Músico: pare de criticar o trabalho alheio e faça o seu!
Por Fernando Moraes
Postado em 08 de fevereiro de 2016
Nesta semana eu, e creio que vários de vocês, receberam um antigo vídeo do saudoso romancista Ariano Suassuna fazendo uma análise crítica da banda Calypso. Foi engraçado, disse algumas coisas que muitos de nós costumava pensar, mas, depois, despertou em mim um sentimento de que perdemos muito tempo criticando o trabalho dos outros e deixamos de fazer o nosso. Isso nada mais é do que uma forma de nos escondermos em nosso próprio fracasso.
Se a banda Calypso (ou X-Calypso) chegasse agora para o Ariano e perguntasse: quem é você para falar do nosso trabalho? Bom, ele responderia que, além de defensor da cultura nordestina, era autor de obras como Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, além do clássico e multimídia o Auto da Compadecida.
Mas e se o Ximbinha aparecesse para você e fizesse o mesmo questionamento, o que diria? Caras, o primeiro e único EP da minha banda, a Rota Ventura, fez 3 anos de lançamento em janeiro. De lá pra cá, a gente ensaia, faz alguns shows, tem música e não consegue gravar, fazer clipe, nada. Tudo porque não seguimos um planejamento feito inicialmente.
Comunicador que sou, lembro-me de ter ido a um simpósio de Marketing há alguns anos, em que um dos palestrantes mostrou um case sobre o tecnobrega e o Calypso. Em uma época em que vários artistas já estabelecidos brigavam em nome das gravadoras contra a pirataria, este novo movimento simplesmente saiu dos risca-facas da vida, inventou uma forma de distribuir seu produto de maneira rápida e com um grau de linha de produção, tecnologia básica, e explodiu.
Lembro-me também de ter ouvido que não se formavam bandas, mas sim franquias, em que o grupo levava o mesmo nome (Calypso, por exemplo), com músicos diferentes, mas tocava simultaneamente em várias cidades da região Norte do Brasil. A marca de grupos consolidados teria se formado a partir daí.
No fim dos shows, antes de voltarem para o bis, um grupo em uma van equipada já colhia o vídeo do que tinha sido gravado até ali, copiava em mídias virgens, botava em capas como os DVDs piratas das esquinas afora, e vendia a preços irrisórios após o show. O fã ia à apresentação, pagava para entrar e, ao final, ainda levava para casa uma cópia de um DVD com um show em que ele fazia parte do público. Genial e eficiente. Só depois a TV aberta percebeu este fenômeno de público e apostou nele, alavancando sua audiência.
Você pode detestar as músicas, como eu também não gosto, mas, enquanto nós, das bandas de rock, de garagem, perdemos tempo criticando o trabalho desses caras, eles estão pensando em formas de fazer sucesso. Estão anos-luz a nossa frente, no quesito planejamento de carreira.
Então, se você é desses que fica apenas criticando o trabalho alheio, por falta de qualidade ou qualquer outro motivo, olhe para o próprio umbigo, tire a mão do bolso e pense no seu. Vá e faça!
Rota Ventura
Para quem ainda não conhece nosso trabalho, ouça e baixe pelo
http://www.reverbnation.com/rotaventura
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