Por que o sucesso do Sepultura fez os Titãs recusarem contratar o Charlie Brown Jr?
Por Gustavo Maiato
Postado em 13 de janeiro de 2026
O sucesso internacional do Sepultura nos anos 1990 acabou influenciando decisões que, à primeira vista, parecem desconectadas - como a recusa dos Titãs em contratar o Charlie Brown Jr. para o selo Banguela Records. A explicação está nos bastidores narrados no livro A vida até parece uma festa, que detalha como o selo independente criado pelos Titãs funcionava - e quais critérios pesavam mais na hora de escolher novos artistas.
Sepultura - Mais Novidades
Com a consolidação do Banguela, a estrutura virou um sonho para bandas iniciantes: produção artística ligada aos Titãs, selo independente e distribuição garantida por uma gravadora multinacional. Isso fez a procura explodir. "Dobrou a quantidade de demos que chegava para Miranda filtrar e mostrar as melhores para os parceiros", relata o livro, descrevendo a rotina intensa de Carlos Eduardo Miranda, diretor artístico do selo.
Algumas bandas iam pessoalmente à rua Morás, sede do Banguela, em busca de uma chance. Uma delas foi o Utopia. Miranda ouviu a demo e descartou na hora. "Que graça tem uma banda que tenta imitar o RPM, com um vocalista metido a Paulo Ricardo e um japonês chato?", pensou, segundo o relato. O que ele não imaginava é que aqueles músicos - Dinho, Bento, Samuel, Sérgio e Júlio - pouco depois mudariam radicalmente de proposta, adotariam o humor escrachado e ficariam conhecidos como Mamonas Assassinas. Já consagrados e contratados pela EMI, eles não esqueciam a frustração de terem sido rejeitados pelo selo dos Titãs, embora raramente mencionassem que o som apresentado à época era completamente diferente.
O Charlie Brown Jr. também frequentava o Banguela. Sempre que vinha de Santos, Chorão passava para conversar com Miranda, e a banda chegou até a abrir shows dos Titãs em sua cidade natal. Mesmo assim, a contratação nunca aconteceu. O motivo central foi o idioma. Influenciados pelo impacto do Sepultura no exterior, muitos grupos da época acreditavam que cantar em inglês era o caminho natural para o sucesso. O Charlie Brown Jr. fazia parte dessa turma - e isso entrava em choque direto com uma regra básica do selo.
De acordo com o livro, um dos pré-requisitos impostos pelos Titãs era claro: as bandas precisavam cantar em português. A ideia era fortalecer uma cena nacional com identidade própria, e não repetir a lógica de exportação que havia levado o Sepultura ao mercado internacional. O Maskavo Roots, por exemplo, tinha um repertório inteiro em inglês, mas aceitou mudar o idioma para se adequar e acabou contratado. Já o Charlie Brown Jr. demorou a assumir definitivamente o português e, por isso, saiu dos planos do Banguela.
O livro também revela que o critério não era apenas musical, mas estratégico. Miranda e os Titãs entendiam que algumas bandas precisavam de uma estrutura maior do que a que o selo podia oferecer. Foi o caso do Planet Hemp. Apesar da amizade de Miranda com Marcelo D2, as letras com referências diretas à maconha faziam o produtor acreditar que o grupo se sairia melhor em uma grande gravadora, capaz de bancar os inevitáveis conflitos com a polícia - o que de fato aconteceria depois.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música de Bonnie Tyler que foi "reconstruída" e virou hino do Bon Jovi
5 músicas de heavy metal que são maiores que as próprias bandas
Steve Harris rebate Bruce e nega ter barrado novo disco do Iron Maiden
O riff mais tocado na maior loja de guitarra do mundo: "Antes era Stairway to Heaven"
Os 20 maiores hinos do heavy metal, em lista do WatchMojo
A melhor música do Alice in Chains, na opinião de Max Cavalera
O show que fez a cabeça de Jimmy Page em 1965; "mudou minha forma de enxergar a música"
Os três álbuns que Greg Mackintosh (Paradise Lost) levaria para uma ilha deserta
O hit com introdução mais longa da história da Legião Urbana: "Considerado chato"
Bill Ward, baterista do Black Sabbath, está usando cadeira de rodas
O clássico de Bonnie Tyler regravado por duas lendas do heavy metal
Iron Maiden não iria ao Hall of Fame mesmo se estivesse disponível, diz Steve Harris
As 20 melhores músicas do metal moderno, segundo o WatchMojo
"A rainha se foi": Tarja Turunen homenageia Bonnie Tyler
A "traição" dos Raimundos que deixou o produtor Miranda puto da vida
A inusitada estratégia adotada por Miranda durante gravação do primeiro disco do Raimundos
Como foi o último show do Sepultura com Max Cavalera, segundo os membros da banda
O que poderia ter mudado a história do Sepultura, na visão de Max Cavalera
Derrick Green abre o jogo sobre motivos para o fim do Sepultura
A música do Anthrax que Andreas Kisser considera "quase prog"
Max Cavalera e Andreas Kisser usaram uma guitarra e uma palheta nas gravações de "Schizophrenia"
Max Cavalera explica o que fez o Sepultura mudar o som em "Chaos A.D."
Os 10 momentos mais impactantes e fundamentais do metal nacional
O disco do Sepultura que explodiu as "regras do metal", segundo a Classic Rock
O álbum do Sepultura que a Classic Rock não recomenda aos ouvintes
A polêmica opinião de Andreas Kisser sobre "Roots"
Max Cavalera e os detalhes de sua saída do Sepultura, incluindo como e quando aconteceu


