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Arte Musical
Stamp

Dumont não inventou a asa nem o motor, mas o 14-Bis é só dele

Por Mário Pacheco
Em 18/11/04

Inadvertidamente a opção de esclarecimento é precocemente vedada quando qualquer edição já está impressa e encaminhada às bancas ou o envio de email não pode ser efetuado...

O artigo, Santos Dumont não inventou a asa nem o motor, mas o 14-Bis é só dele, de Cláudio César Dias Baptista já é célebre, trata-se de resposta à vinheta/retranca publicada no primeiro volume dos quatro volumes da história do rock nacional da revista Superinteressante.

Quando alguém, retoma um tema qualquer (no caso, quanto a Mutantes, guitarras e áudio, é tema antigo, do qual há muitos registros, reportagens, fotos e artigos nos arquivos das revistas, jornais e tal), a coisa mais fácil e lógica de acontecer é outras pessoas "aproveitarem o vácuo", feito na Fórmula I, e porem no ar e no papel o que já possuam arquivado. Foi o que aconteceu e continuará. E isso não é mau, desde que seja feito uma abordagem moderna e evite os erros viciados de que tal marca serviu de "inspiração" sem oferecer a oportunidade de esclarecimento do autor do artefato alegando um conveniente isolamento quando uma consulta na listas telefônicas ou na internet poderia ter afastado no mínimo a idéia de aprimoramento.

(Cláudio César Dias Baptista - exclusivo p/Whiplash)

É mesmo engraçado o que dizem por aí quando não têm o que dizer...

Tanto a JBL quanto qualquer outra fábrica se apóia na pesquisa e na ciência, próprias ou alheias, para o desenvolvimento de caixas acústicas. Sempre foi o meu caso. As paredes de minhas residências o comprovam, de tantos furos e reformas lhes fiz, durante incontáveis experimentos de caixas acústicas e transdutores.

A turma que escreve aquelas coisas citadas por você nesta sua mensagem deve estar se referindo à Nova Caixa CCDB, que é a mais usada no Brasil para sonorização, desde que a lancei num meu artigo pela Nova Eletrônica.

O que acontece é o seguinte: a corneta, com dois alto-falantes e um plugue de fase entre eles, que forma a frente dessa caixa não é invenção da JBL: vem de muito antes de essa empresa existir. E a caixa de suspensão acústica, sem corneta, é também de outro inventor que não a JBL.

O que existe de novidade na Nova Caixa CCDB é a aplicação daquele mesmíssimo processo de criação que sempre usei e que os rosacruzes (rosa-cruzes) descrevem em seus escritos. Quando se cruzam duas coisas para criar outra, nascem na nova coisa propriedades inexistentes ou latentes nas duas primeiras.

A Nova Caixa CCDB é a única que tem na frente dos alto-falantes uma corneta convencional, parecida com as que a JBL e muitas outras empresas sempre usaram, e que também tem, por trás dos alto-falantes, um sistema de suspensão acústica, que caixa-corneta alguma contém. A Nova Caixa bem construída é inteiramente recheada de lã de vidro muito comprimida e possui um espaço interno projetado para perfeita "suspensão acústica".

Nenhuma outra caixa-corneta é assim. As que mais se parecem, vistas de frente, com a Nova Caixa CCDB, são caixas cujos alto-falantes são "carregados" por bass-reflex, caixas essas que se identificam pelas aberturas sintonizadas visíveis na frente da caixa, as quais inexistem na Nova Caixa CCDB. Há também caixas da JBL cujos alto-falantes não são carregados por trás e não possuem aberturas, ou pórticos. Tais caixas, relançadas, passaram a ter aberturas sintonizadas do tipo bass-reflex, para que suportassem freqüências baixas, onde as cornetas não carregam os transdutores e além disso rodam a fase das ondas acústicas, deixando seus cones baterem e os transdutores se estragarem.

Sem essas aberturas, a Nova Caixa CCDB é muito menor que a JBL mais semelhante, e agüenta muito mais potência na região dos médios-graves, para a qual foi principalmente desenvolvida, porque a suspensão acústica não permite que os cones de seus alto-falantes se movam erraticamente, conservando-os no melhor curso e com mínima distorção, mesmo sob máxima potência elétrica.

Também nos graves sob a faixa útil de sua corneta a Nova Caixa suporta elevadíssima potência, porque a suspensão acústica não permite às ondas de fase rodada que as cornetas produzem abaixo da freqüência de corte destruam os transdutores. Por isso essa caixa se presta a trabalhar sozinha, enquanto não se lhe acrescentam caixas específicas para graves, com as quais não "briga", quando trabalharem juntas, entrando perfeitamente em fase na freqüência de transição e acoplando corretamente suas bocas, o que resulta num padrão de cobertura ideal e constante.

Usando transdutores idênticos, a Nova Caixa aceita mais potência elétrica e produz nível muito maior de SPL (Sound Pressure Level), ou NIS (Nível de Intensidade Sonora) que essa similar da JBL e que outras similares mais antigas que a da JBL, porque as há até para se colocarem nos cantos de uma residência e se carregarem por trás pela corneta formada no encontro das paredes.

E a Nova Caixa CCDB funciona outrossim como "semente de sistema", porque sozinha pode trabalhar amplificando um conjunto musical inteiro (o que se costuma fazer com ao menos duas caixas, uma de cada lado do palco), enquanto não se lhe acrescentam cornetas de médios-agudos, com os drivers, nem cornetas para graves e se forma um "BIN" otimizado de faixa completa e multiamplificação.

Se usássemos a mais parecida caixa JBL tentando esse trabalho de "semente de sistema", a seção bass-reflex "brigaria" com as caixas de graves que se lhe acrescentassem, desequilibrando o padrão direcional do conjunto de caixas.

Portanto, a Nova Caixa é única e possui propriedades inexistentes nas similares.

Por esse motivo afirmo: o projeto da Nova Caixa CCDB é meu, e não se baseia em produtos JBL; sim, na ciência que está por trás de todos os produtos de todas as fábricas, mas principalmente naquele princípio de criação supracitado e na minha própria invenção: a de criar pela primeiríssima vez uma caixa-corneta carregada por suspensão acústica específica para a faixa de médios-graves e que servisse como "semente de sistema", idéia essa que também originou os lendários amplificadores CCDB para instrumentos musicais e vozes, já descritos por alto nos meus textos sobre válvulas e transistores.

A Nova Caixa CCDB, como rezam os artigos onde a expus na Nova Eletrônica, foi criada para superar, com custo inferior, as caixas em voga no Brasil, JBL 4560, introduzidas aqui por mim mesmo, com aquele sistema dos Mutantes do espetáculo célebre no Parque da Aclimação, onde foram copiadas pelo futuro dono da Transasom. A Nova Caixa superou a 4560 porque os dois alto-falantes que contém, em lugar do único desta última, se acoplam e o rendimento mais que dobra, possibilitando com um par de transdutores vulgares que custa a metade do transdutor único da 4560 o dobro de SPL ou NIS, à mesma potência.

Com transdutores da mesma qualidade do da 4560, o SPL dobra novamente, e o preço é só um pouco maior, porque a Nova Caixa usa alto-falantes de 12", mais baratos que o de 15" da 4560. E além disso, a Nova Caixa, mesmo com dois transdutores, é bem menor e mais portátil que a 4560, além de esta última ter o problema do bass-reflex supracitado quando se lhe tentam acrescentar caixas mais graves.

Só a Nova Caixa CCDB, com seus alto-falantes de 12" tem os transientes adequados para a faixa de transição com as cornetas de médios e agudos, e tem os graves bastantes com a área desses dois transdutores, para a transição perfeita com a(s) caixa(s) especializadas em graves num sistema de multivias.

A Nova Caixa CCDB é a única projetada para sistemas de três ou mais vias, que são o segredo do sucesso! Multiamplificação. As outras citadas só funcionam relativamente bem em sistemas de duas vias, tendo obrigatoriamente de ser a via mais grave. Quando se acrescentam caixas de graves à Nova Caixa, temos os melhores sistemas de PA, em todos os parâmetros eletracústicos.

E acima de tudo: eu lancei a Nova Caixa CCDB em domínio público, e jamais recebi um centavo sequer pelo projeto, por direitos e tal, das muitas e muitas fábricas que a passaram a construir e a vender em incontáveis lojas pelo Brasil inteiro. A maioria das fábricas e lojas a identifica assim: caixa JBL...

Muito mais informação a respeito da Nova Caixa e de meus outros projetos, está contida nos artigos que iniciei em 1977 na Nova Eletrônica e nos prospectos e manuais dos Produtos CCDB.

Infelizmente, brasileiros invejosos não admitem que brasileiros criem coisa alguma: para tais pessoas é muito mais fácil "pixar" as criações autênticas, porque não é preciso estudá-las nem compará-las com as existentes, o que lhes dá muito menos trabalho e os mantêm no âmago da onda da mediocridade.

Atos de subdesenvolvidos que preferem se conservar assim e fugir das escolas, dos laboratórios e das pesquisas. Preferem raspar a marca de equipamento bom, feito no Brasil, e colar por cima logotipos de empresas estrangeiras.

Felizmente o Brasil vem melhorando e já sai caro àquelas pessoas dizerem bobagens aos quatro ventos.

Coisas assim nos levam os cérebros para o exterior. Nem citarei exemplos...

Não deixe de acessar www.ccdb.gea.nom.br.

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Sobre Mário Pacheco

Este corpo nasceu em Osasco/SP e desde dezembro de 1975, mora em Brasília. Em 1982, comecei fazendo fanzines, depois livros, cds e vídeos. Há um ano, assino e faço a edição de textos do site www.dopropiobolso.com.br.

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