Chorão: o tempo passa e vocalista não aprende com erros
Por Daniel Junior
Fonte: Pipoca TV
Postado em 11 de setembro de 2012
Faz um tempo que penso em elaborar um texto sobre o declínio "social" que tomou conta da banda de rock CHARLIE BROWN JR, mas sempre sou desviado da ideia por querer escrever sobre algo mais contemporâneo, que esteja em voga. Talvez você não lembre, mas no final da década de 90 início desta década não tinha pra ninguém: os meninos de Santos invadiram as rádios, a Mtv brasileira e onde houvesse espaço. Até mesmo os programas da emissora global abriram portas para CBJ, basta lembrar que depois da canção "Assim Caminha A Humanidade" (Lulu Santos).A outra música que ficou anos tocando no horário da tarde, "Te Levar", foi a "segunda canção" da novelinha Malhação.
Charlie Brown Jr - Mais Novidades
Sabe-se lá se os fatos possuem relação mas desde que arranjou um problema com o músico Marcelo Camelo (então integrante da banda carioca Los Hermanos), a banda sofreu um desgaste de imagem impressionante. Algo muito semelhante ao que aconteceu com o Detonautas Roque Clube, por outros motivos só que em proporções assustadoras. A banda teve que se refazer após a saída de integrantes importantes como Champignon (baixista) e Pelado (baterista), colocou discos nas lojas que não chamaram a atenção de quase ninguém e viu seu nome desaparecer da mídia na mesma velocidade que surgiram.
Chorão deveria levantar a mão pro alto porque ainda não se tornou um ex-artista em atividade, já que, embora carismático, seu jeito casca grossa não tem nenhuma relação com o som tão animado e redondo que sua banda fazia, especialmente com a formação original que tinha Pelado, Champignon, Marcão, Tiago Castanho e ele mesmo.
Não bastasse não ter retomado um posto nos lugares de sucesso, agora volta à mídia após pateticamente desfazer-se de seu colega de banda (Champignon) em uma apresentação em Apucarana (PR) no último dia 8 ,supostamente por estar lavando roupa suja na frente do público mediante assuntos controversos não resolvidos entre ele e o baixista.
Pois não sr. Alexandre Magno Abrão, independente das questões que envolveram seu discurso repleto de rancor – e longe de se estabelecer como juiz de uma guerra que não pertence a ninguém senão a banda – está na hora do senhor aprender, do alto dos seus 42 anos, que não bastou quebrar o nariz do Camelo, agora o jeito foi "esmiuçar" o Champignon, no palco, diante do seu público. Não cabe a discussão sobre o teor da sua retórica mas o senhor que gosta de fazer papel de magnata (com o perdão do trocadilho) deveria ser mais nobre – se não com seu público – mas com um dos responsáveis por ter construído a identidade musical da banda. Champignon é certamente um dos músicos mais talentosos em seu estilo. Sem identidade, uma banda é só uma farsa ou uma tentativa de se parecer com outra.
Depois da pataquada, restou um vídeo de "indulto", constrangedor no mínimo. Positivo admitir o erro, mas depois de um certo tempo (e especialmente de uma certa idade) não dá para cometer as mesmas falhas, especialmente a falta de respeito com um profissional. Volto a dizer: ninguém está entrando no mérito de quem está certo ou não na discussão. Esse mérito pertence a banda e ponto final. Tão somente isso não dá direito ao vocalista humilhar seu companheiro – e se ele o recebeu de volta deveria ter resolvido suas questões antes do retorno – diante do seu público posando como se fosse de fato personagem do seu filme.
O Charlie Brown Jr parece uma banda cujo o vocalista é "contratado" (no pior sentido da semântica), onde os músicos são muito talentosos e o "cantor" é a figura arrogante e febril que empresta a imagem tosca que o rock and roll pegou emprestado para ganhar fama de mal. Saiba, sr. Chorão, que alguns conceitos e imagens já caíram por terra faz tempo e que continuando assim, um dia, nem os escândalos serão suficientes para mantê-lo na mídia.
Quem perde com isso é a banda – seu relacionamento interno, óbvio – o público que fica desconfiado da reação do líder da sua banda preferida e o rock nacional, que é carente sim, de bandas como CBR, que possui um DNA talentoso mas que sempre quando vai disputar alguma batalha, acaba perdendo pra si mesmo.
twitter: @dcostajunior
twitter: @pipoca_tv
Charlie Brown Jr - O atrito entre Chorão e Champignon
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O lendário álbum dos anos 1970 que envelheceu mal, segundo Regis Tadeu
Nenhuma música ruim em toda vida? O elogio que Bob Dylan não costuma fazer por aí
Bruce Dickinson sobe ao palco com o Smith/Kotzen em Londres
A música mais ouvida de cada álbum do Megadeth no Spotify
As 11 melhores bandas de metalcore progressivo de todos os tempos, segundo a Loudwire
O grande erro que Roadie Crew e Rock Brigade cometeram, segundo Regis Tadeu
Ex-Engenheiros do Hawaii, Augusto Licks retoma clássicos da fase áurea em nova turnê
Max Cavalera celebra 30 anos de "Roots" com dedicatória especial a Gloria Cavalera
10 clássicos do rock que soam ótimos, até você prestar atenção na letra
A música dos Beatles que ganhou elogios de George Martin; "uma pequena ópera"
As melhores músicas de todos os tempos, segundo Dave Gahan do Depeche Mode
Slash aponta as músicas que fizeram o Guns N' Roses "rachar" em sua fase áurea
Por que a voz de Bruce Dickinson irrita o jornalista Sérgio Martins, segundo ele mesmo
A banda dos EUA que já tinha "Black Sabbath" no repertório e Oz Osborne como baixista em 1969
Bruce Dickinson cita o Sepultura e depois lista sua banda "pula-pula" favorita



Por que o sucesso do Sepultura fez os Titãs recusarem contratar o Charlie Brown Jr?
O que Chorão canta no final do refrão de "Proibida Pra Mim"? (Não é "Guerra")
Metallica, Guns, Slipknot, Kiss: tombos, erros e fatos engraçados
50 a menos: Cientistas descobrem que o Número da Besta é 616
Fama: 5 bandas que são grandes no exterior e nem tanto no Brasil
As I Lay Dying, banda cristã, explica a proximidade com o Behemoth
O cantor que entrou para história por recusar ser vocalista do Deep Purple e do Led Zeppelin


