Heavy Metal: A polêmica da cena brasileira continua...
Por Igor Z. Martins
Postado em 28 de dezembro de 2011
A polêmica insiste em continuar: Eduardo Falaschi gritando e fazendo eco em protesto sobre a cena do heavy metal do Brasil "Eu disse isso e não me arrependo", declara. Ele não é o único: como já amplamente discutido, vários figurões da cena nacional se ergueram pra reclamar, "desabafar"(!), e fazer suas reivindicações quanto à desatenção e descaso do público brasileiro em relação às bandas oriundas do país. "Só se dá importância ao que é internacional. Acham que o que é feito aqui é uma merda", dizem.
Insisto em dizer o que penso, especialmente, como uma forma de aproveitar e elogiar o espaço para debates que o Whiplash.Net tem se tornado. Ainda que as matérias publicadas tenham vários comentários desgostáveis, jocosos, e que o espaço para comentários se torne, por vezes, "espaço para palhaçada", não se pode fazer do burlesco uma limitação à reflexão.
O foco, aqui, é a montoeira de polêmicas que senhor Eduardo Falaschi gerou com seus comentários, por vezes, desagradáveis, em relação ao público que, por bem ou por mal, ache ele o suficiente ou não, sustenta-o. Se o Angra existe até hoje, se Falaschi pode ser dar ao luxo de lançar um projeto, e, especialmente, se ele tem visibilidade na mídia, tanto especializada quando a hegemônica, é porque o público brasileiro dá, sim, atenção ao que rola no cenário nacional. Mas, parece, não é o suficiente.
Ao declarar falência ou vendas em baixa, o comerciante não pragueja seus clientes, exceto os inadimplentes. Quando as portas se fecham, sempre se pensa numa administração desorientada, num produto mal elaborado e num errôneo emprego do capital. Assim, situando o paralelo, culpar o público, a cena, empresários e todo o meio do rock brasileiro pelas baixas vendas de discos e pelos concertos com público nanico é errado. Ora, alguma coisa errada aqueles que ofertam música ao público estão fazendo. Senão um péssimo trabalho sem atrativos, então, um serviço de divulgação extremamente pífio. É a administração do negócio que está errada. É o produto ofertado que não satisfaz a demanda. Mas, não! Maniqueístas, eles preferem culpar os clientes, o público. Eles apontam que lançaram um disco projetado para agradar a si mesmos: mas reclamam (petulantes) que o público não está satisfeito.
A alma do negócio – uma padaria, uma empresa de publicidade, uma indústria têxtil – é apresentar ao público o melhor produto possível. O dono de padaria tem de oferecer, aos seus clientes, os melhores pães e confeitos, do contrário, estes irão bater na porta da concorrência. Nesse caso, de acordo com os reclamões, o rock gringo.
Noutro artigo que publiquei no Whiplash.Net, convidei os reclamões a elaborarem o mais original e melhor som possível. Convoquei-os a esquecerem dos gringos, a serem os primeiros a valorizarem suas raízes e seguirem em frente. Então, um leitor disparou que eu, um jornalista, seria o primeiro a criticar se uma banda nacional fizesse "samba rock". Eu ri do potencial de interpretação de texto do mancebo! Nunca sugeri que bandas brasileiras fizessem "samba rock", "frevo progressive rock" ou "umbanda metal" – aliás, se alguém quiser um disco de "umbanda metal", basta ouvir o "Against" do Sepultura. Comprei aquilo e corri para um sebo para trocar por outra coisa. O que se espera é que o músico brasileiro tenha identidade, e isso não significa ser ufanista, nacionalista fanático. Significa fazer seu trabalho sem se preocupar com a tendência estrangeira.
Então, Falaschi, não existe essa coisa de "vocês tem de comprar o CD e ir aos shows". Em primeiro lugar, você não avalia o poder aquisitivo do brasileiro, em segundo lugar, esquece que vivemos em tempos de pirataria – em que o fanático pelo Iron Maiden, por exemplo, baixa a última coletânea da Internet –, esquece que existe a possibilidade de seu trabalho ser realmente ruim, de modo que ninguém (ao menos eu, não) gastaria um centavo sequer num CD seu. Não estou dizendo que é o caso, pois, avaliar música como boa ou ruim é subjetivo. Outra: os shows que você faz acontecem, no geral (veja bem: EM GERAL!), em grandes cidades, de modo que nenhum louco vai viajar 500 km pra assistir a uma banda iniciante e que, certamente, vai se parecer muito com o que já foi visto e ouvido à exaustão.
Então, o negócio é se destacar para que o público não poupe esforços para assistir, ouvir e contemplar o que é nacional. Não adianta copiar o gringo, inventar moda que não vai pegar e, depois, sentar e reclamar. A alma do negócio é se destacar e oferecer o melhor produto. Qualquer imbecil que acaba de abrir sua borracharia sabe disso. Porque o músico brasileiro, de rock e metal, tem de ser tão prepotente a ponto de achar que o que quer que for feito tem de ser contemplado? Triste.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A superbanda que Geezer Butler comparou à segunda vinda de Jesus
Black Sabbath anuncia biografia oficial "The Masters of Reality"
Derrick Green abre o jogo sobre motivos para o fim do Sepultura
Mick Jagger projeta shows e novas músicas para os Rolling Stones
Rage e Sonata Arctica anunciam turnê conjunta com orquestra
Masters of Voices estreia turnê sul-americana; veja setlist
A banda clássica que Pete Townshend criticou por fazer sempre o mesmo álbum
A cultuada banda de rock sulista que Eddie Van Halen detestava
Como uma gravadora de sertanejo bancou o disco mais progressivo do Brasil
5 músicas de heavy metal que todo tiozão brasileiro se lembra com carinho
Mötley Crüe toca música do primeiro disco pela primeira vez em 42 anos
O megahit de 1965 que Bob Dylan diz que é "um longo pedaço de vômito"
O rockstar que esnobou hit que acabou vendendo 3 milhões de cópias em 3 semanas
Os cinco guitarristas favoritos de Dave Mustaine e o motivo de cada escolha
CHAMA O VAR: Slash sofre tombo cinematográfico em show do Guns N' Roses
Por que rock ficou pra trás e não está na mídia igual outros estilos, segundo Marcos Kleine
O que impediu o Ratos de Porão de ser tão grande quanto o Sepultura, conforme João Gordo
Dio: "Como podem comparar Ozzy Osbourne a mim como cantor?"

O filme com a melhor trilha sonora de todos os tempos, segundo Edu Falaschi
Mike Portnoy - o melhor baterista de todos os tempos, segundo Edu Falaschi
Por que Edu Falaschi evitou o caminho mais óbvio ao retratar o Oriente Médio em "MI'RAJ"
O clássico do Angra de Andre Matos que parece com faixa do "MI'RAJ", segundo Edu Falaschi
Por que novo álbum de Edu Falaschi agrada quem não curte power metal, segundo o próprio
Lobão: a defesa do roqueiro solitário
Preconceito: dificuldades de ser roqueiro em cidade do interior



