Metal Nacional: O Underground e suas fragilidades
Por Fabio Reis
Postado em 13 de agosto de 2014
Este é um tema muito abordado, muita gente conhece exatamente o que acontece no Underground mas por motivos diferentes prefere não se envolver e não opinar. Muitos tratam o assunto com certo desprezo e outros acabam por defende-lo cegamente sem observar com atenção os defeitos e falhas existentes.
Sou da opinião de que a cena nacional caminha de forma muito mais lenta e amadora do que pode e deve. Estou sempre me deparando, dia após dia, com bandas de qualidade acima da média e trabalhos realmente bons e originais. Nossas bandas, não é de hoje, despertam o interesse internacional e fazem com que o nosso Metal seja respeitado e tido como um dos mais fortes do mundo.
Existem diversos fatores que fazem com que muitas bandas ainda encontrem tantos obstáculos para se firmarem e conseguirem viver de seu trabalho com a música. O que acontece é que tudo deve partir de uma conscientização coletiva, o que não é algo muito fácil, já que muitas pessoas envolvidas no Underground se acham a personificação do mesmo, e possuem ideias pra lá de batidas e caricatas quanto ao seu funcionamento. Em contrapartida, muitos que possuem novas opiniões não gostam da ideia de confrontar toda uma estrutura já montada e acabam por se afastando ou se abstendo.
Uma das principais causas do Underground permanecer na obscuridade é a atitude de seus maiores beneficiários: O público. Que, no geral, não possui interesse nenhum em prestigiar os eventos, não comparecem e quando vão, na maioria das vezes não adquirem material, não apoiam e acabam sendo estes, os que mais reclamam do mau funcionamento e precariedade dos shows. Devo deixar bem especificado que existem várias pessoas que não fazem parte dessa imensa maioria, mas que por serem em um número reduzido, não conseguem promover uma melhora acentuada na atual situação.
Acredito que cada indivíduo, deva ter liberdade para agir da forma que quiser, e não sou adepto ao apoio incondicional da cena pois, da mesma forma que existem milhares de bandas de ótimo nível, existe um número 5 vezes maior de grupos totalmente despreparados e ruins. Iniciantes que deveriam estar estudando os seus respectivos instrumentos, e que colocam a sua vontade de tocar na frente da sua real situação, além de bandas, que apesar do amor pela música, não carecem do talento necessário para agradar o, cada vez mais exigente, público do Metal.
Tendo esta ideia em mente, separamos o joio do trigo. Não devemos perder o nosso tempo e nem gastar dinheiro com bandas que não agradam, afinal isso não é apoiar, é ser burro. Porém as boas bandas merecem o nosso reconhecimento e esforço, digo isso com a maior convicção, estas bandas não são poucas e o apoio que recebem é irrisório.
Chegando ao entendimento de que existem ótimos trabalhos sendo lançados e muitas revelações surgindo, temos a função de apontar as demais causas que enfraquecem nosso Underground, obviamente, o público não é o único culpado e outros fatores ainda impedem que haja uma maior exposição das bandas e que estas tenham um futuro onde não precisem tocar a troco de migalhas e para um público não consumista.
Um dos fatores que afasta as pessoas são as casas de shows e eventos em locais isolados, sem uma infra estrutura aceitável para abrigar o público que comparecer de forma decente. Como exigir a presença de muita gente se não há formas de garantir um bom evento? Como podemos levar parentes e amigos a locais onde nem a higiene básica do lugar é mantida? Muitas casas de show são uma verdadeira vergonha e nem deveriam estar em funcionamento.
Para o meu entristecimento, a maioria dos locais que preenchem de forma satisfatória a acomodação de um evento, acabam optando por realizar shows de bandas Cover. E isso se dá pela lei da oferta e procura. A maioria dos ditos "Bangers" de hoje, pagam pra ver uma cover mal feito e as vezes não comparecem em um evento gratuito de bandas autorais boas.
Os músicos precisam pagar as suas contas e acabam preferindo fixar-se no que é garantido. Tocar covers pode atrapalhar demais as bandas autorais que lutam por um espaço, mas garante as que se prestem a esse papel, tirar o seu sustento fazendo o que gostam. Se não houvesse procura por tais shows o espaço seria melhor aproveitado e teríamos bandas mais bem amparadas e tocando músicas próprias, contudo é difícil embutir este pensamento em pessoas que passaram a vida toda condicionadas a esta situação.
Nesse cenário exposto, as bandas acabam se tornando verdadeiras sobreviventes pois, enfrentam um público desinteressado, casas de shows que devem e muito na infra estrutura, e ainda precisam lidar muitas vezes, com organizadores de eventos que visam apenas o próprio lucro. Cansei de ouvir relatos de amigos músicos, que dizem constantemente serem pagos com consumação em cerveja e em muitas ocasiões nem são pagos, o que é ainda pior.
Um padrão que vem sendo adotado e que considero ridículo, aproveitador e amador é o da banda que foi contratada ser responsável pelo bom andamento e sucesso do evento, as casas de show e produtores simplesmente se abstém de responsabilidade e deixam toda a divulgação por conta do contratado. Se o evento for um fracasso a culpa é da banda que não levou o público ao show, nesse caso nem pensar em cachê. Parece brincadeira, mas acontece aos montes, quem tem amigos que tocam no Underground com toda certeza já cansou de escutar tais depoimentos.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Com todos esses problemas, o Brasil consegue revelar um número exorbitante de bandas e possuir reconhecimento internacional, se orgulhando de ser um dos maiores celeiros do Mundo desde sempre. Revela novos talentos e ajuda a chama do Metal a manter-se viva independente das dificuldades impostas.
Finalizando:
Bandas: Se profissionalizem, esforcem-se, dominem seus instrumentos, não aceitem migalhas, exijam tratamento digno mas tenham consciência que quando se exige deve-se estar preparado pra ser exigido.
Casas de Shows: Bandas não são pagas com consumação,
Cachês combinados e acordados devem ser pagos independente do evento ter sido um sucesso ou um fiasco (Quem não pode não se estabelece). Estrutura do ambiente de show é problema da casa, venda de ingressos é problema da casa e divulgação do show não é trabalho da banda, que pode sim ajudar mas nunca ser responsável por isso.
Bangers: Apoiem, compareçam, comprem material, ajudem na divulgação. Em outras palavras, saiam um pouco de sua zona de conforto e ajude a mudar o que não te agrada. Reclamações vazias não levam a nada.
Se todos nós nos conscientizássemos de que fazendo apenas um pouco, poderíamos melhorar de forma exorbitante a forma como o Metal é tratado. De "um dos" maiores celeiros do Mundo, facilmente seríamos "O" maior, acredito que com um larga folga. Pensem
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