O fim das grandes bandas: agora uma questão de tempo
Por Júlio Verdi
Fonte: Rock Opinion
Postado em 08 de janeiro de 2016
Na história da música rock encontramos diversos casos em que o artista interrompeu precocemente sua trajetória, vindo a falecer com pouco tempo de carreira. Diversos e importantes nomes podem ser citados nesse contexto, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Keith Moon, Ronnie Van Zant, Brian Jones, Steve Ray Vaughan, Bon Scott, dentre outros. Alguns deles, por excesso de drogas ou álcool, outros por trágicos acidentes. Todos num momento em que suas obras estavam no topo. E podemos deixar nossa imaginação trabalhar para situarmos como estariam suas carreiras se hoje estivessem ainda vivos, e quanta música de qualidade poderia ter sido por eles produzida nas últimas décadas.
Mas também nos deparamos com artistas do rock que encontram seu fim em experiente estágio de idade. Foi assim com BB King, Alvin Lee, John Lord, Johnny Winter, Rich Wright, Dio, Jack Bruce, etc. Tais nomes produziram décadas de inesquecíveis discos e shows.
Mas, em dezembro de 2015, com a morte de Lemmy Kilmister, do Motorhead, nós amantes da música rock iniciamos uma fase com a qual sabíamos que começaria, mas não desejávamos que acontecesse: o fim de grandes bandas pela mortes de seus mentores. Mesmo que Lemmy tenha tido uma vida cercada de excessos, o que pode ter corroído por demais sua condição de saúde, sua passagem aos 70 anos veio para nos avisar que muitas bandas vão encerrar suas carreiras, que ficarão marcadas no tempo como tantas outras que tiveram sua trajetória concluída, como Beatles, Led Zeppelin, Cream, Free, Genesis, dentre outros monstros sagrados.
Nos próximos 10 ou 15 anos isso se repetirá com muita constância. Testemunharemos o enterro de bandas como Deep Purple, Rolling Stones, The Who, Judas Priest, Black Sabbath, AC/DC, Aerosmith, Rush, Scorpions, e outras, bem como de seus principais mentores. É a força to tempo atuante sobre uma arte que gera grupos com 40 e 50 anos de carreira. Algumas versões atuais (e discutíveis) enxertadas de membros novos (como o caso do atual Queen), poderão ainda assinar sua carreira com o nome de batismo da banda, mas isso já é outra história.
Sempre vai haver, dentre o público consumidor, aquela velha e eterna polêmica de que não existem mais grandes bandas geradas nos últimos anos, que a época gloriosa do rock acabou, o novo versus o antigo, etc. Mas a grande reflexão é sobre um fato inevitável: as bandas gigantes, com meio século de atividade, estarão mesmo se extinguindo, mas apenas no tocante da produção de novas músicas e shows. Porque sua obra nunca vai morrer. Se hoje um garoto de 13 anos descobre a obra de uma banda como Blue Cheer, Mountain, MC5, e por ela se apaixona, isso se repetirá pelas décadas vindouras.
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