O Rock morreu? Certeza?
Por Fábio Caetano
Postado em 27 de julho de 2001
A frase proferida já há algum tempo por medalhões do gênero como Billy Corgan do finado Smashing Pumpkings e por vários críticos de música, ecoou de forma assustadora para fãs deste ritmo amado e odiado por tanta gente.
O efeito causado por esta frase entretanto, acabou sendo de grande valia para o Rock. Várias bandas passaram a usá-la justamente como um estímulo para se renovarem e adquirirem um novo espírito, já que começaram a ser insistentemente chamados de "repetitivos" pela imprensa.
Toda esta controvérsia começou em meados dos anos noventa, quando o "grunge" acabou junto com a vida de Kurt Cobain e foi considerado pelos críticos o "último suspiro do rock de qualidade". A partir desta época, foi catapultada uma enorme geração de bandas de várias vertentes do estilo, fora a renovação musical de bandas mais tradicionais.
Alguns álbuns, aceitem os fãs mais radicais ou não, serviram na verdade como uma tomada de fôlego para o rítmo criado por Chuck Berry e seus contemporâneos. "Mellon Collie and the Infinite Sadness" (1996), do Smashing Pumpkings, "Roots" (1996), do Sepultura, o auto-entitulado primeiro trabalho do Korn (1994), "Antichrist Superstar" (1996), de Marilyn Manson e "Dookie" (1994), do Green Day, só para citar alguns.
Esses trabalhos inegavelmente exerceram influência para diversas outras bandas ou pelo menos levaram as grandes gravadoras e seus empresários a investirem pesado no Rock novamente. Bandas como Pantera e White Zombie lançaram verdadeiros petardos do heavy metal como "Far Beyond Driven" (1994) e "Astro Creep 2000" (1996). Isso sem falar da volta do Kiss, da ressurreição dos Beatles através do "Anthology" e no desespero causado nos fãs em função do lançamento de "Load" (1996) do Metallica que mexeu com o rock tanto positiva quanto negativamente.
Hoje, em plena virada do século. Várias bandas de rock estão nas paradas de sucesso mundo afora. Embora muitos fãs não acreditem que vender milhões de discos seja o principal objetivo de uma banda de rock, este fator é importante para comprovar que a música atual pode ser algo mais que "N'Syncs" e "Britney Spears" da vida. O rock divide paralelamente (às vezes junto) com o Rap, a função de pelo menos dividir o espaço do mercado com esses artistas do momento.
Mesmo aqui no Brasil, terra das "danças do não sei o quê", é impressionante o número de bandas de rock que vêm surgindo. Nem todos têm qualidade, devemos ponderar, mas já vale a intenção.
Considerando todo o conteúdo acima se conclui: É quase impossível decretar o fim de um gênero musical. O jazz também já foi dado com acabado mas os seus fãs continuaram a exalta-lo e o mantiveram vivo. Com o rock o caminho é mais ou menos o mesmo. Indubitavelmente, os fãs vão sempre servir de estímulo para que surjam outros Dimmu Borgirs, Offsprings, Deftones, Foo Fighters, Cradle of Filths, Machine Heads, Rancids, Stratovarius, Soulflies...
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