A (contra) cultura Rock: combativa e contra-hegemônica
Por Wesley Prado Heredia
Postado em 30 de outubro de 2011
O mundo pós-beatles acreditou que a arte, sobretudo a música, havia perdido a luz própria, a capacidade de se reinventar, de lutar contra o conservadorismo que estranhamente a modernidade trouxera. Estava acabado, o movimento beatnik chegara ao fim, a indústria cultural abarcara toda a sociedade com seus tentáculos (in)visíveis. Homogeneizou-a. Criou padrões desenfreados e uniformes. Mas, como as baratas, os indesejáveis não morreram após os pontapés.
Em 1969, sob o ranço da tradição vitoriana, Woodstock acontecia. Foi o divisor de águas: dali pra frente o rock and roll Elvis Presleyano tomaria formatos diversos. No berço do movimento hippie, bandas combativas e revolucionárias mostravam outra forma de ataque – a Revolução não se faz apenas pela luta armada. Lutavam contra as indiferenças, preconceitos e hábitos que o mundo dito "avançado" alimentava, com frases feitas, seus jovens e adultos. Disseram não; cuspiram tudo de volta, engasgados estavam.
A década de 1970 entrou de sola. Bebendo do líquido combativo de seus predecessores – do Blues ao Classic Rock-, as guitarras distorcidas entraram em cena para enfrentar mais a finco a estrutura estabelecida. Surgiram, entre outros, o Punk e o Heavy Metal. Ao contrário do que muita gente pensa, não são apenas música, são também formas de manifestação. Cada spike, cada patch, cada calça rasgada e jaqueta de couro surgem como uma arma que atira, não para matar, mas para apenas atordoar. Estonteado, você vai além, você transcende.
Mas, como em vários períodos históricos, o novo incomodou. Os anos 80, a década de ouro do Thrash Metal, mostraram que sons e letras agressivas também eram arte. Novamente a casta nobre não entendera. Era preciso restabelecer esses indivíduos; era preciso corrigi-los e reeducá-los para viverem novamente em sociedade (Foucault, 1975). Eles perturbaram as mentes de todas as estruturas sociais, criando, muitas vezes, ideias erradas sobre a cultura rock. Falar do mal, não os tornava mal, assim como falar de amor não tornava os beatles mais amorosos.
A perturbação foi tanta que ações inglesas mais sérias foram movidas contra a cultura rock. Em 1984, Dee Snider, vocalista do Twisted Sisters, foi intimado por uma comissão do Senado Inglês a falar sobre as acusações da CPRM, Centro de Pais de Recursos Musicais de Londres. A instituição considerava as letras uma ameaça a juventude e aos valores da família. Como se não bastasse, a igreja também se manifestou; saiu às ruas em protestos para impedir o avanço da influência demoníaca nos jovens. A mídia, por sua vez, reproduziu num mimetismo frenético, todos esses pontos de vistas conservadores e preconceituosos.
Embora muito se tentasse pouco se conseguiu. Verdadeiros Rockers estão espalhados por todos os cantos do planeta, lotando shows e fazendo história. Há quem diga que o rock um dia acabará. Se verdade não sei, só o tempo dirá. Mas até lá defenderemos, a nossa maneira, o direito de livre manifestação cultural por meio de uma música combativa e contra-hegemônica.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Iron Maiden está em seu melhor momento ao vivo, garante Adrian Smith
"Um babaca que nem sabe tocar direito": Roger Waters fala sobre James Hetfield
A melhor banda de metal progressivo dos EUA e Inglaterra, segundo a Loudwire
Ex-vocalista chama formação atual do Sex Pistols de "banda de karaokê"
As 5 melhores músicas que começam com bateria, segundo Gastão
Led Zeppelin licencia "Stairway to Heaven" pela primeira vez na história
K.K. Downing se manifesta sobre aposentadoria de Ian Hill (Judas Priest)
As 25 melhores músicas dos Ramones, em lista da Paste Magazine
Eloy Casagrande conta como venceu desconfiança do Slipknot inserindo influências brasileiras
A banda que Brian May gostaria de ter integrado se o Queen nunca tivesse existido
Produtor contesta declaração de Tony Iommi sobre último disco do Black Sabbath
"Yesterdays" do Guns N' Roses e a compreensão do significado do passado
Fãs esculacham o Metallica após discurso feito por James Hetfield em show
O hino não oficial da libertação do rock and roll para Tom Morello
O maior guitarrista de todos os tempos, de acordo com a Guitar World


O rock e o heavy metal se misturam com a política, sim (e você provavelmente sabe disso)
A declaração de James Hetfield não surpreende, considerando de onde veio
Por que é importante que artistas se posicionem politicamente
O fã não é nenhum idiota, e merece mais respeito
Engenheiros do Hawaii - A reunião que não acontece
Rock in Rio quer o nome do rock, mas não seu compromisso
Heavy metal: radicalismo ou preconceito?


