom assistir e prestar atenção em vocalistas que dominam sua voz como se fosse um instrumento. A grande graça no Rock é essa, a diversidade.

Mas no caso de bandas como o AC/DC o importante são vocalistas com personalidade, no palco e na voz. Você pode até não gostar de um ou de outro, ou dos dois, mas o fato é que tanto Bon quanto Brian são vocalistas com suas vozes mais do que marcadas na história do Rock, ambos também com uma presença de palco marcante, e isso sendo que os dois tiveram que disputar espaço e atenção com o capeta de uniforme escolar, nada fácil.

Voltando ao empenho de Brian nas músicas da fase Bon, a história está feita e está registrada, são mais de três décadas de Brian no AC/DC espalhadas por ai em dezenas e dezenas de videos, veja ele cantando Bon, no mesmo show veja ele cantando Brian e tente encontrar alguma diferença de energia, de prazer na voz, nos olhos, na face, na performance de Brian, veja e tire suas conclusões.

Conclusão aqui: Nunca se questionou, nunca se duvidou do empenho de Brian.

Mas, existem dois exemplos obrigatórios sobre Brian cantando Bon, dois dos maiores clássicos do AC/DC da fase Bon consagrados como clássicos só a partir da fase Brian.

Primeiro: T.N.T., música lançada como single no final de 1975, ou começo de 76, mas apenas na Austrália, se tornou o maior sucesso da banda até então, mas, apenas na Austrália. Três meses depois, abril de 76, a banda partiu em busca do mundo, foram para a Europa, Reino Unido basicamente, e a música não fez muito barulho, nem nas rádios e nem nos shows do AC/DC, que ganhavam fama de boca em boca.

Nos anos seguintes T.N.T. continuou a ser tocada ao vivo mas não era presença certa no setlist, todas as turnês do AC/DC estão registradas pela internet, com o setlist de cada show e tudo mais. Por exemplo, na turnê do Highway To Hell, 79/80, em alguns shows eles tocavam T.N.T. mas em outros tocavam a nova If You Want Blood, ser trocada por uma música nova é um sinal de que a música não era considerada um clássico intocável, como na época já eram Let There Be Rock, Whole Lotta Rosie e outras, no show em Paris, registrado em filme, eles até tocaram T.N.T., no entanto os produtores decidiram não filmar esse momento, a performance de T.N.T. nos anos finais da fase Bon era vista por muitos como o "ponto baixo" da avalanche sonora que a banda já apresentava a aquela altura.

Pois bem, Bon morreu, Brian entrou, Back in Black vendendo milhões e a banda decidiu continuar tocando T.N.T., talvez com um instrumental um tanto mais pesado, ou agressivo, influencia do som do álbum preto, a música se encaixou muito bem na voz de Brian e sua performance, da música, ficou mais "séria" do que nos anos com Bon e a partir de então T.N.T. foi consagrada como um clássico da banda, se tornando tão obrigatória nos shows quanto Back in Black ou Highway To Hell, e outras.

Segundo: Dirty Deeds Done Dirt Cheap, caso parecido, mas bem mais fácil de descrever, single lançado em 76, primeiro na Austrália quando a banda estava na Europa, depois lançado no Reino Unido quando a banda estava de volta em casa, certo sucesso em casa, zero fora de cara, resultado, a banda tocou algumas vezes com Bon, as últimas em janeiro de 77 na Austrália, e depois Dirty Deeds se tornou uma música morta, nunca mais foi tocada nos três anos seguintes da fase Bon.

Pois bem, na onda do Back in Black a gravadora decidiu que não faria mal ter mais um álbum do AC/DC no mercado, como em 76 o Dirty Deeds foi lançado apenas no Reino Unido e em mais um ou outro país na Europa, em 1981 foi lançado no mundo todo, algo que a banda não gostou, já que estavam com novo vocalista, ganhando seu espaço, lançar um álbum antigo com o antigo vocalista, e de certa forma um álbum estranho como o Dirty Deeds, não parecia fazer sentido, mas para a gravadora fazia todo $entido.

O fato é que a faixa título começou a tocar muito nas rádios dos USA, a banda se viu obrigada e inclui-la no setlist, novamente um instrumental mais hard e novamente Brian mandando muito bem, novamente uma performance mais "séria", novamente um novo velho clássico pra lista da banda, até hoje em todo show.

Brian aumentando a obra viva de Bon.

Confira você, veja T.N.T. e Dirty Deeds em Landover 1981, ou em Detroit 83, ou no Rock in Rio de 85, ou Donington 91, Madrid 96, Munique 2001, Brian sempre no máximo, levando claro em conta a idade e o gás do cara em cada época.

Então, após 36 anos a banda perde sua voz, você pode até preferir o Bon, mas a voz do AC/DC é a voz do Brian, quando se fala da banda dos irmãos Young a voz que vem na memória é a voz do Brian.

Vale lembrar e pensar, nos anos 70 o AC/DC não fez muito sucesso, era até considerada, pela crítica "sabe tudo", uma banda limitada e repetitiva, então, sem Brian Johnson, sem o absurdo sucesso na sua escolha, sucesso comercial sim, mas principalmente sucesso no encaixe do cara na banda, encaixe musical e de personalidades, sucesso esse provado desde o início mas principalmente ao longo do tempo, Brian não deixou subir na cabeça o enorme sucesso comercial do começo de sua fase na banda, ficou sossegado como coadjuvante das guitarras, como também não duvidou dos irmãos Young quando esse sucesso caiu bastante apenas alguns anos depois, nos anos 90, com o sucesso comercial renovado, Brian se manteve quieto nos longos períodos de férias adotados pelos Young a partir daquela década, nada de pensar em uma carreira solo, deixando Angus e Malcolm pensando nos rumos da banda tranquilos com a postura e dedicação do seu vocalista, seguiu assim no novo século, com a banda parecendo ficar cada vez mais forte.

Portanto, sem Brian Johnson a obra do AC/DC com o Bon Scott continuaria sendo a mesma, mas com certeza seria bem menos conhecida, sem Brian o AC/DC poderia ter desaparecido ainda nos anos 80, hoje poderia ser uma daquelas bandas que de vez em quando um vasculhador chega em você "rapaz, descobri uma banda Australiana dos anos setenta, o guitarrista usava uniforme escolar nos shows".

Mas isso não aconteceu, encontraram Brian Johnson e com ele o AC/DC se tornou uma das maiores da história, se mantendo forte até hoje. Então, se você prefere o AC/DC da fase Bon Scott, tenha em mente que, muito provavelmente, sem Brian você nem conheceria a fase Bon do AC/DC, fase Bon essa que vendeu milhões de álbuns depois do Back in Black.

E o futuro da banda? A unica certeza é que a pelo menos mais de 20 anos eles não precisam provar mais nada, as vezes algumas pessoas falam do AC/DC hoje em dia como se fosse uma banda iniciante, que agora sem Brian teria seu futuro colocado em risco. Axl vai mandar bem? Vai mandar mal? Que diferença faz? Os fãs do AC/DC só devem agradecer a Axl por ele se dispor a dar essa mão nos shows já marcados anteriormente, ainda mais no atual momento da carreira do cara com a sua banda. Agradecer não significa achar uma maravilha.

Por enquanto vale a pena ver Angus Young no palco, o cara continua com o mesma gana no palco, com menos cabelo e vitalidade é claro, mas tocando cada vez melhor, veja o cara nos 70s e veja hoje em dia, o prazer do cara parece ser o mesmo.

Depois é esperar, Phil Rudd tá por ai, sua volta poderia praticamente restaurar o instrumental clássico da banda, já que não é errado falar que no palco, e só no palco, é mais fácil substituir o Malcolm do que o Phil. Sendo uma banda de guitarra, o instrumental no todo é a prioridade, dentro do "som AC/DC" a bateria do Phil Rudd é um elemento determinante, a "pegada" do AC/DC está na guitarra do Malcolm e na bateria do Phil, mas é difícil não reparar apenas no capeta de uniforme escolar, e o Angus sempre mereceu.

Portanto, Phil Rudd poderia validar a banda seguir em frente, sua presença fatalmente faria Stevie Young cumprir ainda melhor o papel de Malcolm, usando no palco guitarras do "chefe". Depois é encontrar um vocalista, talvez alguém menos badalado, parecido com Brian em 1980. talvez continuem gravando com Brian, mas em tour coloquem outro pra cantar. Mas dessa vez o AC/DC não precisa provar mais nada, apenas curtir sua obra já feita, com Bon e Brian.

Chegamos ao fim, espero que tenha valido a pena, AC/DC sempre vale a pena. Assim como vale a pena ler o livro de Mick Wall, que junto com a leitura do livro de Arnaud Durieux "AC/DC Rock'N'Roll Ao Máximo" pode mostrar uma boa vitrine sobre o AC/DC, lembrando que dentro da loja tem muito mais.

Seguem dois videos: For Those About To Rock, na Plaza de Toros de Madrid, 1996, talvez a melhor fase ao vivo da banda.

Em seguida, uma performance raríssima, Ride On, Paris 2001, cidade onde em dezembro de 1979 foi gravado o maior registro em video da fase Bon Scott, o Let There Be Rock The Movie, e cidade onde dois meses depois Bon fez sua última gravação, uma versão de Ride On com a bana Francesa Trust. Ao modo AC/DC, uma grande homenagem para Bon, feita com Brian. Nos segundos finais, Brian se despede e deixa o palco do AC/DC, seguindo Malcolm.

Valeu Brian. WE SALUTE YOU.




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